Brasil

    Dono do Pão de Açúcar diz que Justiça estipulou prazo para MP-SP apresentar provas sobre retirada de credores

    O GPA, dono do Pão de Açúcar, comunicou nesta segunda-feira (31) que a Justiça concedeu prazo de cinco dias para que o MP-SP (Ministério Público de São Paulo) e os credores que impugnaram o plano de recuperação extrajudicial da companhia apresentem elementos concretos acerca de qualquer crédito que tenha sido indevidamente excluído do plano. Leia mais (08/31/2026 - 11h57)

    Folha de S.Paulo
    31 de agosto de 2026 às 14:57
    Dono do Pão de Açúcar diz que Justiça estipulou prazo para MP-SP apresentar provas sobre retirada de credores
    Fachada iluminada do supermercado Pão de Açúcar com logo verde e branco em destaque. Carrinhos de compras empilhados em primeiro plano e entrada com letreiro 'SEJA BEM-VINDO!' visível. — Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    O GPA, dono do Pão de Açúcar, comunicou nesta segunda-feira (31) que a Justiça concedeu prazo de cinco dias para que o MP-SP (Ministério Público de São Paulo) e os credores que impugnaram o plano de recuperação extrajudicial da companhia apresentem elementos concretos acerca de qualquer crédito que tenha sido indevidamente excluído do plano.

    Entrada de unidade do Pão de Açúcar no Rio de Janeiro - Mauro Pimentel - 10.mar.26/AFP · Mauro Pimentel - 10.mar.26/AFP
    Entrada de unidade do Pão de Açúcar no Rio de Janeiro - Mauro Pimentel - 10.mar.26/AFP · Mauro Pimentel - 10.mar.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A decisão da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo, tomada na última sexta-feira (28), ocorre após manifestação do MP-SP apresentada nos autos do processo de recuperação extrajudicial pela não homologação imediata do plano na atual versão .

    A companhia defendeu a legalidade do plano de recuperação extrajudicial e reiterou o pedido de homologação.

    "Uma vez encerrado o contraditório, a companhia confia que todas as impugnações serão rejeitadas e o seu plano de recuperação extrajudicial, aprovado com expressivo apoio dos credores, será homologado", afirmou a GPA em comunicado.

    Conheça a história do Grupo Pão de Açúcar
    Conheça a história do Grupo Pão de Açúcar — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na sexta-feira, o MP-SP ( Ministério Público de São Paulo) se disse contrário ao plano alegando que a GPA criou um grupo de credores muito diverso e que não reflete a mesma identidade econômica.

    No acordo que tenta costurar para resolver uma dívida de aproximadamente R$ 4,5 bilhões , o GPA reuniu sob o mesmo plano credores financeiros, debênturistas, titulares de CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e CCBs (Cédulas de Crédito Bancário), além de bancos, fundos de investimento e credores que aguardam a resolução de processos na Justiça.

    O grupo é identificado como o dos "créditos quirografários não correntes", ou seja, credores sem garantia real que não integram a base de fornecedores do dia a dia do grupo.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Para o MP, a legislação exige uma homogeneidade para casos de recuperação extrajudicial que reflita uma identidade econômica e jurídica para legitimar a votação de uma maioria dentro do plano.

    Segundo o GPA, 57,4% dos detentores de dívida aceitaram o plano proposto . Eles representam o equivalente a R$ 2,6 bilhões da dívida do grupo e podem garantir a aprovação do plano.

    Nos documentos apresentados pela companhia à 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, 91,6% dos créditos inseridos no processo decorrem de instrumentos financeiros, o que é visto pelo MP-SP como uma forma de impor a aprovação do plano sobre a parcela minoritária dos credores.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A promotoria avalia que bancos precificam risco financeiro, fundos e investidores estruturam operações já considerando possibilidade de renegociação e os debenturistas e credores institucionais atuam profissionalmente no mercado de capitais —enquanto prestadores de serviços, de logística, construtoras e credores indenizatórios não teriam feito o mesmo cálculo.

    O MP afirma que não é contra a recuperação extrajudicial do grupo, mas é contra a homologação do plano nos termos atuais porque a arquitetura jurídica desenhada está em desacordo com a legislação e com os princípios da isonomia, boa-fé objetiva, vedação ao abuso de direito e proteção da minoria que não concorda com o plano.

    Em resposta protocolada nesta quinta-feira (27), o GPA disse que a nomeação de um profissional é desnecessária e que, segundo jurisprudência do STJ (Superior Tribunal de Justiça), devedoras têm liberdade para reunir créditos de mesma natureza e condições de pagamento semelhantes, desde que seja garantido tratamento homogêneo sobre os credores.

    A companhia nega que tenha selecionado diversos credores distintos para formar um grupo e afirma que reuniu justamente a classe de quirografários. A única indicação interna era que eles não tivessem relação direta com a continuidade das atividades da empresa.

    Segundo o grupo, a composição majoritariamente financeira dos credores quirografários não seria uma anormalidade, mas o retrato da maioria das empresas em crise, especialmente no varejo .

    Nesse cenário, diz o GPA, credores financeiros e não financeiros votam conjuntamente na classe de quirografários sem que essa composição seja questionada como um fator de ilegitimidade dos planos.

    Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.

    "Se em recuperação judicial esse agrupamento é determinado por lei, não há razão para que, em recuperação extrajudicial –cuja própria razão de ser é conferir à devedora maior flexibilidade na definição do grupo–, a presença majoritária de créditos financeiros seja tomada como indício de vício do Plano."

    Segundo a companhia, se fornecedores essenciais fossem incluídos no plano, o fornecimento de produtos precisaria ser interrompido e a exigência de pagamento à vista da dívida drenaria o caixa da companhia.

    À Justiça o GPA afirmou que, se o parecer do Ministério Público for aceito, agravaria a crise financeira enfrentada atualmente, sobretudo no cenário das varejistas brasileiras, e amplia o risco de transformar a reestruturação atual em uma recuperação judicial –ou seja, com condições mais rígidas e que impactarão milhares de funcionários, clientes e fornecedores.

    Com informações de Diego Felix e da Reuters

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    De 2ª a 6ª pela manhã, receba o boletim gratuito com notícias e análises de economia

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/dono-do-pao-de-acucar-diz-que-justica-estipulou-prazo-para-mp-sp-apresentar-provas-sobre-retirada-de-credores.shtml.

    Imagem 1
    1 / 4

    Entrada de unidade do Pão de Açúcar no Rio de Janeiro - Mauro Pimentel - 10.mar.26/AFP · Mauro Pimentel - 10.mar.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)