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    É como campanha política, diz Ingrid Guimarães sobre disputa com blockbusters

    Ingrid Guimarães se mostra preocupada no meio da entrevista a este jornal. "Mentira? Você está brincando?", diz, ao descobrir, por meio da reportagem, que o último filme do Homem-Aranha , ainda em cartaz, havia ultrapassado "Vingadores: Ultimato" nas bilheterias brasileiras e ameaçava se tornar o maior sucesso do país -dias antes de sua comédia "Minha Melhor Amiga" chegar aos cinemas, nesta quinta-feira (3). Leia mais (09/02/2026 - 13h00)

    Folha de S.Paulo
    2 de setembro de 2026 às 16:00
    É como campanha política, diz Ingrid Guimarães sobre disputa com blockbusters
    Foto: Folha de S.Paulo

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    As atrizes Mônica Martelli e Ingrid Guimarães em ensaio da comédia 'Minha Melhor Amiga' - Bruna Castanheira/Divulgação

    As atrizes Mônica Martelli e Ingrid Guimarães em ensaio da comédia 'Minha Melhor Amiga' - Bruna Castanheira/Divulgação · Bruna Castanheira/Divulgação
    As atrizes Mônica Martelli e Ingrid Guimarães em ensaio da comédia 'Minha Melhor Amiga' - Bruna Castanheira/Divulgação · Bruna Castanheira/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ingrid Guimarães se mostra preocupada no meio da entrevista a este jornal. "Mentira? Você está brincando?", diz, ao descobrir, por meio da reportagem, que o último filme do Homem-Aranha , ainda em cartaz, havia ultrapassado "Vingadores: Ultimato" nas bilheterias brasileiras e ameaçava se tornar o maior sucesso do país —dias antes de sua comédia "Minha Melhor Amiga" chegar aos cinemas, nesta quinta-feira (3).

    Uma das atrizes que mais pleiteia espaço nas telonas para comédias nacionais , Guimarães afirma que, se a briga no passado era desigual, agora está pior. "A gente divulga filme como campanha política", diz. "Estamos sempre entre um homem que explode, um bicho que voa, um Homem-Aranha, bilhões de dólares. Antes, a gente enfrentava esses caras. Hoje não dá mais."

    Ao lado dela, a também humorista Mônica Martelli tenta aliviar o clima. "Não fala disso agora, ela já está tensa aqui", pede ela, fazendo piada com a expressão de receio no rosto da outra.

    Imagens do filme Minha Melhor Amiga
    Imagens do filme Minha Melhor Amiga — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Atriz que mais levou público aos cinemas neste século , Guimarães tem um trauma bem específico com os filmes da Marvel. Há sete anos, ela usou dinheiro próprio para lançar "De Pernas pro Ar 3" , mas se revoltou ao ver a comédia sumir das salas para dar lugar a "Vingadores: Ultimato" —justamente o longa agora superado pelo aracnídeo.

    O caso se tornou simbólico na luta pela lei da Cota de Tela , que obriga as exibidoras a reservar parte da programação para produções nacionais, mecanismo expirado no governo de Jair Bolsonaro, em 2021.

    Embora a medida tenha sido retomada pelo presidente Lula, do PT, há dois anos, Guimarães tem motivo para ainda ficar aflita com blockbusters.

    Comédias e filmes religiosos lideram bilheterias do cinema nacional
    Comédias e filmes religiosos lideram bilheterias do cinema nacional — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A Folha mostrou em maio que a rede Cinemark, líder de mercado no país, vinha exibindo mais de cem vezes ao dia, somente no estado de São Paulo, uma animação brasileira de 2024 . As sessões, quase completamente vazias, eram programadas majoritariamente em horários como 11h e meio-dia para cumprir mais rapidamente a meta estabelecida pela Cota de Tela.

    Guimarães diz que "a Cota de Tela não é um favor", e que casos como este mostram que a classe "precisa batalhar para que se regularize".

    Outras exibidoras, como Cinesystem e Cinépolis, fizeram algo parecido —embora em volume menos alarmante—, usando de atalho principalmente filmes infantojuvenis, tradicionalmente mais curtos.

    Duas mulheres posam lado a lado com as mãos nos bolsos. A da esquerda usa camisa branca, gravata preta e calça branca ampla. A da direita veste camisa preta, gravata branca e calça preta larga. Fundo neutro cinza.
    Duas mulheres posam lado a lado com as mãos nos bolsos. A da esquerda usa camisa branca, gravata preta e calça branca ampla. A da direita veste camisa preta, gravata branca e calça preta larga. Fundo neutro cinza. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na prática, as maiores redes de cinema do país encontraram uma brecha na lei da Cota de Tela e vêm concentrando sessões de filmes nacionais em horários de baixa demanda, para cumprir a obrigação, mas ainda manter os horários de maior procura disponíveis para produções de maior apelo comercial —como o novo "Homem-Aranha: Um Novo Dia", que domina as salas do país há mais de um mês.

