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    É preciso combater 'vulgarização' da internet, diz novo presidente da Igreja Presbiteriana

    A IPB ( Igreja Presbiteriana do Brasil ), com 167 anos de história, não vai se deixar levar por polarizações ou pela "vulgarização" do "tribunal da internet", diz o reverendo Juarez Marcondes Filho. Leia mais (08/11/2026 - 04h00)

    Folha de S.Paulo
    11 de agosto de 2026 às 07:00
    É preciso combater 'vulgarização' da internet, diz novo presidente da Igreja Presbiteriana
    Homem de meia-idade com cabelos grisalhos e óculos, veste terno cinza e gravata vermelha com pontos brancos, posicionado próximo a uma janela com persianas brancas em ambiente interno. — Foto: Folha de S.Paulo

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    A IPB ( Igreja Presbiteriana do Brasil ), com 167 anos de história, não vai se deixar levar por polarizações ou pela "vulgarização" do "tribunal da internet", diz o reverendo Juarez Marcondes Filho.

    Reverendo Juarez Marcondes Filho, 66, na Universidade Presbiteriana Mackenzie - Eduardo Knapp/Eduardo Knapp/Folhapress · Eduardo Knapp/Eduardo Knapp/Folhapress
    Reverendo Juarez Marcondes Filho, 66, na Universidade Presbiteriana Mackenzie - Eduardo Knapp/Eduardo Knapp/Folhapress · Eduardo Knapp/Eduardo Knapp/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ele assumiu a presidência do Supremo Concílio, o órgão máximo da denominação, no começo do mês. Foi eleito numa reunião que acontece de quatro em quatro anos e que, em 2026, acirrou ânimos presbiterianos com discussões sobre Legendários, mulheres e "maledicência digital".

    Em entrevista à Folha , Marcondes Filho reconhece afinidades com a direita, mas recusa carimbos ideológicos. "Não se pode de maneira nenhuma dizer que a igreja é lulista ou bolsonarista. Isso aí chega a ser uma pecha desagradável para nós."

    Ele também rebate a ideia de que prever sanções para quem criticar lideranças no "tribunal da internet" dê margem para censura interna. O "denuncismo vazio" é "como abrir o travesseiro de penas e jogá-las ao ar", compara. O estrago está feito, "você nunca mais junta as penas".

    Brasil vive uma transição religiosa, mostra Censo 2022
    Brasil vive uma transição religiosa, mostra Censo 2022 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Restrições à atuação feminina na igreja são de ordem doutrinária, segundo ele. "Querem até nos tratar como misóginos. Não somos. Temos o maior respeito pelas mulheres."

    A influência da IPB entre evangélicos é muito maior do que seu número de fiéis. Por quê? Temos mais ou menos 1 milhão de membros. Nossa forma de apresentar o evangelho que não é proselitista, não há intenção de tirar ninguém da sua denominação, mas anuncociar o amor de Deus. E isso causa sempre boa impressão nas pessoas, que dizem assim: "Puxa, é uma mensagem agradável, mas não há aquela forçação".

    E há presença na sociedade através das nossas instituições: educacionais, de saúde, de ação social. Nossa presença nos ambientes públicos, na vida política, não é para nos servir desses institutos, mas para ocuparmos espaços visando a atender a população.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A IPB tem quadros influentes no poder. Tem o pastor André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal. Qual deve ser o limite entre a fé e a atuação em cargos públicos? A igreja tem que ser uma voz profética no meio do Estado, do governo, denunciando o erro, aplaudindo a virtude. Quando se abrem portas para irmos a palácios e parlamentos, vamos para orar pelas autoridades, independentemente da coloração partidária. A igreja não é apolítica, é apartidária. "Ah, porque você é desse partido, você não cabe na minha igreja." Cabe, sim. Vivemos uma polarização muito triste, mas a igreja não se deixa levar por isso.

    A polarização chegou à IPB? Por alguns discursos, sim. Mas as decisões não são de maneira nenhuma polarizadas. Tivemos uma assembleia com mais de 1.500 pessoas.

    E quais discursos polarizados são esses? O direitismo exacerbado, o esquerdismo exacerbado, isso dividiu a igreja. Você pode ter uma congregação em que 95% sejam de uma linha. Em respeito aos outros 5%, você não pode se partidarizar.

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    O sr. concorda com essa afirmação, comum de ouvir, de que o bolsonarismo é forte na IPB? Ela é mais cosmética. Não se pode de maneira nenhuma dizer que a igreja presbiteriana é lulista ou bolsonarista. Isso aí chega a ser uma pecha desagradável para nós. Talvez a direita se aproprie de valores que para nós são já permanentes, e isso pareça fazer coincidir. Mas somos uma igreja que valoriza muitas questões de natureza social, o bem-estar do próximo, atender aos carentes.

    Como funciona o Supremo Concílio? É uma assembleia-geral que se parece muito com a Câmara Federal.

    Todos com voto? Com voto e com direito a falar. A comissão faz um parecer e o apresenta. Abrimos as inscrições para o debate. E aparece alguém contra, alguém a favor.

    Qual foi o assunto mais divisivo neste ano? Tivemos muitos assuntos candentes, mas nenhum dividiu a igreja.

