São Miguel dos Campos

    É tempo de Terrenense: 15 anos de história, superação e orgulho de um bairro inteiro

    Terrenense nasceu do próprio bairro, com jogadores, dirigentes e torcedores que cresceram nas mesmas ruas

    Alagoas Web
    15 de abril de 2026 às 10:23
    É tempo de Terrenense: 15 anos de história, superação e orgulho de um bairro inteiro
    Arquivo/ Reprodução

    No bairro Humberto Alves, em São Miguel dos Campos, um time de futsal se tornou muito mais do que uma equipe esportiva. Ao longo de 15 anos, o Terrenense construiu uma trajetória marcada por sonhos, dificuldades, conquistas e, principalmente, pelo forte vínculo com o bairro Humberto Alves.

    A história começou em 2011, a partir da iniciativa de Paulo Firmino, o Maluf, um dos fundadores do clube. Antes mesmo da criação do time, ele já desenvolvia um trabalho com jovens do bairro por meio de uma escolinha chamada Boca Júnior, de onde vieram as cores azul e amarelo que até hoje representam o Terrenense.

    Observando jogadores do próprio bairro se destacando em competições pela cidade, mas sem representar diretamente a comunidade, surgiu a ideia de criar um time local. A proposta rapidamente ganhou apoio de atletas como Levinho e Tilica, além de lideranças do bairro como Sérgio, João, Beto, Iran, Zito e Cicinho, e assim nasceu o Terrenense Futebol Clube.

    Nos primeiros passos, os desafios eram grandes, mas os resultados vieram rápido. Ainda em 2011, o time conquistou o Intermunicipal de Campo Alegre, seu primeiro título.

    Mas a história do Terrenense não se constrói apenas com dirigentes e jogadores. A torcida tem um papel fundamental. O sentimento de pertencimento dos moradores do bairro Humberto Alves com o Terrenense é um dos pilares mais fortes da história do clube. Não se trata apenas de torcer por um time, mas de se enxergar dentro dele.

    O Terrenense nasceu do próprio bairro, com jogadores, dirigentes e torcedores que cresceram nas mesmas ruas. Isso fez com que a equipe se tornasse uma extensão da comunidade. Cada campeonato e cada conquista são vividos como algo coletivo, como se o bairro inteiro estivesse dentro de quadra.

    Nas arquibancadas, esse sentimento se transforma em força. A torcida canta, empurra o time e cria uma atmosfera que vai além do resultado. Mesmo em momentos difíceis, como nas derrotas ou vice-campeonatos, o apoio nunca diminuiu, muito pelo contrário, cresceu junto com o clube e se expandiu para outros bairros.

    DJ Lô, primeiro presidente da torcida organizada, conta que, no início, não gostava do time. Chegava a ir aos jogos apenas para provocar. A situação mudou quando, em uma jogada estratégica da diretoria, foi convidado por Iran, para integrar o projeto. Aceitou o desafio e ajudou a fundar a torcida organizada Terremoto.

    Desde então, se tornou uma das figuras mais importantes da arquibancada. Foi responsável pela criação de várias músicas da torcida, incluindo a mais conhecida, “Festa na Favela”. Para ele, ver a torcida cantando é uma sensação única, comparável à de um cantor vendo o público entoar sua música.

    Dentro de quadra, o Terrenense também construiu sua história com personagens marcantes. Um deles é o técnico Jefinho Monteiro, responsável pelo primeiro grande título da equipe. Ele assumiu o comando em 2013, quando tinha apenas 25 anos de idade. Em 2014, conquistou o primeiro Campeonato Miguelense, uma das maiores competições municipais do Nordeste, marcando o primeiro grande feito da equipe. Anos depois, em 2017, retornou ao clube e conquistou a Copa Alagoas.

    Após um período de jejum, o Terrenense voltou ao topo recentemente, agora sob o comando do técnico Bebeto. O treinador conta que foi procurado inicialmente em 2024, mas só aceitou o desafio em 2025, após várias conversas com a diretoria.

    Ao assumir o time, encontrou um cenário de pressão: eram 11 anos sem vencer o Miguelense, e com a tal da “zica” jogando contra. Mesmo assim, conseguiu montar uma equipe competitiva, “sem grandes estrelas, mas com jogadores comprometidos”, como ele mesmo ressalta. O resultado foi a conquista do título e o resgate do respeito ao nome do Terrenense.

    Hoje, o clube vive uma nova fase, mas sem esquecer suas origens. O atual presidente, Amarildo Gomes, destaca que sua relação com o Terrenense começou como morador e torcedor, passando pela diretoria até chegar à presidência.


    Mais do que um cargo, ele define o clube como “parte fundamental de sua vida”, inclusive em momentos pessoais difíceis. Pensando no futuro, o principal projeto do Terrenense é investir na base. Atualmente, o clube trabalha com categorias sub-15, sub-17 e sub-20, buscando formar atletas e fortalecer ainda mais o vínculo com a comunidade.

    E como a zica acabou, a promessa é de novas músicas serem entoadas pela torcida do Terrenense e novos títulos a serem alcançados nos próximos anos. De certeza, temos a permanência do técnico Bebeto, com contrato renovado para 2026. Já o elenco... bom, ainda nada confirmado com ninguém.

    A ideia é garantir que o Terrenense continue sendo um time do bairro, feito por pessoas do bairro.

    Uma história que começou com um sonho, numa conversa de esquina, e hoje se tornou símbolo de um bairro inteiro.

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