    Guimarães e Martelli aproveitam a força comercial que construíram para tentar vender seu peixe diretamente aos líderes das exibidoras. A Paris Filmes, que distribui "Minha Melhor Amiga", organizou uma sessão para representantes da Cinemark, Kinoplex e Cinépolis, que, segundo reportagem do FilmeB, se declararam dispostos a apostar de verdade no filme.

    "Sabe quando se filipeta na rua? Nessa festa, eu e Mônica ficamos uma hora e meia em pé e falamos com donos de cinema do Brasil todo", conta Guimarães. "A gente pede ‘vamos botar o filme em horário bom?’. Falamos de um por um. É como batalha de político."

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    Embora defenda uma retomada completa do cinema nacional, nunca recuperado da pandemia, Guimarães diz que é "super pé no chão" e que será difícil ver filmes nacionais formando aqueles públicos robustos de cinco, às vezes quase 10 milhões de espectadores, como alguns conseguiram no passado.

    Foi o caso de "Minha Mãe É uma Peça 3", de 2019, protagonizado pelo ator Paulo Gustavo , que levou cerca de 9 milhões de pessoas às telonas e se tornou o filme de maior arrecadação da história no país .

    A comédia é dirigida por Susana Garcia, que emplacou também os sucessos "Minha Vida em Marte" , com Martelli e Gustavo, e "Minha Irmã e Eu", primeiro filme a somar 1 milhão de espectadores após a pandemia . Agora, ela dirige o novo "Minha Melhor Amiga", que marca a estreia de Guimarães e Martelli juntas nos cinemas.

    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Para tentar alcançar desempenho semelhante dos hits anteriores, diretora e protagonistas decidiram empurrar "Minha Melhor Amiga" de maio para setembro para fugir da briga com blockbusters como "O Diabo Veste Prada 2" e a cinebiografia de Michael Jackson, que estrearam naquele mês.

    Outra aposta do trio foi repetir uma estratégia de marketing adotada há anos por Garcia —levar ao título do filme a palavra "minha" seguida de um termo que se refira a uma relação afetiva. Segundo a diretora, que vem testando a fórmula em seus últimos filmes, isso ajuda a fazer o espectador pensar que tem de ver o filme com alguém querido —e, assim, vendem-se mais ingressos.

    Para este longa, a ideia é que o público vá aos cinemas com amigos do peito. Na história, a jornalista bem-sucedida Júlia, vivida por Martelli, está cansada dos homens que conhece, e convence sua melhor amiga, Clara, papel de Guimarães a viajar até Portugal para esquecer os problemas no casamento. Lá, além de visitarem as filhas que fazem intercâmbio, elas vão repensar os seus medos e as suas vontades.

    As personagens refletem também o que Martelli, de 58 anos, e Guimarães, que tem 54, querem para si —uma vida com menos concessões.

    Ambas celebram protagonizar um filme que elas próprias produziram e escreveram —com a ajuda de outros roteiristas—, e dirigido por outra mulher, também de 54 anos.

    "Isso é novo. Antes, eram os homens que escreviam os nossos desejos, olha que loucura", diz Martelli. "Eu, com 50 anos, me apaixonei de novo. Com 50 anos, me vi comprando calcinha para poder… Sabe? Antes, as mulheres achavam que essa fase era o final da vida, mas é possível reescrever isso."

    Martelli e Guimarães construíram suas carreiras sobretudo na comédia e se tornaram, com Paulo Gustavo, os principais nomes do gênero no cinema dos últimos anos. As duas, que acumulam trabalhos na televisão e no teatro, se conheceram nos bastidores de um humorístico da TV Globo nos anos 1990.

    A história de "Minha Irmã e Eu" é inspirada em viagens internacionais que Martelli e Guimarães fizeram e renderam vídeos engraçados nas redes. Isso, porém, fez parte do público apontar que, embora com boas intenções, o filme parte de uma premissa um tanto específica, provável para mulheres ricas e privilegiadas.

    Mas Guimarães e Martelli rebatem e dizem que a mensagem segue valendo para qualquer mulher, tenha ela muito ou pouco dinheiro.

    "Independentemente do que se faz, meu amor, você vai sentir medo da separação, medo de se envolver, medo de perder a filha. Tudo isso acontece com qualquer mulher, em qualquer lugar, de qualquer classe social", afirma Martelli.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/09/e-como-campanha-politica-diz-ingrid-guimaraes-sobre-disputa-com-blockbusters.shtml.

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    As atrizes Mônica Martelli e Ingrid Guimarães em ensaio da comédia 'Minha Melhor Amiga' - Bruna Castanheira/Divulgação · Bruna Castanheira/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo

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