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    Durigan diz que Brasil precisa de juros civilizados e promete superávits a partir de 2027

    O ministro da Fazenda, Dario Durigan , afirmou nesta segunda-feira (31) que o Brasil deverá registrar superávits primários crescentes e recorrentes a partir de 2027 e defendeu que o próximo passo da política econômica seja reduzir o ritmo de expansão das despesas obrigatórias. Leia mais (08/31/2026 - 11h25)

    Folha de S.Paulo
    31 de agosto de 2026 às 14:25
    Durigan diz que Brasil precisa de juros civilizados e promete superávits a partir de 2027
    Homem de terno cinza e gravata rosa sentado em cadeira de madeira, segurando microfone e gesticulando durante palestra em evento do BTG Pactual. Fundo azul com logotipos da empresa. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O ministro da Fazenda, Dario Durigan , afirmou nesta segunda-feira (31) que o Brasil deverá registrar superávits primários crescentes e recorrentes a partir de 2027 e defendeu que o próximo passo da política econômica seja reduzir o ritmo de expansão das despesas obrigatórias.

    Ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante fala no Macro Day 26, evento promovido pelo BTG Pactual - Divulgação BTG Pactual · Divulgação BTG Pactual
    Ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante fala no Macro Day 26, evento promovido pelo BTG Pactual - Divulgação BTG Pactual · Divulgação BTG Pactual — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A declaração foi feita durante o painel "Cenário Econômico" do Macro Day 26, evento promovido pelo BTG Pactual, em conversa com Mansueto Almeida, sócio e economista-chefe do banco.

    Segundo Durigan, a agenda fiscal do governo deve se apoiar em sete frentes, entre elas o cumprimento das metas de resultado primário, o fortalecimento do arcabouço fiscal, o controle do gasto obrigatório e a revisão de benefícios tributários.

    O ministro disse que o governo pretende chegar a esse resultado sem abandonar políticas sociais, mas com maior eficiência na concessão e no acompanhamento dos benefícios.

    Nova fase da Carbono Oculto mira bancos paralelos do crime organizado no setor de combustíveis
    Nova fase da Carbono Oculto mira bancos paralelos do crime organizado no setor de combustíveis — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Durigan também afirmou que o principal desafio econômico do país neste momento é reduzir a taxa de juros. Para ele, o custo elevado do dinheiro prejudica o Tesouro Nacional, as famílias, as empresas e os agricultores.

    "É o custo do dinheiro no país", disse. "Nós temos que fazer avançar uma agenda olhando para essa milha final, que é como que a gente traz os juros [...] com patamar civilizado", afirmou Durigan.

    Questionado por Mansueto sobre como controlar o avanço da despesa obrigatória, Durigan defendeu o aprimoramento do arcabouço fiscal e a criação de mecanismos que limitem automaticamente determinadas despesas.

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    O ministro afirmou que o governo já trabalha para fazer com que o gasto obrigatório cresça menos que o limite geral de despesas. Disse, porém, que será necessário avançar mais nessa direção. Ele afirmou ser favorável à utilização de gatilhos, desde que eles ofereçam previsibilidade para que gestores públicos possam fazer ajustes orçamentários.

    Outra possibilidade, segundo Durigan, seria retirar determinados benefícios da lógica de direito automático e submetê-los a um controle de fluxo, permitindo que o gestor acompanhe continuamente quem ainda atende aos critérios para receber o benefício.

    O ministro afirmou que o objetivo não é reduzir a política social, mas aumentar sua eficiência. Citou o Bolsa Família como exemplo de programa que deve funcionar também como porta de saída para o mercado de trabalho.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Outra frente defendida por Durigan é a revisão dos benefícios tributários. Segundo ele, o governo está promovendo neste ano uma revisão linear de 10% dos benefícios tributários infraconstitucionais.

    Durigan afirmou que o universo desses benefícios chega a cerca de R$ 200 bilhões e que a revisão pode representar aproximadamente R$ 20 bilhões.

    O ministro defendeu que o processo continue nos próximos anos, mesmo que em percentuais menores.

    "Se a gente começou a fazer revisão de benefício fiscal, não pode voltar atrás", afirmou. "Nós temos que seguir."

    Durigan também concordou com a necessidade de uma reforma administrativa e defendeu o combate aos chamados supersalários no serviço público.

    O ministro afirmou que é preciso limitar verbas indenizatórias e reduzir diferenças consideradas excessivas entre carreiras. Também citou a necessidade de rever as regras de aposentadoria dos militares.

    Para ele, uma reforma administrativa deve incluir, além da revisão de privilégios, avaliação de desempenho e incentivos aos servidores.

    "As instituições públicas não são fortalecidas quando você olha no jornal e tem desembargador ganhando R$ 400 mil", afirmou.

    Durigan afirmou que a melhora das contas públicas deve abrir espaço para investimentos, especialmente em áreas nas quais a iniciativa privada ainda não demonstra apetite suficiente.

    Ele citou setores como fertilizantes, biocombustíveis, baterias, combustível sustentável de aviação e minerais críticos. Também defendeu o uso de inteligência artificial para elevar a produtividade em áreas como agronegócio, indústria e serviços públicos.

    No caso da inteligência artificial, afirmou que o objetivo não seria tentar competir diretamente com Estados Unidos e China na criação de grandes modelos, mas buscar aplicações capazes de elevar a produtividade brasileira.

    O ministro afirmou, porém, que o investimento privado dificilmente ganhará força enquanto os juros permanecerem elevados.

    Não vamos conseguir fazer investimento privado [...] com uma taxa de juros nesse patamar

    Durigan atribuiu parte do resultado fiscal ao diálogo com o Congresso. Segundo ele, neste ano o governo conseguiu evitar a votação de cerca de 30 projetos que poderiam pressionar as contas públicas.

    O ministro afirmou que passou a negociar diretamente com líderes parlamentares, explicando os impactos das propostas sobre inflação, juros e orçamento futuro.

    Também defendeu a continuidade da reforma tributária, que classificou como necessária para elevar a produtividade e racionalizar um sistema que considera excessivamente complexo.

    Durigan classificou o sistema tributário brasileiro como "horroroso" e defendeu a continuidade da reforma tributária.

    "Não temos dúvida, nós temos que fazer a reforma tributária acontecer no país", disse.

    Em conversa com Mansueto, Durigan ainda colocou o combate ao crime organizado entre as prioridades do governo.

    Ele afirmou que a Receita Federal está usando informações obtidas na Operação Carbono Oculto para estruturar novas ações contra lavagem de dinheiro. Segundo o ministro, 1.400 CNPJs foram cancelados em São Paulo na sexta-feira (28).

    Durigan disse que um sistema de inteligência artificial está sendo desenvolvido para cruzar informações sobre fundos e postos de combustíveis e identificar irregularidades.

    A ideia, afirmou, é tornar possível realizar operações semelhantes à Carbono Oculto com frequência maior.

    Ao resumir sua visão para a economia brasileira, Durigan defendeu a combinação de "juros menores, responsabilidade fiscal, manutenção das políticas sociais, aumento do investimento e fortalecimento das instituições".

    Segundo ele, o superávit previsto para o próximo ano deve servir de base para resultados primários maiores nos anos seguintes.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/durigan-diz-que-brasil-precisa-de-juros-civilizados-e-promete-superavits-a-partir-de-2027.shtml.

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