Editoras reagem a críticas de Martins Fontes contra descontos em livros
As fortes críticas feitas por Alexandre Martins Fontes contra a política de descontos em livros , em entrevista a esta coluna duas semanas atrás, fizeram barulho e geraram reações nos bastidores do mercado editorial. Leia mais (10/02/2026 - 23h00)

Coluna assinada por Walter Porto, editor de Livros
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As fortes críticas feitas por Alexandre Martins Fontes contra a política de descontos em livros , em entrevista a esta coluna duas semanas atrás, fizeram barulho e geraram reações nos bastidores do mercado editorial.
Não é de hoje que o presidente da Associação Nacional de Livrarias e dono da editora WMF Martins Fontes faz reprimendas duras às promoções na Amazon , em feiras universitárias como a da USP e mesmo nas vendas diretas de editoras aos leitores. Agora, sua postura está mais incisiva, com respaldo significativo entre livreiros.
Após a entrevista, vários editores procuraram a coluna, em reserva, para apontar problemas na argumentação de Fontes, classificando sua postura como agressiva demais e propositiva de menos em relação ao trabalho das editoras —que precisam se virar como podem para fazer seus livros chegarem a mais leitores em um ambiente comercial cada vez mais desafiador.

A coluna procurou o Sindicato Nacional dos Editores de Livros, entidade que representa o setor, para entender qual sua posição no dilema.
Presidente do sindicato, o editor Dante Cid diz não interferir nas práticas de seus associados, defendendo o avanço do controle de preços proposto na Lei Cortez , medida em tramitação no Congresso que busca limitar os descontos que podem ser praticados em livros recém-lançados.
"Acreditamos que, com a Lei Cortez, conseguiremos evitar práticas de promoções extremamente agressivas no primeiro ano de lançamento do livro, e, dessa forma, fortalecer a bibliodiversidade, que é indispensável para a saúde de todo o ecossistema do livro."

A coluna procurou também as cinco editoras com maior poder de fogo no mercado, citadas nominalmente por Martins Fontes e que, segundo ele, deveriam adotar medidas mais decisivas contra os descontos.
Três delas, Companhia das Letras, Rocco e HarperCollins, não quiseram se pronunciar.
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Marcos da Veiga Pereira, que dirige a Sextante e presidiu o sindicato dos editores logo antes de Cid, faz coro a algumas falas de Martins Fontes e ressalva que "a solução não é fácil".
"Nós concordamos que o ecossistema do livro está doente e que as políticas de descontos são excessivamente agressivas", aponta ele.
"Nas nossas empresas, temos um time que monitora diariamente os preços dos lançamentos e dos 50 títulos mais vendidos, tentando de alguma forma minimizar esse impacto. Mas é muito difícil num ambiente que cria eventos promocionais constantes, acostumando o consumidor a preços mais baixos."

O posicionamento mais detalhado veio do diretor editorial do Grupo Record, Cassiano Elek Machado.
Ele lembra os baixos índices de leitura no Brasil e as "inúmeras cidades" sem livrarias, assim como a responsabilidade da editora de disponibilizar os livros de seus autores no maior leque possível de canais. "Ao mesmo tempo, as livrarias cumprem um papel fundamental no ecossistema do livro", diz.
No ambiente digital, há "determinadas dinâmicas de marketplace [que] podem estimular guerras de preço que, no limite, prejudicam a sustentabilidade da cadeia". "Dentro dos limites da legislação concorrencial, temos procurado evitar que essa lógica se transforme numa armadilha em que o preço seja o principal —ou único— instrumento de competição."
"O desafio, portanto, é encontrar um equilíbrio. Não acreditamos que a solução esteja simplesmente em endurecer a relação ou romper com um canal específico", afirma o diretor da Record. "E-commerce, plataformas digitais e livrarias físicas têm papéis importantes e complementares. A discussão precisa envolver toda a cadeia e buscar relações comerciais sustentáveis, nas quais a conta feche para todos e que, ao mesmo tempo, permitam que mais brasileiros tenham acesso aos livros."
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/walter-porto/2026/10/editoras-reagem-a-criticas-de-martins-fontes-contra-descontos-em-livros.shtml.

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