E se o #ficaemcasa voltasse?
Só mesmo um masoquista para querer voltar a 2020, ano em que a pandemia do que chamávamos coronavírus e a falta de vacinas mataram milhões e ativaram no mundo o modo isolamento social. Leia mais (08/31/2026 - 18h43)

Paulo Vieira, do Jornalistas que Correm, fala tudo sobre corrida –mesmo aquilo que você não deveria saber
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Só mesmo um masoquista para querer voltar a 2020, ano em que a pandemia do que chamávamos coronavírus e a falta de vacinas mataram milhões e ativaram no mundo o modo isolamento social.
Mas, se lembro bem daqueles tempos, dizíamos que alguns supostos benefícios do #ficaemcasa seriam perpetuados quando –e se– saíssemos daquela.
Embalada por alguns gestos de gentileza nas janelas e nas redes sociais, nascia paradoxalmente aqui e ali uma certa crença na raça humana.

(Minha rala contribuição: ler por telefone poesias por mim escolhidas para moradores do Rio, em programa criado pela prefeitura carioca.)
Falava-se de um suposto "novo normal" em temas como o trabalho e a mobilidade. Estávamos seguros de que faria muito sentido seguir a trabalhar remotamente em várias atividades, e celebrava-se o efeito disso no trânsito das metrópoles, doravante com avenidas para sempre em clima de feriado prolongado.
Pois é: se não batemos em São Paulo o recorde insano de congestionamento de 2019, os quatro dígitos de filas de carros nas ruas viraram por aqui o habitual nos últimos anos. Como diria o velho humorista português na piada sobre um dos ensinamentos de Cristo, "deu no que deu".

Para quem é da corrida , o negócio foi espeto. Deve ser bastante difícil persuadir alguém no futuro de que por alguns meses de fato subimos e descemos escadas, fizemos maratonas em varandas e, quando as ruas começaram a ser liberadas, corremos de máscara nas calçadas lindeiras aos parques, que permaneciam interditados.
Tudo isso não é nostalgia extravagante. É que recentemente eu deparei com alguns vídeos produzidos durante a pandemia por educadores físicos do Cepeusp , esse oásis paulistano em que pratico atividade física há muitos anos.
Olha só como é legal este vídeo com uma sequência de exercícios funcionais de intensidade do querido professor Womualy dos Santos.

Aí estão alternados, e com uma dosagem pensada segundo uma escala de esforço, exercícios muito úteis para substituir inclusive seus treinos de corrida e, eventualmente, de musculação. Sim, requer alguma dose de estoicismo: tem agachamento, flexão abdominal, climber e, pior, burpee. Como diria o vulgo, não tem almoço grátis (no bandejão da USP, desde R$ 2).
Se esta informação tem alguma serventia, hoje pratico cotidianamente mais sessões de funcional (com o Womualy, presencialmente) do que corro, e meu desempenho na maratona no Rio , em junho, foi um dos melhores de todas as minhas 13 maras, intervalo que colige 11 anos de cascalho –período em que o relógio biológico evidentemente não parou.
Sabe-se que boa parte do nosso estímulo para a atividade física vem da possibilidade de encontrarmos outras pessoas. Somos gregários, e talvez só nos exercitemos se houver um professor disponível e outros alunos a nos ladear.

Vale até mesmo para a ioga/meditação, a milenar tecnologia indiana para acalmar a mente, nas palavras adoráveis do professor Danilo Forghieri, também do Cepê. Mas a prática diária e solitária da ioga, mesmo em pequenas doses, produz resultados poderosos lá na frente.
E por falar nela, a ioga, e nele, o profe Danilo, deixo aqui também uma aula em vídeo desse cabra boníssimo que você deveria um dia conhecer.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/no-corre/2026/08/e-se-o-ficaemcasa-voltasse.shtml.

Redução de presença humana alterou a vida de outros animais na pandemia — Foto: Folha de S.Paulo
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