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    Economia moral

    A moral é um troço esquisito. Ela é a bússola social que nos permite apreender os valores compartilhados da comunidade, introjetá-los e moldar nosso comportamento de modo a tornar a convivência possível. Sem ela, dificilmente teríamos conseguido viver em grupos de mais de seis pessoas. Mas, ao nos fazer reagir de modo visceral ao que julgamos ser violações sociais, não nos deixa muita margem para negociação política . Leia mais (09/05/2026 - 11h00)

    Folha de S.Paulo
    5 de setembro de 2026 às 14:00
    Economia moral
    Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de "Pensando Bem…"

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    Annette Schwartsman · Annette Schwartsman
    Annette Schwartsman · Annette Schwartsman — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A moral é um troço esquisito. Ela é a bússola social que nos permite apreender os valores compartilhados da comunidade, introjetá-los e moldar nosso comportamento de modo a tornar a convivência possível. Sem ela, dificilmente teríamos conseguido viver em grupos de mais de seis pessoas. Mas, ao nos fazer reagir de modo visceral ao que julgamos ser violações sociais, não nos deixa muita margem para negociação política .

    "Moral Economics", de Alvin Roth, é um livro delicioso que ilustra com perfeição esse tipo de dilema. Roth, Nobel de Economia de 2012, mostra que grande parte das controvérsias de nosso tempo é resultado do fato de que pessoas estão dispostas a praticar ações ou transações que são vistas como repugnantes (imorais) por uma parcela de seus conterrâneos. É o caso do aborto ou do uso de drogas para recreação.

    Há uma categoria ainda mais intrigante de atividades que a maioria aceita bem, mas que se tornam controversas se envolverem trocas monetárias. É aí que entram prostituição , barriga de aluguel e comercialização de órgãos . Roth vai a fundo nesses e em outros problemas. Descreve implicações que nem imaginávamos existir. Como diferentes países têm diferentes tolerâncias e regulamentações, surgem alguns experimentos naturais que nos permitem ver essas questões com ao menos um fiapo de objetividade.

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    Legalizar a prostituição, por exemplo, protege as mulheres. Se os americanos não permitissem pagar por plasma, o mundo teria um sério problema de falta de hemoderivados.

    Há brigas que valem a pena ser compradas, mas às vezes é melhor contemporizar. A repugnância à comercialização de órgãos é tão grande que parece bobagem insistir na criação de um mercado de rins, como o que existe no Irã. Roth conta sua experiência de ter ajudado a desenvolver um sistema de doações de rins pareadas (parentes sem histocompatibilidade encontram um par na mesma situação, mas com o qual tenham compatibilidade cruzada), que ajudou a reduzir ainda que muito modestamente a fila de transplantes.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2026/09/economia-moral.shtml.

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