Economia do Japão desacelera no 2º tri com queda em gastos e investimentos
PIB cresceu 1,1%, ficando abaixo da estimativa mediana de 2,0%

A economia do Japão desacelerou no segundo trimestre e ficou aquém das previsões do mercado devido à fraqueza nos gastos das famílias e das empresas, destacando a fragilidade de sua recuperação, enquanto a guerra no Oriente Médio afeta as perspectivas.
No entanto, os rendimentos dos títulos de longo prazo atingiram o maior nível em três décadas, já que os investidores deixaram de lado os dados fracos, considerando-os reflexo de fatores pontuais, e se concentraram mais nos crescentes riscos inflacionários que podem levar o Banco do Japão a aumentar a taxa de juros no próximo mês.
O PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 1,1% em termos anualizados, segundo dados do governo divulgados nesta segunda-feira (17), ficando abaixo da estimativa mediana de 2,0% em uma pesquisa da Reuters e abaixo da expansão revisada de 1,9% no trimestre anterior.

Embora os dados tenham revelado algumas fraquezas temporárias na demanda, analistas afirmam que o ímpeto subjacente robusto e as pressões persistentes sobre os preços provavelmente manterão intactos os argumentos a favor de aumentos iminentes da taxa de juros.
“Os dados do PIB de hoje foram um pouco fracos, mas é provável que a economia continue se recuperando moderadamente”, disse Naoki Hattori, economista-chefe para o Japão do Instituto de Pesquisa Mizuh
“Dados os riscos de a inflação subjacente ultrapassar a meta, é provável que o Banco do Japão prossiga com um aumento dos juros no próximo mês.”

Fontes informaram à Reuters que o Banco do Japão deve elevar os juros já em setembro e está considerando aumentos mais agressivos a partir de então para evitar ficar atrás da curva em relação à inflação.
O consumo privado foi a maior decepção nos dados do PIB, caindo 0,02% contra expectativa de aumento de 0,5%, a primeira queda em oito trimestres.
Analistas afirmaram que a fraqueza se deveu, em parte, à redução das mensalidades escolares pagas pelas famílias graças a subsídios, o que pressionou para baixo o consumo privado geral, mas elevou os gastos do governo.

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Os gastos de capital, um dos principais motores da demanda privada, caíram 1,2% no segundo trimestre, contrariando as previsões de um aumento de 0,4%.
No entanto, os gastos de capital, assim como o PIB preliminar geral, tendem a ser revisados para cima com a divulgação de números atualizados.

As exportações mantiveram-se resilientes graças à sólida demanda dos EUA por veículos híbridos japoneses e ao investimento global sustentado em inteligência artificial, que impulsionou as remessas de equipamentos e componentes relacionados a chips.
A demanda externa líquida, ou seja, exportações menos importações, contribuiu com 0,5 ponto percentual para o crescimento, em grande parte porque as importações caíram acentuadamente após interrupções temporárias nos embarques de petróleo bruto pelo Estreito de Ormuz .
“Não creio que o Banco do Japão esteja muito preocupado com os dados do PIB divulgados hoje, já que a economia está demonstrando notável resiliência diante dos ventos contrários decorrentes da guerra no Irã”, afirmou Yoshiki Shinke, economista executivo sênior do Instituto de Pesquisa Daiichi Life.

O governo manteve sua visão otimista sobre a economia.
“A economia continua em uma trajetória de recuperação moderada, com o crescimento impulsionado pelas exportações compensando a fraqueza da demanda interna”, afirmou o ministro da Economia, Minoru Kiuchi, em comunicado.



Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/economia-do-japao-desacelera-no-2o-tri-com-queda-em-gastos-e-investimentos/.

Loja no bairro comercial de Ameyoko, em Tóquio • 20 de maio de 2022. REUTERS/Kim Kyung-Hoon · • 20 de maio de 2022. REUTERS/Kim Kyung-Hoon — Foto: CNN Brasil
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