Dona da rede Banco24Horas aposta em 'agências multimarcas' para crescer
A circulação de dinheiro não vai acabar, mas a expectativa de uma redução ainda mais expressiva de seu uso faz com que a TecBan -empresa por trás da maior rede de caixas eletrônicos do país- busque diversificação de receitas, diz Patricio Santelices, CEO da TecBan. Leia mais (10/01/2026 - 07h00)

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São Paulo A circulação de dinheiro não vai acabar, mas a expectativa de uma redução ainda mais expressiva de seu uso faz com que a TecBan —empresa por trás da maior rede de caixas eletrônicos do país— busque diversificação de receitas, diz Patricio Santelices, CEO da TecBan.

A dona da rede Banco24Horas aposta na gestão da infraestrutura física dos bancos, na criação de "agências multimarcas" e em um braço de pesquisa de dados das mais de 30 milhões de pessoas que usam dinheiro físico todos os meses no Brasil.
Santelices diz ao C-Level Entrevista que os bancos estão deixando a gestão de suas redes de distribuição para tornar suas operações mais eficientes, o que abre oportunidades à TecBan. "Em um mercado que cai, a necessidade de sinergia passa a ser um fator muito relevante na gestão", diz o executivo.
Há três anos, havia 120 mil terminais de autoatendimento. Hoje, são 100 mil —30 mil da TecBan e outros 70 mil no mercado. A previsão é que esse volume caia para um total de 70 mil daqui a cinco anos.

Além da gestão de caixas eletrônicos de outros bancos, a empresa prepara o lançamento de "agências multimarcas" —o chamado Espaço Banco24Horas.
Segundo Santelices, a partir de um projeto-piloto, que começou em setembro, a intenção é que os bancos centralizem a sua gestão operacional em um único lugar, um centro de atendimento multibanco com a marca Banco24 Horas. Nesses pontos, saques serão um dos vários serviços oferecidos.
Em um movimento contraintuitivo diante do avanço do digital, o atendimento presencial ganha força. A ideia é que esses novos espaços fiquem abertos durante todo o dia e contem com um funcionário disponível no local.

"Nossa intenção é ir explorando esse atendimento presencial que, de alguma forma, se manterá ao longo do tempo", diz. "E nós temos essa capacidade, estamos presentes em mais de 2.000 municípios."
Os serviços podem ser oferecidos aos clientes dos 150 bancos e instituições de pagamento hoje conectados à rede Banco24Horas.
Na gestão de caixas eletrônicos, o Banrisul foi o primeiro a terceirizar 100% da sua rede de caixas eletrônicos do interior de suas agências. Outros cinco bancos, diz Santelices, adotam o mesmo modelo e registram entre 25% e 30% das transações feitas dentro de suas agências por clientes de outros bancos.

"Cada vez mais os bancos terão suas redes interoperáveis." Segundo Santelices, a gestão das redes de bancos e as agências multimarcas podem proporcionar uma economia de quase R$ 1 bilhão ao sistema todo.
Unibanco, hoje Itaú, e os bancos Nacional e Bamerindus criaram a TecBan em 1982. Hoje, os acionistas da empresa são os cinco maiores bancos do país: Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e a Caixa.
Segundo Santelices, a rede Banco24Horas continua sendo o ativo mais importante da companhia, ao representar 80% da receita da TecBan, mas essa fatia chegava a 95% há pouco mais de dois anos.
Diante dos esforços de diversificação, a meta é que, em quatro anos, 40% da receita venha de negócios que não envolvam a rede Banco24Horas. "É um desafio gigante. Vamos chegar até o final do ano com 20% da nossa receita vinda desses novos negócios."
Mesmo com o Pix , o uso do papel-moeda ainda é forte longe dos grandes centros e ocorre, sobretudo, em cidades pouco digitalizadas, nas quais os benefícios do governo têm papel importante.
"Não é só dinheiro, os caixas eletrônicos oferecem outros serviços, como pagamentos, depósitos, recarga de celular, prova de vida. Muitas vezes, para você receber benefícios sociais é preciso passar por um caixa eletrônico para comprovar que você é você", diz.
A partir dos dados das 30 milhões de pessoas que usam dinheiro todo mês, a ideia da TecBan é operar também com gestão de informação. Com o auxílio de modelos de inteligência artificial, o objetivo é entender como esse universo age, extrair dados relevantes e oferecer esses serviços.
"Por exemplo, como que as pessoas distribuem os saques do seu dinheiro ao longo do mês? Tem uma fatia que ganha até dois salários mínimos e a gente pode saber como essas pessoas consomem, se comportam", diz o executivo, ressaltando que são informações que podem interessar tanto ao comércio quanto a governos.
Além disso, a empresa também oferece serviços de administração de pontos de venda a varejistas por meio de soluções de biometria e ofertas personalizadas.
Sobre fraudes em caixas eletrônicos, Santelices diz que elas não representam nem 1% do número de transações registradas. Também diminuiu a violência, que há alguns anos fazia dos caixas eletrônicos alvos de ataques com bombas.
"É muito menos interessante hoje colocar dinamite em um caixa eletrônico", diz. "Criminosos estão muito mais interessados em ligar e tentar roubar dinheiro com engenharia social ", afirma.
E quando o dinheiro vai acabar? "Não vai acabar nunca", diz Santelices.
Por razões geopolíticas, segundo o executivo, os bancos centrais na Europa estão querendo voltar um pouquinho atrás na digitalização, já que abalos no funcionamento da economia digital deixam a população desabastecida.
"A gente viu o que aconteceu no Rio Grande do Sul, com as inundações. Não tinha eletricidade, então como comprar? Tem um equilíbrio e nunca é zero", diz.
Mesmo diante da popularização do Pix, cerca de 6% das transações do país ainda são feitas em dinheiro e a expectativa —considerando que as transações caem todo ano— é que, em cinco anos, esse percentual encontre um platô e estacione ao redor de 2%, diz o executivo.
"É onde se estabilizou em países superdigitalizados como Noruega, Finlândia, Suécia, Holanda. Aí vem o segundo desafio para uma companhia como a TecBan, que é procurar novos desenvolvimentos, novos espaços e novos negócios. Nisso estamos."
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/c-level-entrevista/2026/10/dona-da-rede-banco24horas-aposta-em-agencias-multimarcas-para-crescer.shtml.

O CEO da TecBan, Patricio Santelices, em entrevista ao C-Level - Reprodução TVFolha · Reprodução TVFolha — Foto: Folha de S.Paulo
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