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    Dor no ombro após os 40 anos nem sempre é sinal de lesão, aponta estudo

    A dor no ombro é uma das queixas mais frequentes nos consultórios de ortopedistas e uma das principais causas de desconforto em adultos. Sentir esse tipo de incômodo após os 40 anos é bastante comum, mas descobrir uma alteração na ressonância magnética nem sempre significa doença ou necessidade de cirurgia. Um novo estudo finlandês publicado no Jama Internal Medicine faz um alerta para o risco de diagnósticos excessivos e tratamentos desnecessários, muitas vezes baseados apenas em exames de imagem. Leia mais (09/03/2026 - 18h16)

    Folha de S.Paulo
    3 de setembro de 2026 às 21:16
    Dor no ombro após os 40 anos nem sempre é sinal de lesão, aponta estudo
    Ombro congelado. Mulher segurando compressa fria, bolsa de gelo em seu ombro dolorido. — Foto: Folha de S.Paulo

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    A dor no ombro é uma das queixas mais frequentes nos consultórios de ortopedistas e uma das principais causas de desconforto em adultos. Sentir esse tipo de incômodo após os 40 anos é bastante comum, mas descobrir uma alteração na ressonância magnética nem sempre significa doença ou necessidade de cirurgia. Um novo estudo finlandês publicado no Jama Internal Medicine faz um alerta para o risco de diagnósticos excessivos e tratamentos desnecessários, muitas vezes baseados apenas em exames de imagem.

    Dor no ombro é uma das queixas mais frequentes nos consultórios de ortopedistas e uma das principais causas de desconforto em adultos - Stevica Mrdja/Adobe Stock · Stevica Mrdja/Adobe Stock
    Dor no ombro é uma das queixas mais frequentes nos consultórios de ortopedistas e uma das principais causas de desconforto em adultos - Stevica Mrdja/Adobe Stock · Stevica Mrdja/Adobe Stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os pesquisadores avaliaram 602 adultos entre 41 e 76 anos e descobriram que, independentemente de sentirem dor, 99% dos participantes apresentavam algum tipo de alteração no manguito rotador. Entre aqueles sem sintomas, 96% tinham alterações detectadas na ressonância magnética; entre os que sentiam dor, o índice era de 98%, ou seja, praticamente todos tinham alguma alteração.

    "O manguito rotador é um conjunto de quatro tendões com grande importância funcional, sendo responsáveis principalmente pela movimentação e estabilização da articulação do ombro", explica Marcos Pimentel, ortopedista do Hospital Ortopédico da Bahia, unidade pública gerida pelo Einstein Hospital Israelita.

    Segundo Pimentel, os problemas no manguito rotador realmente se tornam mais frequentes com o passar da idade, geralmente após os 40 anos, porque há uma degeneração natural dos tecidos tendinosos ao longo dos anos.

    Como corrigir a postura?
    Como corrigir a postura? — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O principal sinal é a dor, especialmente ao levantar o braço ou fazer movimentos acima da cabeça. Em casos mais avançados, o desconforto pode surgir até em repouso, acompanhado de perda de força e limitação dos movimentos. "O diagnóstico deve começar pela avaliação clínica, uma boa conversa com o paciente e realização de exames físicos. Só depois deve ser complementado por exames de imagem, se necessário", diz o médico.

    De acordo com o estudo, os exames de imagem frequentemente encontram alterações no manguito rotador, incluindo desgaste dos tendões, rupturas parciais e até completas. Uma vez que uma alteração aparece na imagem, ela frequentemente leva à indicação de tratamento, já que, muitas vezes, essas alterações acabam sendo interpretadas como existência de doença, o que pode levar pacientes a tratamentos que talvez nem fossem necessários naquele momento.

    "Na maioria dos casos, os exames de imagem mostram algum grau de degeneração que, na verdade, corresponde a processos naturais do envelhecimento , sem representar uma doença ativa. Na prática clínica, esses pacientes não necessitam de tratamento, mas sim de medidas preventivas, como fortalecimento muscular", explica Pimentel.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ainda segundo o estudo, há uso excessivo de exames de imagem para investigar dor no ombro em pessoas sem trauma, o que também pode levar a diagnósticos e tratamentos equivocados. Por isso os autores sugerem que exames de imagem não devem ser utilizados como único critério para diagnóstico ou tratamento da dor no ombro.

    Quando a ressonância é realmente necessária?

    Pimentel concorda que, hoje em dia, existe um excesso de solicitações de ressonância magnética para avaliar pacientes com dor no ombro. De acordo com ele, o exame só deve ser indicado quando a avaliação clínica mostrar sintomas e sinais sugestivos de alterações patológicas. "No caso do manguito rotador, a ressonância é mais útil quando existem sintomas persistentes associados a alterações no exame físico."

    O médico ressalta que nem toda dor no ombro vem do manguito rotador. Em alguns casos, a origem do problema pode estar em outras estruturas da articulação ou até na coluna cervical. "Muitas vezes a pessoa é tratada apenas pelo achado da imagem, mas a dor pode ter outra causa que precisa ser investigada e tratada adequadamente", explica.

    Na maioria dos casos, o tratamento inicial envolve fisioterapia, analgésicos e uso de anti-inflamatórios por curto período para evitar efeitos colaterais. A cirurgia tem indicações bem específicas e deve ficar restrita aos casos de ruptura completa dos tendões ou lesões parciais que não melhoram com o tratamento conservador.

    De acordo com Pimentel, manter a musculatura fortalecida ajuda a proteger a articulação e diminuir a sobrecarga nos tendões dos ombros. Entre os sinais de alerta que merecem avaliação médica estão dor persistente ou progressiva; dor em repouso; perda de força e dificuldade para movimentar o braço. Para prevenção, o médico recomenda fazer exercícios regulares de mobilidade e fortalecer a musculatura do ombro.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2026/09/dor-no-ombro-apos-os-40-anos-nem-sempre-e-sinal-de-lesao-aponta-estudo.shtml.

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