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    El Niño faz açúcar ter forte alta no mercado interno e externo

    No mais recente relatório mensal sobre o comportamento dos preços internacionais dos alimentos, a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) indicou que os consumidores pagaram 12% a mais pelo açúcar em agosto em relação a julho.

    UOL
    10 de setembro de 2026 às 23:00
    El Niño faz açúcar ter forte alta no mercado interno e externo
    Trabalhadores em plantação de cana-de-açúcar em Yiwu, na província de Zheijang, no leste da China — Foto: UOL

    A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP

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    Trabalhadores em plantação de cana-de-açúcar em Yiwu, na província de Zheijang, no leste da China - Xu Yu - 15.nov.25/Xinhua · Xu Yu - 15.nov.25/Xinhua
    Trabalhadores em plantação de cana-de-açúcar em Yiwu, na província de Zheijang, no leste da China - Xu Yu - 15.nov.25/Xinhua · Xu Yu - 15.nov.25/Xinhua — Foto: UOL · Fonte: UOL

    No mais recente relatório mensal sobre o comportamento dos preços internacionais dos alimentos, a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) indicou que os consumidores pagaram 12% a mais pelo açúcar em agosto em relação a julho.

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    Isso é apenas o começo de uma alta mais intensa que virá nos próximos meses por conta dos efeitos do El Niño , segundo o analista Maurício Muruci, da Safras & Mercado. Ele destaca que a evolução de preços no Brasil, o maior produtor mundial, foi bem mais acelerada no período, atingindo 20% para o açúcar cristal. É o aumento que as usinas repassaram para as indústrias no período e que ainda vai chegar nos consumidores.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    O El Niño no Brasil está provocando excesso de chuva, o que reduz o ritmo da colheita, e um volume de precipitações abaixo da média na Ásia, afetando a produção. Na União Europeia, as altas temperaturas fizeram o setor reduzir as estimativas de produção.

    Muruci diz que o bloco europeu deve produzir 3 milhões de toneladas a menos do que o previsto para esta safra, mesmo volume de retração no Brasil. A Índia deverá ter uma safra 3,8 milhões abaixo do esperado; a Tailândia, outra importante produtora, 2 milhões a menos, e a China, 1,5 milhão a menos.

    No Brasil, em função do El Niño, a safra deverá terminar dois meses antes do normal, e a próxima só começará dois meses depois. Há uma antecipação das chuvas agora e uma postergação no próximo ano. "Vai ser uma entressafra mais longa e com uma oferta ainda menor de açúcar do que a gente já vem enfrentando agora", afirma Muruci.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: UOL · Fonte: UOL

    As notícias sobre o El Niño não são boas, segundo o analista da Safras. Relatório desta quinta-feira (10) do NOAA, órgão do Departamento de Climatologia dos Estados Unidos, indica que o fenômeno, que começou em maio deste ano, vai até maio do próximo ano.

    A intensidade dele no ápice, provavelmente em outubro, poderá superar 3,5°C. Se confirmada essa expectativa, a temperatura superficial do Pacífico estará 3,5°C acima da média histórica de 50 anos. Quando a água fica 1°C acima da média histórica, o El Niño é considerado fraco; 1,5°C, moderado; 2°C, forte. E o que temos agora é uma variação entre 3,5°C a 4°C, diz Muruci.

    Segundo o analista, o mercado já está levando em consideração essas taxas de temperatura. Os preços do açúcar em Nova York, Bolsa que determina os valores do produto pelo mundo, subiram 30% do início ao final de agosto, atingindo US$ 0,18 por libra-peso. Em fevereiro do próximo ano, deverão estar em US$ 0,22 ou US$ 0,23, segundo estimativas da Safras.

    O mercado se antecipa a uma esperada queda de produção. A safra 2026/27, que começa em outubro deste ano e vai até setembro do próximo, será de 175 milhões de toneladas, abaixo dos 189 milhões atuais. A demanda internacional será de 183 milhões de toneladas.

    Além do El Niño, o açúcar sofre o efeito preço do petróleo, que voltou a superar os US$ 100 por barril.

    "Quando o petróleo está em alta, ele deixa os investidores internacionais mais otimistas com os ganhos em commodities e eles entram em várias delas, inclusive no açúcar", diz Muruci. Além disso, o petróleo elevado dá margens para o aumento do consumo do etanol, concorrente do açúcar na utilização da cana-de-açúcar.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/vaivem/2026/09/el-nino-faz-acucar-ter-forte-alta-no-mercado-interno-e-externo.shtml.

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    Trabalhadores em plantação de cana-de-açúcar em Yiwu, na província de Zheijang, no leste da China - Xu Yu - 15.nov.25/Xinhua · Xu Yu - 15.nov.25/Xinhua — Foto: UOL

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