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    Dono da Voepass e mais 11 pessoas são denunciados por tragédia que matou 62

    Segundo o Ministério Público Federal, problemas de manutenção e gestão da segurança contribuíram para a tragédia ocorrida em agosto de 2024

    Metrópoles
    22 de setembro de 2026 às 23:20
    Dono da Voepass e mais 11 pessoas são denunciados por tragédia que matou 62
    Foto: Metrópoles

    O dono da Voepass, José Luiz Felício Filho, e outros 11 ex-funcionários da empresa foram denunciados pela tragédia que matou as 62 pessoas a bordo do voo 2283 , que caiu em agosto de 2024 em Vinhedo, no interior de São Paulo .

    A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público Federal ( MPF ) à Justiça Federal de Campinas e aponta uma sequência de problemas relacionados à manutenção das aeronaves e à gestão da segurança operacional da companhia . Ela foi divulgada pelo jornal O Estado de S.Paulo e confirmada pelo Metrópoles .

    Para o MPF, o acidente não pode ser explicado apenas pelo que aconteceu dentro da cabine nos minutos finais do voo.

    Arquivo Pessoal
    Arquivo Pessoal — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A procuradora da República Viviane de Oliveira Martinez sustenta que havia problemas anteriores , incluindo falhas no sistema de degelo da aeronave e o despacho de aviões para rotas com previsão de formação severa de gelo .

    Segundo a denúncia, a empresa teria adotado práticas que contribuíram para esconder ou minimizar panes no sistema de degelo.

    O MPF afirma ainda que essas decisões estavam relacionadas a questões econômicas da companhia e aumentaram o risco para passageiros e tripulantes.

    Avião da VoePass após acidente em Vinhedo
    Avião da VoePass após acidente em Vinhedo — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    José Luiz Felício Filho é apontado pelo MPF como uma das figuras centrais no caso. Segundo a denúncia, embora a companhia tivesse cerca de mil funcionários, Felício exerceria forte influência sobre a gestão da empresa e teria mantido uma estrutura formada por pessoas de confiança.

    O MPF também contesta a ideia de atribuir os problemas de segurança exclusivamente aos pilotos. De acordo com a procuradora, os pilotos enfrentariam uma cultura interna que dificultava o reporte de falhas e seguiriam orientações estabelecidas pela administração da companhia.

    Além de Felício, outros 11 ex-funcionários ligados às áreas de operação, manutenção, engenharia e segurança operacional foram denunciados.

    Dono da Voepass e mais 11 pessoas são denunciados por tragédia que matou 62 - destaque galeria
    Dono da Voepass e mais 11 pessoas são denunciados por tragédia que matou 62 - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Um dos nomes que não aparecem entre os denunciados é o de Eduardo Magalhães, que ocupava o cargo de CEO e diretor de Recursos Humanos da Voepass.

    O MPF pediu o arquivamento das acusações contra ele.

    Segundo a procuradora, Magalhães tinha formação jurídica e atuava principalmente nas áreas administrativa e financeira. Para o Ministério Público, não havia elementos suficientes para apontar que ele tivesse conhecimento técnico ou ingerência sobre setores como manutenção, controle operacional e despacho de voos.

    Rota aérea de avião da VoePass de Cascavel para Guarulhos
    Rota aérea de avião da VoePass de Cascavel para Guarulhos — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Dos 16 nomes que haviam sido indiciados pela Polícia Federal, quatro ficaram fora da denúncia apresentada pelo MPF.

    O voo 2283 saiu de Cascavel, no Paraná, com destino a Guarulhos, em São Paulo, no dia 9 de agosto de 2024. O ATR 72-500 caiu em Vinhedo, cerca de 20 minutos antes do pouso. Não houve sobreviventes . Todas as 62 pessoas a bordo morreram, 58 passageiros e quatro tripulantes.

    Rota aérea de avião da VoePass de Cascavel para Guarulhos

    Dono da Voepass e mais 11 pessoas são denunciados por tragédia que matou 62 - imagem 3
    Dono da Voepass e mais 11 pessoas são denunciados por tragédia que matou 62 - imagem 3 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Avião da VoePass após acidente em Vinhedo

    Um avião da companhia Voepass, que saiu de Cascavel com destino a Guarulhos, caiu em um condomínio em Vinhedo, interior de São Paulo, matando as 62 pessoas que estavam a bordo

    A partir das 13h21 a aeronave não respondeu às chamadas do Controle de Aproximação de São Paulo

    Destroços do avião da VoePass
    Destroços do avião da VoePass — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Rapidamente, bombeiros e policiais se dirigiram ao local

    Carros da Polícia estacionados ao lado do local do acidente aéreo

    A investigação apontou problemas no sistema de degelo do avião e uma inspeção preventiva que estava atrasada. A aeronave enfrentou formação severa de gelo durante o voo e acabou perdendo o controle. A investigação também apontou falhas na execução dos procedimentos de emergência pelos pilotos.

    Avião da VoePass após acidente em Vinhedo
    Avião da VoePass após acidente em Vinhedo — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Em nota, a Voepass afirmou que vai continuar colaborando com a Justiça e com as autoridades responsáveis pela investigação. A companhia destacou que, em mais de três décadas de atuação, manteve a segurança operacional como princípio fundamental.

    A defesa de José Luiz Felício Filho afirmou ainda que ele estava afastado da gestão direta e cotidiana da operação quando ocorreu o acidente. Segundo os advogados, o empresário integrava o Conselho da Voepass e só retomou a gestão executiva depois da queda.

    A empresa e o executivo também disseram confiar no devido processo legal.

    Avião da VoePass após acidente em Vinhedo
    Avião da VoePass após acidente em Vinhedo — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “A VOEPASS entende que, com o recebimento da denúncia pela Justiça Federal, o processo seguirá os trâmites previstos em lei, assegurando às partes envolvidas.

    A companhia seguirá colaborando com o Poder Judiciário e com as demais autoridades competentes, fornecendo os documentos e as informações que forem solicitadas ao longo do processo.

    Ao longo de mais de três décadas de atuação na aviação brasileira, a VOEPASS manteve a segurança operacional como princípio fundamental, com procedimentos de manutenção, operação e treinamento orientados pela regulamentação aeronáutica e por suas diretrizes internas de segurança e conformidade.

    A defesa de José Luiz Felício Filho informa que tomou conhecimento do recebimento, pela Justiça Federal, da denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal e que se manifestará nos autos, no momento adequado, exercendo plenamente as garantias constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal.

    À época do acidente com o voo 2283, Felício integrava o Conselho da VOEPASS e estava afastado da gestão direta e cotidiana da operação, tendo retomado a gestão executiva após o acidente.

    Felício tem colaborado com as autoridades desde o início das apurações e seguirá à disposição da Justiça para contribuir com o completo esclarecimento dos fatos.

    O executivo mantém sua confiança no devido processo legal e reitera seu respeito às autoridades e sua solidariedade aos familiares das vítimas do voo 2283.”

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    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/sao-paulo/dono-da-voepass-e-mais-11-pessoas-sao-denunciados-por-tragedia-que-matou-62.

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