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    Don Corleone teria inveja do STF

    No filme " O Poderoso Chefão " (1972), Don Vito Corleone reúne os chefes das famílias mafiosas para restaurar a ordem depois de uma guerra. O objetivo não é a punição, mas proteger a organização e impedir que disputas entre os seus destruam o grupo. Leia mais (09/20/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    21 de setembro de 2026 às 02:00
    Don Corleone teria inveja do STF
    Ministros sentados em semicírculo no plenário do Supremo Tribunal Federal, com bandeira do Brasil e crucifixo na parede ao fundo. Duas telas exibem imagem de um dos ministros falando. — Foto: Folha de S.Paulo

    Mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP

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    Vista geral dos ministros da Corte durante audiência sobre a investigação de supostas ligações entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro - Rosinei Coutinho - 15.set.26/ Supremo Tribunal Federal/AFP · Rosinei Coutinho
    Vista geral dos ministros da Corte durante audiência sobre a investigação de supostas ligações entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro - Rosinei Coutinho - 15.set.26/ Supremo Tribunal Federal/AFP · Rosinei Coutinho — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No filme " O Poderoso Chefão " (1972), Don Vito Corleone reúne os chefes das famílias mafiosas para restaurar a ordem depois de uma guerra. O objetivo não é a punição, mas proteger a organização e impedir que disputas entre os seus destruam o grupo.

    É difícil não lembrar da cena depois do espetáculo grotesco oferecido pelo STF na terça (15). A corte deveria responder a uma pergunta prosaica: há razões para investigar Alexandre de Moraes por suas relações com Daniel Vorcaro ? Tratava-se apenas de autorizar apuração com base num catatau de graves indícios.

    Mas nem isso o plenário fez. Moraes —que votou em questão de ordem num caso que lhe afeta—, Gilmar Mendes , Flávio Dino e Cristiano Zanin sequestraram a sessão com acusações, questões processuais e confrontos que terminaram por impedir a decisão. Dino pediu vista de modo desesperado, mesmo já tendo votado sobre a questão. Assim, parece que tudo acabará em pizza.

    Imagens do filme 'O Poderoso Chefão' (1972)
    Imagens do filme 'O Poderoso Chefão' (1972) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Caindo em contradição, Gilmar resumiu o episódio. Acusou André Mendonça de praticar um "jogo de omertà, de máfia". Depois, disse que "mesmo o colega que esteja eventualmente envolvido" não poderia ser submetido àquele "vexame": "Até a máfia tem ética" . Primeiro, a omertà aparece como vício; em seguida, o código mafioso surge como regra de decência no trato com um colega sobre o qual pairam suspeitas.

    De tal formulação infere-se que a ética da máfia —fundada na lealdade ao grupo, na proteção dos integrantes e em conchavos para resolver lutas internas— deveria ser adotada quando o STF se vê diante de escrutínio externo. Um acinte ao espírito republicano.

    Não foi a primeira vez. Em fevereiro, quando um relatório da PF mostrou conexões de Dias Toffoli com o Master, os ministros se reuniram a portas fechadas . Toffoli deixou a relatoria, mas não foi declarado suspeito e ainda recebeu apoio público dos colegas.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Opacidade, espírito de corpo e resistência a investigações formam padrão intolerável numa instituição que tem o dever de demonstrar, com palavras e atos, que ninguém está acima da lei.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/lygia-maria/2026/09/don-corleone-teria-inveja-do-stf.shtml.

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    Vista geral dos ministros da Corte durante audiência sobre a investigação de supostas ligações entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro - Rosinei Coutinho - 15.set.26/ Supremo Tribunal Federal/AFP · Rosinei Coutinho — Foto: Folha de S.Paulo

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