Alagoas

    Educar sem medo: por que os limites são importantes para o desenvolvimento das crianças

    Rafaela Bacim. Existe hoje uma preocupação muito legítima entre pais e educadores em não repetir modelos antigos de educação baseados em gritos, ameaças, humilhações ou violência. Crianças não precisam ter medo dos adultos para aprender a respeitá-los. Mas, na tentativa de fazer diferente das gerações anteriores, algumas famílias acabaram encontrando outro extremo: o medo de frustrar os filhos.A dificuldade em sustentar um “não”, as negociações intermináveis e a necessidade de explicar cada decisão inúmeras vezes podem fazer com que os pais se sintam inseguros diante de situações que, na verda

    Gazeta de Alagoas
    9 de setembro de 2026 às 18:50
    Educar sem medo: por que os limites são importantes para o desenvolvimento das crianças
    Foto: Gazeta de Alagoas

    Dizer “não” também é uma forma de cuidado. Quando estabelecidos com respeito, os limites ajudam a criança a desenvolver segurança, responsabilidade e autonomia

    Existe hoje uma preocupação muito legítima entre pais e educadores em não repetir modelos antigos de educação baseados em gritos, ameaças, humilhações ou violência. Crianças não precisam ter medo dos adultos para aprender a respeitá-los. Mas, na tentativa de fazer diferente das gerações anteriores, algumas famílias acabaram encontrando outro extremo: o medo de frustrar os filhos.

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    Rafaela Bacim.
    Rafaela Bacim. — Foto: Gazeta de Alagoas · Fonte: Gazeta de Alagoas

    A dificuldade em sustentar um “não”, as negociações intermináveis e a necessidade de explicar cada decisão inúmeras vezes podem fazer com que os pais se sintam inseguros diante de situações que, na verdade, fazem parte do processo de educar.

    Precisamos compreender que limite e falta de amor não são sinônimos. Pelo contrário. Quando estabelecido com respeito, o limite pode ser uma das formas mais concretas de cuidado.

    Autoridade também não é autoritarismo. O autoritarismo utiliza o poder para controlar e intimidar. A autoridade saudável oferece direção e segurança. Uma criança precisa saber que existem comportamentos que não são aceitáveis, responsabilidades que fazem parte da vida familiar e regras de convivência que continuam existindo mesmo quando ela não está de acordo.

    Rafaela Bacim
    Rafaela Bacim — Foto: Gazeta de Alagoas · Fonte: Gazeta de Alagoas

    Isso não significa que os adultos precisem gritar para serem obedecidos. Muitas vezes, uma frase simples é suficiente: “Eu sei que você queria continuar brincando, mas agora é hora de ir para casa”.

    A criança pode chorar. Pode ficar contrariada. Pode dizer que não quer. E, ainda assim, o limite pode permanecer.

    Esse é um ponto importante: o desconforto diante de um limite não significa que ele esteja errado.

    Aplicativo na whatsapp Store
    Aplicativo na whatsapp Store — Foto: Gazeta de Alagoas · Fonte: Gazeta de Alagoas

    Nenhuma criança atravessará a vida sem ouvir “não”. Haverá momentos em que precisará esperar, abrir mão de algo que deseja, respeitar regras, cumprir responsabilidades e lidar com situações que não escolheu. Por isso, a infância também é um período de aprendizagem sobre a própria capacidade de enfrentar frustrações.

    Não precisamos criar sofrimento para ensinar uma criança a ser forte. Mas também não precisamos eliminar toda frustração que aparece em seu caminho.

    Existe uma diferença entre acolher a frustração e impedir que ela aconteça. Podemos acolher uma criança que chora porque não ganhou o brinquedo que queria sem comprar o brinquedo para fazê-la parar de chorar. Podemos reconhecer sua tristeza sem mudar nossa decisão.

    Defesa de PM diz que jovem baleada deveria ter respeitado ordem:
    Defesa de PM diz que jovem baleada deveria ter respeitado ordem: — Foto: Gazeta de Alagoas · Fonte: Gazeta de Alagoas

    “Eu sei que você ficou triste. Você queria muito. Mesmo assim, hoje não vamos comprar.”

    A criança começa a aprender que uma emoção difícil pode ser atravessada. Que estar frustrada não significa estar desamparada. E que nem tudo o que desejamos estará imediatamente disponível.

    Da mesma forma, uma educação respeitosa não exige que os adultos sejam permissivos. É possível corrigir um comportamento sem atacar a dignidade da criança. Em vez de dizer “você é muito malcriado”, podemos dizer: “Eu não aceito que você fale comigo dessa maneira. Você pode tentar novamente”.

    Cena inusitada! Mulher é flagrada sobre botijão na garupa de moto em Itajaí
    Cena inusitada! Mulher é flagrada sobre botijão na garupa de moto em Itajaí — Foto: Gazeta de Alagoas · Fonte: Gazeta de Alagoas

    Em vez de ameaçar, podemos estabelecer uma consequência coerente com aquilo que aconteceu. Em vez de exigir que a criança pare de chorar imediatamente, podemos permanecer próximos enquanto ela atravessa a própria frustração.

