Dono de casa cercada por colonos israelenses na Cisjordânia pede ajuda aos EUA
Com a bandeira americana no telhado de sua casa, Louai Abu Ridi faz um apelo ao governo dos Estados Unidos para que ajude a acabar com o cerco de colonos israelenses à sua casa na Cisjordânia , onde a violência tem se intensificado. Leia mais (08/19/2026 - 09h26)

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Com a bandeira americana no telhado de sua casa, Louai Abu Ridi faz um apelo ao governo dos Estados Unidos para que ajude a acabar com o cerco de colonos israelenses à sua casa na Cisjordânia , onde a violência tem se intensificado.

O palestino-americano é dono de uma das três casas cercadas há mais de uma semana por colonos no vilarejo de Qusra, perto de Nablus , no norte da Cisjordânia, ocupada por Israel .
Ele voltou de Ohio, onde mora, depois que os colonos deixaram os moradores isolados dentro das casas e cortaram o abastecimento de mantimentos. Na segunda-feira (17), Ridi conseguiu chegar à sua residência acompanhado de jornalistas.
No dia seguinte, hasteou a bandeira americana na fachada e pediu a intervenção da embaixada americana contra o cerco, que provocou uma forte condenação internacional.

"Esta é a minha mensagem para todos os americanos, para que vejam o que está acontecendo aqui, na Cisjordânia, a maneira como os colonos nos cercam e tentam tomar a minha casa", disse ele a jornalistas.
Sob pressão americana, o Exército israelense anunciou na semana passada que havia ordenado a saída dos colonos.
Soldados desmontaram as barracas e anunciaram a detenção de um israelense. Os colonos, porém, voltaram, a pé ou de carro.

Na segunda-feira, Ridi enviou à AFP vídeos que mostram alguns colonos passando em frente à casa em quadriciclos, enquanto as forças de segurança israelenses estavam posicionadas do lado de fora.
"Os colonos entram livremente na minha casa, e eles não fazem nada", disse, em referência aos militares. "Eles chegam até a apertar a mão dos colonos. É como se fossem amigos."
A violência cometida por colonos israelenses aumentou consideravelmente desde o ataque do grupo terrorista Hamas em Israel em 7 de outubro de 2023, com incursões quase diárias contra vilarejos e atos de assédio ou intimidação.

O governo de Netanyahu, o mais direitista da história de Israel, liderou uma rápida expansão dos assentamentos na Cisjordânia e estabeleceu postos avançados de colonos na região.
O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, que no passado já apoiou os colonos, condenou o episódio e afirmou que pediu a intervenção das autoridades.
Em entrevista na noite de terça-feira à televisão israelense, o embaixador assegurou que Washington tem o compromisso de defender seus cidadãos. "Gostaríamos de ver consequências graves para aqueles que se dedicam —e vou utilizar esta expressão— a uma atividade terrorista", declarou.
"Não é justo para as famílias palestinas, que são proprietárias de suas casas, que têm direito de criar suas famílias sem medo", acrescentou o ex-pastor evangélico.
"Se esta minoria pensa que está servindo à sua causa, comete um erro terrível", completou, em referência aos colonos que participam do cerco.
Os assentamentos são ilegais perante o direito internacional —a Convenção de Genebra proíbe um país que ocupa um território de transferir sua população para a região ocupada.
Hoje, a Cisjordânia abriga cerca de 3 milhões de palestinos e 500 mil colonos israelenses, distribuídos em aproximadamente 146 assentamentos e outros 390 postos avançados menores, segundo dados do grupo israelense de monitoramento de assentamentos Peace Now.
Grupos de direitos humanos afirmam que os colonos vêm tentando tomar propriedades nos arredores de Qusra e da vizinha Jalud como parte de uma estratégia para ocupar as terras entre as duas localidades e conectá-las a postos avançados de colonos situados ao sul e a assentamentos maiores a oeste.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Semanalmente, os principais fatos do globo, explicados de forma leve e interessante
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/dono-de-casa-cercada-por-colonos-israelenses-na-cisjordania-pede-ajuda-aos-eua.shtml.

O palestino-americano Louai Abu Ridi é proprietário de uma das três casas em Qusra, perto de Nablus, que os colonos israelenses começaram a cercar há mais de uma semana - Ilia Yefimovich - 18.ago.26/AFP · Ilia Yefimovich - 18.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

