Dona da Farm, Hering e Schutz, Azzas 2154 anuncia cisão após crise entre sócios e queda nos resultados
Sócios da Azzas 2154 Roberto Luiz Jatahy (à esquerda) e Alexandre Birman (à direita). Divulgação A cisão da Azzas 2154, conglomerado que reúne marcas como Farm, Hering, Animale e Schutz, entre outras, foi formalizada nesta quarta-feira (2), menos de dois anos após a criação do grupo. A companhia foi formada em 2024, a partir da fusão entre a Arezzo&Co e o Grupo Soma, em uma operação que deu origem a um dos maiores grupos de moda do país. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A reorganização prevê a separação dos negócios entre a Arezzo&Co, que será liderada pelo bloco de Birma
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/n/E/btJY4sQrAYBfeIACSzUw/fotojet.jpg)
Sócios da Azzas 2154 Roberto Luiz Jatahy (à esquerda) e Alexandre Birman (à direita). — Foto: Divulgação
A cisão da Azzas 2154, conglomerado que reúne marcas como Farm, Hering, Animale e Schutz, entre outras, foi formalizada nesta quarta-feira (2), menos de dois anos após a criação do grupo.
A companhia foi formada em 2024, a partir da fusão entre a Arezzo &Co e o Grupo Soma, em uma operação que deu origem a um dos maiores grupos de moda do país.

🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1
A reorganização prevê a separação dos negócios entre a Arezzo&Co, que será liderada pelo bloco de Birman, e a SOMA, sob comando do bloco de Jatahy.
As duas empresas deverão ser listadas no Novo Mercado da B3 e terão estruturas próprias de administração e governança.
A operação também prevê a criação de uma sociedade específica para reunir a Farm e suas extensões, com participação de 57,4% da Arezzo&Co e 42,6% da SOMA.
No comunicado enviado ao mercado nesta quarta-feira (2), Birman e Jatahy afirmam que a separação permitirá uma estrutura mais adequada para os diferentes negócios do grupo. Segundo eles:
“A Reorganização tem por propósito permitir que cada companhia resultante opere com administração separada, com foco em seus respectivos modelos de negócios e oportunidades de mercado, além de acesso direto e independente ao mercado de capitais e a outras fontes de financiamento.”
A decisão acontece após um período marcado por divergências entre os dois grupos de acionistas e mudanças na estrutura de comando da companhia.
Ao longo do último ano, a Azzas 2154 passou por alterações no conselho de administração e em sua governança, em meio aos impasses envolvendo os dois principais grupos de acionistas.
As mudanças no alto escalão da companhia começaram a ganhar força em maio de 2025, apenas nove meses após a conclusão da fusão entre Arezzo e Soma.
A primeira saída foi a do empresário Guilherme Benchimol — fundador da XP e então membro do conselho de administração da Azzas —, que renunciou ao cargo devido a “outros compromissos profissionais”, que demandavam “crescente disponibilidade de tempo e agenda”. André De Vivo assumiu a vaga.
Em junho, a empresa anunciou uma reestruturação no conselho de administração. Na mesma data, nomeou Nicola Calicchio Neto como presidente e Marcel Sapir como vice-presidente do colegiado, em substituição a Pedro Parente e Anna Chaia, que renunciaram aos cargos.
Nos meses seguintes, outros executivos deixaram seus cargos, como Rony Meisler, fundador da marca Reserva. O último deles foi o próprio Calicchio Neto, que deixou a presidência do conselho um ano após assumir a função.
Além das mudanças no alto escalão, os resultados da empresa também perderam força nos últimos trimestres.
No segundo trimestre deste ano, a companhia registrou lucro líquido recorrente de R$ 106,5 milhões, queda de 62,5% em relação ao mesmo período de 2025. A receita líquida também recuou 8,2%, para R$ 2,66 bilhões.
O cenário já vinha ruim no início de 2026. De janeiro a março, por exemplo, a companhia registrou queda de 45,7% no lucro líquido em relação ao mesmo período do ano passado, passando de R$ 117,7 milhões para R$ 63,9 milhões.
“É inegável que os resultados ficaram abaixo das nossas expectativas e não condizem com a nossa capacidade de execução e muito menos com a força das nossas marcas”, afirmou o presidente da companhia, Alexandre Birman, a investidores à época da divulgação de resultados.
Em meio a esse cenário (1T), a empresa também viu seu valor de mercado cair pela metade.
Outro episódio marcante envolvendo a companhia ocorreu em maio, quando Jatahy entrou com um processo judicial contra Birman pedindo que a Justiça barrasse mudanças internas promovidas pelo então presidente da empresa.
A Justiça acatou o pedido e determinou que a empresa não pode fazer alterações em sua estrutura interna neste momento, mantendo Jatahy como responsável pelas unidades de vestuário feminino e masculino. Birman tentou reverter a decisão, mas teve o pedido negado.
Em comunicado divulgado a investidores, a companhia afirmou ter sido “surpreendida” pela existência do pedido judicial protocolado por Jatahy.
Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/09/02/cisao-azzas-2154.ghtml.

Agora no g1 — Foto: G1
Compartilhe
Espalhe essa notícia

