Brasil

    Educação mal parada

    Os resultados do Pisa, divulgados nesta terça (8), apresentam um recorde preocupante entre os membros da OCDE , organização de países desenvolvidos responsável pelo teste, e uma estagnação em desempenho precário no Brasil. Leia mais (09/08/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    9 de setembro de 2026 às 01:00
    Educação mal parada
    Foto: Folha de S.Paulo

    Texto não assinado que expressa a opinião da Folha

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    Alunos do ensino médio em sala de aula de escola estadual, em São Paulo (SP) - Bruno Santos/Folhapress · Bruno Santos/Folhapress
    Alunos do ensino médio em sala de aula de escola estadual, em São Paulo (SP) - Bruno Santos/Folhapress · Bruno Santos/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os resultados do Pisa, divulgados nesta terça (8), apresentam um recorde preocupante entre os membros da OCDE , organização de países desenvolvidos responsável pelo teste, e uma estagnação em desempenho precário no Brasil.

    A avaliação de jovens de 15 anos em três áreas do conhecimento (leitura, matemática e ciências) é realizada a cada três anos. Em 2025, participaram 91 nações ou regiões, e a média dos 23 países que fazem parte da OCDE desde o primeiro ano do Pisa, em 2000, foi a mais baixa da série histórica.

    O recorte nesse grupo começa em 2006, quando ciências passou a ter resultados comparáveis. Desde então, a média diminuiu 29 pontos em leitura (chegando a 466), 32 em matemática (469) e 17 em ciências (486).

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A queda brusca ocorre a partir da pandemia. Trata-se de redução significativa, já que uma variação de 20 pontos representa cerca de 1 ano de aprendizado.

    As médias de 2025 dos 38 países que hoje integram a OCDE foram de 461, 463 e 482, respectivamente. O Brasil melhorou entre 2000 e 2009; desde então, contudo, ainda permanece às voltas com notas insatisfatórias.

    Considerando a última década, as médias dos estudantes brasileiros subiram só 1 ponto em leitura (408 em 2025), 8 pontos em ciências (409) e, em matemática, não houve alteração (377). Em 2025, também foi avaliada a área de resolução de problemas computacionais, na qual a nota do país foi 406, ante 483 da OCDE.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Mesmo na comparação com vizinhos , ficamos atrás de Chile (436, 442, 403 e 466, respectivamente), Uruguai (423, 445, 405 e 462) e Costa Rica (416, 424, 387 e 452). Dentre 91 países avaliados, o Brasil ficou em 52º lugar em leitura, 57º em matemática, 67º em ciências e 69º em computação.

    Os dados indicam gestão ineficiente dos recursos alocados para a educação brasileira, ainda mais com a redução de 25% no número de alunos da rede pública de ensino nos últimos 20 anos, segundo o Censo Escolar.

    É preciso direcionar verbas para regiões e escolas com mais problemas; melhorar a formação e a capacitação de professores; usar avaliações frequentes para orientar intervenções, não só como ranking; estabelecer metas de resultados e monitorá-los; conter faltas e abandono escolar.

    Crianças devem ser alfabetizadas na idade certa , e o domínio da língua precisa ser profundo. Como aponta o relatório do Pisa, o mau desempenho nessa disciplina impacta o aprendizado de todas as outras áreas do conhecimento. Já passa da hora de o Brasil superar a mediocridade.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/educacao-mal-parada.shtml.

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    Alunos do ensino médio em sala de aula de escola estadual, em São Paulo (SP) - Bruno Santos/Folhapress · Bruno Santos/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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