    O objetivo não é fazer a criança sentir medo do adulto. É ajudá-la, pouco a pouco, a desenvolver autocontrole, responsabilidade e respeito.

    As crianças também precisam de previsibilidade. Quando uma regra existe em um dia, mas deixa de existir no seguinte porque houve choro, insistência ou cansaço dos pais, a criança não recebe uma referência clara. Ela aprende que talvez precise insistir um pouco mais para conseguir o que deseja.

    Manchas de óleo são registradas no litoral sul de AL um dia após ocorrência em Maceió
    Manchas de óleo são registradas no litoral sul de AL um dia após ocorrência em Maceió — Foto: Gazeta de Alagoas · Fonte: Gazeta de Alagoas

    Isso não significa que uma família precise funcionar de maneira rígida. Regras podem ser revistas, circunstâncias mudam e crianças crescem. Mas aquilo que foi estabelecido precisa, na medida do possível, ser sustentado com coerência.

    A coerência entre os adultos responsáveis pela criança também faz diferença. Não é necessário que pai e mãe tenham a mesma personalidade ou pensem exatamente da mesma maneira. Mas é importante que exista um entendimento sobre os princípios fundamentais da educação.

    Quando um adulto estabelece uma regra e o outro imediatamente a desfaz, a criança recebe uma mensagem confusa. As divergências entre os adultos fazem parte da vida, mas precisam ser conversadas entre eles, sem transformar a criança em espectadora ou árbitra da relação.

    Candidatos a vice testam popularidade em agendas solo de campanha em Arapiraca
    Candidatos a vice testam popularidade em agendas solo de campanha em Arapiraca — Foto: Gazeta de Alagoas · Fonte: Gazeta de Alagoas

    Outro aspecto importante é a autonomia. Muitas vezes, fazemos pelos filhos aquilo que eles já poderiam começar a fazer sozinhos. Guardamos seus brinquedos, organizamos seus objetos, resolvemos pequenos conflitos, antecipamos suas necessidades e retiramos de seu caminho qualquer dificuldade.

    Tudo isso pode nascer do amor e do desejo de proteger. Mas, quando fazemos constantemente aquilo que a criança já tem condições de fazer, também diminuímos suas oportunidades de experimentar responsabilidade.

    Autonomia não é deixar a criança sozinha. É permitir que ela assuma, progressivamente, responsabilidades compatíveis com sua idade, enquanto o adulto continua presente para orientar e ensinar.

    Assembleia Legislativa discute nesta quarta concessão de honrarias a ministros
    Assembleia Legislativa discute nesta quarta concessão de honrarias a ministros — Foto: Gazeta de Alagoas · Fonte: Gazeta de Alagoas

    Talvez uma das mudanças mais importantes na maneira de pensar a educação seja compreender que vínculo e limite não são opostos. Podemos ser firmes e afetuosos. Podemos dizer “não” e continuar disponíveis. Podemos corrigir sem humilhar. Podemos frustrar sem rejeitar.

    Uma criança pode não gostar de uma decisão dos pais e, ainda assim, sentir-se profundamente amada por eles.

    Educar sem medo não significa criar crianças que nunca sejam contrariadas. Significa não utilizar o medo como instrumento de educação.

    Rafaela Bacim.
    Rafaela Bacim. — Foto: Gazeta de Alagoas · Fonte: Gazeta de Alagoas

    A criança não precisa temer o adulto para respeitá-lo. Ela precisa encontrar nele uma referência segura, alguém que saiba acolher, orientar, corrigir e, quando necessário, sustentar um “não” com serenidade.

    No fim, o objetivo da educação não é criar uma criança que obedeça apenas quando alguém está olhando. É ajudá-la a desenvolver, pouco a pouco, os recursos internos necessários para fazer boas escolhas quando o adulto já não estiver por perto.

    Limites não diminuem o afeto. Quando oferecidos com respeito, ajudam a criança a construir segurança, responsabilidade e autonomia.

    E talvez educar seja justamente isso: amar o suficiente para acolher e amadurecer o suficiente para também saber dizer não.

    Cirurgiã-dentista, especialista em Ortodontia, com formação em Psicoterapia e mais de dez anos de estudos dedicados ao desenvolvimento humano. Atua com mulheres, mães e famílias, auxiliando no fortalecimento da identidade, na reconexão consigo mesmas e na reconstrução após relações que as fragilizaram, além de orientá-las na construção de uma maternidade mais consciente e na educação de filhos emocionalmente mais seguros. Atualmente, realiza atendimentos de psicoterapia de forma on-line.

    *Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.

    Publicado originalmente por Gazeta de Alagoas. Leia a matéria completa em https://www.gazetaweb.com/noticias/artigos/educar-sem-medo-por-que-os-limites-sao-importantes-para-o-desenvolvimento-das-criancas-934754.

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    Rafaela Bacim. — Foto: Gazeta de Alagoas

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