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    Doutrina militar russa de Moraes contamina eleição de vez

    Quando a aliança ocidental Otan extirpou sem oposição o território albanês de Kosovo da antiga Iugoslávia, em 1999, ficou claro à impotente Rússia de então que era preciso mudar a forma de lidar com seus antigos adversários de Guerra Fria. Leia mais (09/04/2026 - 11h26)

    Folha de S.Paulo
    4 de setembro de 2026 às 14:26
    Doutrina militar russa de Moraes contamina eleição de vez
    Dois homens sentados em cadeiras de couro marrom em ambiente formal. O homem à direita, calvo, segura uma pasta preta, enquanto o da esquerda, com cabelo escuro, está olhando para baixo. Ambos vestem terno, gravata e toga preta. — Foto: Folha de S.Paulo

    Contextualiza um acontecimento e aprofunda a compreensão de seus diversos ângulos

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    Moraes segura pasta ao lado de Mendonça na sessão plenária do Supremo na quinta (3) - Pedro Ladeira - 3.set.26/Folhapress · Pedro Ladeira - 3.set.26/Folhapress
    Moraes segura pasta ao lado de Mendonça na sessão plenária do Supremo na quinta (3) - Pedro Ladeira - 3.set.26/Folhapress · Pedro Ladeira - 3.set.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Quando a aliança ocidental Otan extirpou sem oposição o território albanês de Kosovo da antiga Iugoslávia, em 1999, ficou claro à impotente Rússia de então que era preciso mudar a forma de lidar com seus antigos adversários de Guerra Fria.

    Agora inferiorizados no combate convencional, os russos adotaram uma nova postura no emprego de suas armas nucleares, cristalizada na revisão da doutrina militar russa de 2020.

    Sob ataque devastador, mesmo sem armas atômicas, Moscou usaria bombas táticas, de menor escopo destrutivo, visando forçar o inimigo a recuar. Analistas chamam isso de escalar para desescalar.

    A ligação do STF com o Banco Master
    A ligação do STF com o Banco Master — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Não é muito diferente do que fez Alexandre de Moraes na noite de quinta-feira (3). Quando as graves revelações das relações do ministro com ex-banqueiro Daniel Vorcaro vieram à tona, o moinho de rumores de Brasília indicava algum tipo de acordão.

    O presidente do Senado , Davi Alcolumbre (União-AP), descartou impeachment do amigo Moraes e lembrou do caso "Dark Horse", um recado aos bolsonaristas. Sugestões acerca de inquéritos sigilosos contra o parlamentar nas mãos de aliados do ministro no Supremo bateram ponto nas conversas.

    Amarrada a ponta Congresso, o grupo de Moraes passou a trabalhar pela nulidade das ações do colega e acusador André Mendonça. Os ministros xandistas contam com a morosidade do Supremo para vencer a crise por cansaço, antes de exercer eventuais revanches, temendo também pela integridade da corte.

    Relembre crises envolvendo Alexandre de Moraes no STF
    Relembre crises envolvendo Alexandre de Moraes no STF — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A notória fotografia deles rindo nervosamente, flagra de Brenno Carvalho (O Globo), sugeria encaminhamento. O que não era perceptível era o caminho que Moraes escolheria, explodindo sua ogiva nuclear tática ao gritar truco.

    Não se sabe o que cada ator tem na mão. Até aqui, Mendonça mostrou cartas mais robustas, como a reação inicial de Edson Fachin sugere. Mas isso não é algo certo, e a rede de Moraes é mais poderosa —não menos porque não faltam interessados em expandir o raio radioativo da nulidade para tudo relativo ao Banco Master .

    À espera do próximo lance, a crise contamina a campanha presidencial. Como já era sabido, o presidente Lula (PT) e seu principal rival, o senador Flávio Bolsonaro ( PL ), são os principais afetados.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No colo do petista caiu, como acontece no presidencialismo brasileiro, o ônus institucional da confusão. A associação que Lula promoveu com Moraes ao longo do mandato não será apagada com um pronunciamento pedindo apuração clara.

    Já Flávio, favorecido pelas ações tecnicamente discutíveis de Mendonça, tenta neste primeiro momento capitalizar a deixa. O eventual sucesso do protesto do 7 de Setembro, misturando de vez a crise no STF com a eleição, poderá dar preciosos décimos ou pontos nas pesquisas.

    É jogada de alto risco, dado o envolvimento do senador com Vorcaro. O caso "Dark Horse" pode ter perdido gás eleitoral, como indica a lenta recuperação de Flávio no Datafolha , mas basta uma revelação nova para o cenário mudar.

    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Outro item a analisar é se o fastio provocado pela sensação de que todos são iguais no ringue de lama não terá impacto maior do que o noticiário em si. Nessa hipótese, cabe observar o que acontece após o salto inicial de Augusto Cury ( Avante ), um desaguadouro potencial desse sentimento.

    Ele avança em nichos, como jovens imersos no mundo digital, onde foi detectado um impulsionamento com ares suspeitos nessa largada. Mas atrai quem rejeita Lula e Flávio . Não é suficiente para ir ao segundo turno, mas deve no mínimo estreitar a competição entre os líderes e torná-lo um improvável ativo.

    A incerteza pode ser medida pelo barômetro Alcolumbre. Após seguir o centrão e fechar acordo com Lula, no caso para avançar a pauta da extinção da jornada 6x1, o senador entregou só metade do combinado, deixando a votação final para depois do primeiro turno.

    Tudo está à mercê do que irá acontecer no Supremo. No mundo militar, a tática russa adotada por Moraes nunca foi usada porque, uma vez que o primeiro cogumelo atômico sobe, é muito difícil controlar a escalada. No fim, a acomodação ocorre com todos mortos.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/doutrina-militar-russa-de-moraes-contamina-eleicao-de-vez.shtml.

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    Moraes segura pasta ao lado de Mendonça na sessão plenária do Supremo na quinta (3) - Pedro Ladeira - 3.set.26/Folhapress · Pedro Ladeira - 3.set.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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