Brasil

    El Niño continua a se intensificar, mas ainda não está em patamar muito forte, diz agência dos EUA

    A temperatura da superfície do oceano Pacífico equatorial continua esquentando, aumentando a intensidade do El Niño atual. O fenômeno, porém, ainda não atingiu o patamar muito forte -o que vem sendo chamado de "Super El Niño". Leia mais (10/08/2026 - 12h31)

    Folha de S.Paulo
    8 de outubro de 2026 às 15:31
    El Niño continua a se intensificar, mas ainda não está em patamar muito forte, diz agência dos EUA
    Vista panorâmica mostra prédios residenciais altos ao fundo com céu encoberto por névoa densa, indicando poluição do ar. Vegetação densa aparece em primeiro plano. — Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    A temperatura da superfície do oceano Pacífico equatorial continua esquentando, aumentando a intensidade do El Niño atual. O fenômeno, porém, ainda não atingiu o patamar muito forte —o que vem sendo chamado de "Super El Niño".

    Em meio ao aumento da seca no Amazonas, a fumaça de incêndios florestais encobriu Manaus em setembro - Raphael Alves - 23.set.26/Agencia Enquadrar · Raphael Alves - 23.set.26/Agencia Enquadrar
    Em meio ao aumento da seca no Amazonas, a fumaça de incêndios florestais encobriu Manaus em setembro - Raphael Alves - 23.set.26/Agencia Enquadrar · Raphael Alves - 23.set.26/Agencia Enquadrar — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As informações fazem parte da atualização mensal da agência climática dos Estados Unidos e foram divulgadas nesta quinta-feira (8).

    O fenômeno climático, que começou em junho , é caracterizado pelo aquecimento acima da média das águas superficiais do Pacífico leste na região da linha do Equador . A La Niña ocorre quando esta região está mais fria do que o normal.

    Quando a variação trimestral acima da média é de 0,5°C a 1°C, o El Niño é considerado fraco. Na classificação moderada, a anomalia de temperatura fica entre 1°C a 1,5°C e, na forte, vai de 1,5°C a 2°C. O El Niño é classificado como muito forte quando o aquecimento da superfície do Pacífico equatorial fica acima de 2°C.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A temperatura do trimestre de agosto a setembro foi de 1,7°C —ou seja, na categoria muito forte. Considerando apenas o último mês, a principal região usada para aferição do fenômeno (chamada Niño-3.4) está 2,1°C mais quente do que a média.

    A Noaa (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) afirma que as chances de um evento histórico permancem elevadas.

    "O maior valor registrado desde 1950 ocorreu durante o último trimestre de 1982-83, com 2,4°C. Portanto, qualquer valor acima de 2,4°C não teria precedentes em nosso registro histórico", afirma a física Michelle L'Heureux, que lidera o monitoramento do fenômeno na agência norte-americana.

    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga
    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Há 54% de chance desse patamar ser atingido até novembro, índice que sobe para 83% se considerado o período até dezembro.

    Um El Niño mais intenso, porém, não significa que ele será necessariamente mais catrastrófico. Quanto mais a superfície do Pacífico equatorial aquece, maiores as chances de ocorrerem eventos climáticos associados ao fenômeno.

    No caso brasileiro, isso tende a significar mais chuvas para a região Sul do país e mais seca para Norte e Nordeste —impactos que já vêm aparecendo.

    Dados parciais de setembro do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais) mostram que o número de municípios em seca extrema subiu de 4 para 24 em um mês. Aqueles em seca severa passaram de 153 para 197, com maior aumento em Amazonas, Bahia, Amapá, Alagoas e Sergipe.

    No extremo oposto, chuvas volumosas provocaram inundações no Sul, principalmente no vale do Taquari e ao longo do rio Caí, no Rio Grande do Sul, e em municípios de Santa Catarina. Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a previsão para outubro a dezembro indica chuva acima do normal no Sul, em parte do Sudeste e no leste do Nordeste. O risco de cheias continua no Sul, mas deve diminuir até dezembro.

    Uma newsletter com o que você precisa saber sobre mudanças climáticas

    Não se cabe ao certo se a mudança climática influencia a ocorrência do El Niño. Mas o aquecimento global aumenta a frequência e a intensidade de eventos extremos, potencializando os impactos de fenômenos sazonais como este.

    Ainda de acordo com o relatório da Noaa, as temperaturas subsuperficiais permanecem mais de 10°C acima da média no oceano Pacífico oriental, sinalizando que essas águas continuarão alimentando o El Niño. O órgão prevê que o fenômeno permaneça no patamar de forte a muito forte entre janeiro e março de 2027, com probabilidade superior a 83%.

    Um relatório da Confederação Nacional de Municípios aponta que, de julho a setembro, após o estabelecimento do El Niño, desastres climáticos atingiram 6,9 milhões de pessoas em 1.035 cidades . Foram registradas 25 mortes e 8,7 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas.

    A entidade calcula perdas de R$ 12,6 bilhões. Destes, R$ 8,8 bilhões são prejuízos privados, R$ 3,6 bilhões são públicos e R$ 283,4 milhões, danos a unidades habitacionais.

    Os maiores impactos foram registrados no Nordeste (R$ 5,7 bi), onde a seca tem se intensificado. Ao todo, 319 municípios decretaram situação de emergência, afetando cerca de 1,4 milhão de pessoas. O setor mais impactado foi o agronegócio.

    Em seguida vem o sudeste, que teve R$ 4 bi em prejuízos devido a vendavais, fortes chuvas e deslizamentos, provocando de quedas de árvores a inundações. Além disso, Minas Gerais também está sofrendo com estiagem.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/10/el-nino-continua-a-se-intensificar-mas-ainda-nao-esta-em-patamar-muito-forte-diz-agencia-dos-eua.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    Em meio ao aumento da seca no Amazonas, a fumaça de incêndios florestais encobriu Manaus em setembro - Raphael Alves - 23.set.26/Agencia Enquadrar · Raphael Alves - 23.set.26/Agencia Enquadrar — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)