    Figurou muito nas redes sociais a questão dos Legendários . O sujeito fez o curso lá, a caminhada da montanha, volta e quer revolucionar a igreja local. Começa a ter problema. Quando a questão chega ao Supremo Concílio, ganha uma dimensão nacional. A nossa resposta [desaconselhar a participação] foi muito tranquila. Não é um juízo de valor, é como devemos proceder se alguém que fez esse movimento começa a ter essas exacerbações.

    Teve a manifestação do reverendo Arival Casimiro [que disse no púlpito: ‘Não se apavora não, tá? Os concílios erram’]. Ele é operoso demais, um ministro muito querido, mas às vezes não se contém. Estava fazendo quase que uma brincadeira ali. Só que hoje tudo se recorta, né? No dia seguinte o incentivamos a fazer um reparo para ficar bem, porque senão isso poderia causar muita dificuldade para ele.

    Vai ter punição disciplinar para quem se juntar a Legendários? Vai se essa pessoa tiver comportamentos que sejam díspares com a nossa igreja. O movimento, enquanto incentiva a fé cristã, o amor ao próximo, isso é elogiado. Agora, se o cara volta dizendo, ‘de hoje em diante vai ser tudo diferente’, começa a confrontar a estrutura, vai ser disciplinado por querer fazer um auê na igreja.

    O sr. citou recortes de falas que caem nas redes sociais. A IPB aprovou uma resolução contra a "maledicência digital". Como encara críticas de que há risco de censura interna para blindar sua imagem no tribunal da internet? Não queremos usar esse instrumento como uma punição de antemão. A denúncia precisa de testemunha, de prova, tem o direito ao contraditório. Existe todo um processo que dá até tempo da pessoa dizer: "Ah, gente, me desculpe, eu errei, eu não devia ter dito aquilo, era uma brincadeira e virou coisa séria". Agora, que existe muita maledicência digital, existe. E não é só dentro da igreja.

    Essa resolução não pode inibir críticas legítimas? Veja bem, se há uma verdade, ela tem que ser dita. O que não podemos admitir é o denuncismo vazio. É como abrir o travesseiro de penas e jogá-las ao ar. Você nunca mais junta as penas. Hoje é uma vulgarização. A internet é uma coisa que veio para nos ajudar, mas se não for bem usada, nos prejudica.

    O sr. assume a liderança do concílio depois de 24 anos de mandato do ex-presidente. O que essa troca de guarda representa? A igreja acostumou-se com o reverendo Roberto [Brasileiro], um homem que conseguiu governar bem, impedindo que os estribos nos dominassem e viessem até a cintura da igreja. E eu quero honrar essa herança, mas a gente não fica parado no tempo.

    A proibição das mulheres de pregarem em culto público foi mantida, gerando protestos internos. Por que essa trava? Isso é uma coisa que vem da nossa história sempre. Nunca tivemos maiores problemas com isso. Nós não temos pastoras.

    Ordenadas elas nunca puderam ser de fato, mas alguma pasrticipações públicas eram permitidas. As mulheres têm o seu lugar na igreja. São missionárias, são educadoras cristãs, promovem palestras e tal. O que está vedado a elas é a pregação no culto. Isso foi a vida inteira, não tem novidade nenhuma.

    Em 2022, a IPB votou para restringir mulheres de servir a Santa Ceia e pregar em culto solene. O culto público está reservado aos homens. Mas o ponto não é esse, porque aí querem até nos tratar como misóginos. Não somos. Temos o maior respeito pelas mulheres, elas são importantíssimas no seio da igreja.

    Mulheres são maioria na IPB? Em todas as denominações. Na nossa não é diferente. E você vai observar o seguinte: 90% desse segmento está muito satisfeito, porque elas nos ajudam demais.

    Um pequeno grupo, às vezes até alimentado por outros interesses, é que tem se exacerbado. Querer derivar para isso por uma outra razão que não seja doutrinária é tentar agradar ao conjunto da sociedade. Porque hoje é comum as mulheres terem mais espaço na política, nas empresas. A igreja sempre deu espaço para as mulheres. Agora, a ordenação, que é o que certifica a pessoa para pregar no culto, não é conferida às mulheres.

    A reunião reforçou o veto a movimentos marxistas. Quem estiver alinhado a partidos de esquerda não é bem-vindos na IPB? O marxismo é ateu. Como é que o sujeito professa uma fé marxista e depois vem e diz: eu professo a minha fé em Deus? Há um conflito de interesse. Agora, conheço pessoa de direita que é marxista, não teme a Deus. Não pode ser recebida. Aí você tem um outro [de esquerda]: "Creio em Deus e tal". Pode ser recebido. Então não tem índex de partido [que pode ou não pode].

    Líderes da igreja podem usar suas redes sociais para falar contra ou a favor de um candidato? Totalmente livres. O pastor, como cidadão, tem toda liberdade de fazer isso.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/e-preciso-combater-vulgarizacao-da-internet-diz-novo-presidente-da-igreja-presbiteriana.shtml.

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    Reverendo Juarez Marcondes Filho, 66, na Universidade Presbiteriana Mackenzie - Eduardo Knapp/Eduardo Knapp/Folhapress · Eduardo Knapp/Eduardo Knapp/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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