El Niño: chance de fenômeno forte nos próximos meses salta para 95%
No boletim anterior, publicado em 9 de julho, NOAA calculava em 81% a chance de o fenômeno alcançar esse nível de intensidade no mesmo período O post El Niño: chance de fenômeno forte nos próximos meses salta para 95% apareceu primeiro em Olhar Digital .

A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos ( NOAA , na sigla em inglês) aumentou para 95% a probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026 . A estimativa consta na atualização divulgada nesta quinta-feira (13).
No boletim anterior, publicado em 9 de julho, a agência calculava em 81% a chance de o fenômeno alcançar esse nível de intensidade no mesmo período.
Para o intervalo entre novembro de 2026 e janeiro de 2027 , que engloba o fim da primavera e o início do verão no Hemisfério Sul, a NOAA estima atualmente 90% de probabilidade de um El Niño muito intenso .

A agência também calcula em 69% a chance de o episódio ficar entre os maiores El Niños registrados desde 1950 , considerando as projeções atuais para as temperaturas do Oceano Pacífico.
A atualização ocorre enquanto o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial vem se acelerando.
O valor de 1,8 °C já é considerado pela Climatempo compatível com um El Niño de forte intensidade. A NOAA, por sua vez, vinha classificando o fenômeno como um episódio em fortalecimento, sem classificá-lo oficialmente como forte no boletim mensal anterior.

A intensidade definitiva do El Niño dependerá de quanto o Pacífico Equatorial continuará aquecendo nos próximos meses e, principalmente, de como a atmosfera responderá a esse aquecimento.
Para que o fenômeno se fortaleça, não basta que o oceano fique mais quente. É necessário que o sistema formado pelo oceano e pela atmosfera passe a atuar de maneira acoplada e persistente .
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Tecnicamente, o fenômeno ocorre quando a temperatura dessas águas fica 0,5 °C ou mais acima da média .

Ele faz parte do El Niño-Oscilação Sul ( ENOS ) , ciclo natural do sistema climático que possui fases quentes, associadas ao El Niño, frias, relacionadas à La Niña, e períodos de neutralidade.
O aquecimento do Pacífico modifica a circulação da atmosfera e pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.
O fenômeno costuma ocorrer a cada dois a sete anos e tem duração média de aproximadamente 12 meses. Seus efeitos também contribuem para o aumento da temperatura média global durante os episódios de maior intensidade.

A La Niña representa a fase oposta do ciclo, marcada pelo resfriamento das mesmas águas do Pacífico e por impactos climáticos que, em diversas regiões, ocorrem em direção contrária.
No Brasil, os efeitos do El Niño variam de acordo com a região e a época do ano. Como a maior intensidade do episódio atual é esperada entre novembro e janeiro, os impactos durante a primavera e o verão ganham atenção especial.
Historicamente, o fenômeno tende a provocar:
No Sudeste e no Centro-Oeste, os efeitos são menos uniformes e podem incluir temperaturas mais elevadas e pancadas de chuva mal distribuídas.
Os efeitos do El Niño não são determinados apenas pela temperatura do oceano. A resposta da atmosfera ao aquecimento do Pacífico também é fundamental para definir a intensidade e a distribuição dos impactos.
Desde 2006, uma sequência de episódios de El Niño tem ocorrido em um planeta que já apresenta temperaturas mais elevadas do que no passado.
Mesmo eventos classificados como fracos ou moderados podem contribuir para o aumento do risco de extremos climáticos em um cenário de aquecimento global, incluindo secas, enchentes e ondas de calor .
Entre os principais episódios das últimas duas décadas estão:
A expectativa agora é de que o episódio de 2026 ganhe força nos próximos meses. A NOAA considera que há alta probabilidade de que ele alcance intensidade muito forte, mas a evolução dependerá da continuidade do aquecimento do Pacífico e do comportamento da atmosfera.
Ao mesmo tempo, especialistas ressaltam que o aquecimento global continua sendo o principal fator de longo prazo por trás das mudanças no clima . Com os oceanos já mais quentes do que a média histórica, episódios de El Niño podem contribuir para temperaturas ainda mais elevadas e aumentar o risco de extremos em diferentes regiões do planeta.
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/08/13/ciencia-e-espaco/el-nino-chance-de-fenomeno-forte-nos-proximos-meses-salta-para-95/.

Fenômeno pode impactar agricultura, rios e reservatórios, exigindo atenção ao monitoramento climático contínuo – Imagem: Suthin _Saenontad/Shutterstock — Foto: Olhar Digital
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