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    Economia não é a física das ciências sociais

    Meus colegas economistas acreditam que a economia é "a física das ciências sociais". Eles querem ter o prestígio dos físicos -que, aliás, não era grande até a bomba atômica. Eles se orgulham porque a economia tem uma teoria central, um pouco como (eles acreditam) a física moderna. A teoria marxista é que uma classe maximiza sua utilidade, e a teoria burguesa é que os indivíduos fazem o mesmo. Interessante, não? Leia mais (10/07/2026 - 00h19)

    Folha de S.Paulo
    7 de outubro de 2026 às 03:19
    Economia não é a física das ciências sociais
    Foto: Folha de S.Paulo

    Economista, é professora emérita de economia e história na Universidade de Illinois, em Chicago

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    Veja os ganhadores do Nobel de Física nos últimos anos
    Veja os ganhadores do Nobel de Física nos últimos anos — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Meus colegas economistas acreditam que a economia é "a física das ciências sociais". Eles querem ter o prestígio dos físicos —que, aliás, não era grande até a bomba atômica. Eles se orgulham porque a economia tem uma teoria central, um pouco como (eles acreditam) a física moderna. A teoria marxista é que uma classe maximiza sua utilidade, e a teoria burguesa é que os indivíduos fazem o mesmo. Interessante, não?

    Eles não percebem que a teoria central da física está sempre mudando radicalmente, como a descoberta do nêutron ou a descoberta, e o enigma, da matéria e da energia "escuras". (Eu pessoalmente acho que o equivalente em economia é a humanomia. Mas esse não é o meu ponto agora.)

    Entretanto, meus colegas, a menos que venham das ciências físicas, não sabem exatamente como a física funciona ou quais são suas aplicações.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Por exemplo, eles acreditam que a física depende fortemente de axiomas, como a matemática , e dos chamados "teoremas de existência", como aqueles que você aprendeu na aula de geometria no ensino médio. Não. Os físicos não se preocupam em provar teoremas. Eles usam a matemática fornecida pelos matemáticos —que se preocupam profundamente com "prova" e "existência". Os físicos ficam perfeitamente felizes que uma expressão caracterize o mundo físico. Sua prova é factual, não matemática.

    Na década de 1920, quando físicos alemães perceberam que precisavam de mais matemática, como os "espaços de Hilbert" que os alunos do matemático David Hilbert haviam aprendido, eles os contrataram para seus grupos de pesquisa. Um dia, Hans, o físico, mostrou a Jonas, um dos novos funcionários, os primeiros termos do que é conhecido como uma "série infinita" e disse, entusiasmado: "A expressão mostra lindamente como o leite gira numa xícara de chá!".

    Jonas fez a primeira pergunta que os matemáticos fazem sobre qualquer série infinita: "Ela converge?". Ou seja, se você continuar com a série, ela tende ao infinito, explodindo, por assim dizer, o que a torna inútil para derivações matemáticas. "O quê?", disse Hans. "Não sei. Por que isso importaria? Estou só usando os primeiros termos. Não irei adiante." Jonas desmaiou.

    A razão pela qual os economistas entendem errado a situação é que eles aprendem matemática com pessoas do Departamento de Matemática. Se estudassem física, engenharia ou astronomia , perceberiam que Hans estava certo. Existência, prova etc. não importam. O que importa é como uma expressão matemática se encaixa no mundo. A consistência com os axiomas não é o teste em uma ciência . Uma ideia que se encaixa no mundo, sim.

    Falando em "encaixe" e "teste", meus colegas também acreditam que físicos e astrônomos devem usar os testes bobos de "significância estatística" adotados por economistas quantitativos, sociólogos, cientistas políticos e pesquisadores médicos. Não, eles não usam. Veja qualquer artigo científico de, digamos, uma astrônoma. Ela olha para os números plotados e depois para o que é chamado de teste de "trauma interocular": a imagem a atinge entre os olhos?

    Portanto, não acredite que economia é "a física das ciências sociais". Ela é uma ciência maravilhosa, mas depende de fatos, não de teoremas.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/deirdre-nansen-mccloskey/2026/10/economia-nao-e-a-fisica-das-ciencias-sociais.shtml.

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