Economia fica pior que projeções do Orçamento em 67,5% dos casos
Levantamento considera as estimativas do governo para PIB, inflação, dólar e Selic no Ploa (Projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2017 a 2026

Levantamento considera as estimativas do governo para PIB, inflação, dólar e Selic no Ploa (Projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2017 a 2026
A economia brasileira apresentou resultados piores do que os projetados pelo governo em 67,5% dos Orçamentos dos últimos 10 anos, de 2017 a 2026. O levantamento considerou as estimativas do Ploa (Projeto de Lei Orçamentária Anual) para o PIB (Produto Interno Bruto), a inflação, o câmbio e a taxa básica de juros.
O Ploa é enviado pelo governo ao Congresso Nacional até 31 de agosto de cada ano e estabelece as estimativas econômicas utilizadas na elaboração do Orçamento.

O dólar médio ficou acima do projetado pelo governo em 8 dos últimos 10 anos analisados. A inflação, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), também superou as estimativas em 7 ocasiões.
A taxa Selic média ficou acima do projetado em 6 dos 10 anos. O mesmo ocorreu com o PIB, mas, nesse caso, o resultado foi um crescimento econômico inferior ao estimado pelo governo.
Já em 32,5% dos casos, a economia ficou melhor do que as projeções do Orçamento.

As projeções econômicas desses indicadores são usadas para estimativas do governo para as contas públicas e outras políticas. O crescimento menor que o esperado, por exemplo, pode reduzir a arrecadação e dificultar o crescimento das metas fiscais. Uma Selic maior do que a projetada aumenta a defesa da União com juros.
O economista José Roberto Afonso , professor do IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa) , afirma que era mais comum anteriormente o governo estimar inflação e crescimento melhores. O objetivo era evitar reações negativas do mercado e reduzir as alterações parlamentares no Orçamento.
Segundo ele, arrecadações conservadoras também davam ao Executivo mais margem para remanejar recursos ao longo do ano. Essa prática perdeu espaço com o fortalecimento das assessorias legislativas e das emendas obrigatórias, que restringiram a autonomia do governo.

Afonso diz que a estratégia já não oferece a mesma liberdade de antes e defende comparar os erros e acertos do governo com os do mercado, já que inflação e PIB muitas vezes acompanham o Focus de julho do ano anterior.
As projeções econômicas do Ploa de 2027 também divergem das expectativas do mercado financeiro. O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, indica uma perspectiva de crescimento menor e de inflação maior do que as estimativas utilizadas pelo governo no Orçamento. Ou seja, são projeções um pouco mais conservadoras.
Para o economista Gabriel Leal de Barros , o Ploa historicamente utiliza premissas que não representam o cenário mais provável, o que ajuda a explicar a frustração recorrente dos resultados.

Na avaliação dele, o aprimoramento do processo orçamentário e da elaboração de cenários deve ser uma prioridade.
O economista-chefe da XP, Caio Megale , avalia que os parâmetros utilizados pelo governo no Ploa de 2027 estão adequados, mas identifica um risco de crescimento econômico abaixo do estimado.
O governo trabalha com crescimento de 2,4% do PIB, enquanto a XP estima expansão de 1%. Segundo Megale, caso a atividade fique abaixo do esperado, a arrecadação também tende a ser menor, o que pode ampliar o deficit público.
Megale declarou ainda, que “o setor privado também erra” na hora de fazer estimativas. Por exemplo, em 2024, o Boletim Focus, do Banco Central, da última semana de agosto , período em que costuma ser divulgado a Ploa, tinha as seguintes projeções para o final de 2025:
O Ploa de 2025, elaborado no ano anterior, projetava:
Em 2025, os indicadores terminaram da seguinte forma:
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-economia/economia-fica-pior-que-projecoes-do-orcamento-em-675-dos-casos/.

As projeções econômicas dos indicadores são usadas para estimativas do governo para as contas públicas e outras políticas — Foto: Poder360
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