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    Dólar sobe e Bolsa cai com alta do petróleo, juros nos EUA e crise no STF

    Em dia de aversão ao risco, moeda americana avançou 0,43% frente ao real, a R$ 5,14. Ibovespa recuou 0,91%, aos 185,5 mil pontos

    Metrópoles
    14 de setembro de 2026 às 20:04
    Dólar sobe e Bolsa cai com alta do petróleo, juros nos EUA e crise no STF
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    O dólar registrou alta de 0,43% sobre o real, cotado a R$ 5,14, nesta segunda-feira (14/9). O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira ( B3 ), fechou em queda de 0,91%, aos 185,5 mil pontos.

    O clima nos mercados globais de câmbio e de ações foi de aversão ao risco no início desta semana. E não faltaram motivos para que a cautela prevalecesse entre os investidores: alta do petróleo, dúvidas sobre aportes em inteligência artificial (IA), incertezas em relação aos juros no Brasil e nos Estados Unidos e a crise no Supremo Tribunal Federal ( STF ).

    Nesse caldo de informações, o câmbio no Brasil dançou conforme a música global. Mesmo porque o dólar também se valorizou na comparação com uma cesta de seis divisas de economias fortes (como o euro, o iene e a libra esterlina), feita pelo índice DXY. De acordo com o indicador, a moeda americana subia 0,33%, aos 99,45 pontos, às 16h45.

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    Costfoto/NurPhoto via Getty Images — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Moedas de outros países emergentes, cuja comparação é mais adequada com o real, também recuaram frente ao dólar. Às 16h45, a moeda americana, por exemplo, subia 0,78% em relação ao peso colombiano e 1,00% sobre o mexicano.

    Assim como o Ibovespa, a maior parte dos principais índices europeus fechou em baixa. Isso vale para o Euro Stoxx 50 (-0,79%), para o DAX, de Frankfurt (-0,60%), e para o CAC 40, de Paris (-0,76%). A exceção foi o FTSE 100, de Londres, que subiu 0,44%.

    Em Wall Street, as baixas também dominaram o dia. Às 16h45, elas eram de 0,34%, no S&P 500; de 0,23%, no Dow Jones; e de 0,32%, no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.

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    Imagem de notas de dólar norte-americano - Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Um novo acirramento da guerra entre Estados Unidos e Irã contribuiu com tais números. E o resultado líquido e imediato do fator “mais guerra” foi a elevação do preço do petróleo, que se aproximou de US$ 110 por barril , que aumenta a pressão sobre a inflação mundial. No fim da sessão, contudo, o ritmo da alta diminuiu.

    O barril do tipo Brent, a referência internacional do petróleo, fechou em alta de 1,02%, a US$ 105,68. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, subiu 0,87%, a US$ 100,92.

    Ainda no cenário externo, analistas observam que as bolsas também refletiram nesta segunda-feira as declarações de líderes de gigantes do setor de tecnologia feitas no fim de semana. Eles defendem maior controle e uma redução do ritmo do desenvolvimento de novos sistemas de inteligência artificial (IA). Com isso, os papéis de gigantes globais de tecnologia foram afetados.

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    A frenagem nas pesquisas de IA foi sugerida pelos CEOs da Anthropic (dona do Claude) e da OpenAI (do ChatGPT), além do bilionário Elon Musk, da xAI, da rede social “X”, da Tesla e da SpaceX. Eles disseram que temem que o avanço de IA fuja ao controle das empresas do setor, facilitando o uso desses modelos em ações que vão de fraudes à criação de armas biológicas — o que já está ocorrendo, segundo artigo publicado no sábado (12/9) pelo chefão da Anthropic, Dario Amodei.

    Além de todos esses fatores, os agentes econômicos estão em compasso de espera, aguardando os desdobramentos da “Superquarta” (16/9), quando os bancos centrais dos Estados Unidos e do Brasil definirão as novas taxas básicas de juros dos dois países.

    A expectativa dos analistas é de uma alta de 0,25 ponto percentual dos juros americanos. No caso brasileiro, espera-se uma queda do mesmo valor, numa redução da Selic dos atuais 13,75% para 13,50% ao ano.

    Além disso, no cenário interno, os investidores esperam por eventuais fatos novos decorrentes da “Superterça” (15/9) no Supremo Tribunal Federal (STF). Na ocasião, a Corte definirá se vai abrir uma investigação sobre a suposta troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.

    No mercado interno, a eleição também segue “fazendo preço”, como dizem os analistas. Nova pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira indicou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) num eventual segundo turno. Flávio tem 42%, ante 40% de Lula. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais.

    João Vitor Saccardo, da mesa de renda variável da Convexa, observa que baixas das ações da Vale, Petrobras e dos bancos, além da crise no STF, pesaram sobre o recuo do Ibovespa. “O petróleo vinha em forte alta pela manhã, provocada pelo fechamento de um importante oleoduto na Arábia Saudita”, diz. “Toda a alta foi devolvida com o possível acordo entre Rússia e Ucrânia, para suspender ataques à infraestrutura de energia de ambos os países.”

    Saccardo acrescenta que a Vale, cujos papéis caíram mais de 3%, sofreu o impacto da redução do preço do minério de ferro no mundo, por causa da “menor lucratividade das siderúrgicas chinesas, o que enfraquece as perspectivas de demanda pelo produto”.

    Emerson Junior, da mesa de câmbio da corretora, afirma que a alta do dólar refletiu a postura cautelosa do mercado às vésperas da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), com “investidores amplamente posicionados para uma elevação de 0,25 ponto percentual nos juros nos Estados Unidos”. “No cenário doméstico, o dólar acompanhou a tendência externa frente a outros emergentes.”

    Rafael Dadoorian, especialista em renda fixa da mesma corretora, destaca que os juros futuros fecharam majoritariamente em alta, com um avanço maior nos vencimentos intermediários e longos da curva, em uma sessão marcada pela piora do ambiente externo e pelas expectativas para a “Superquarta”.

    “No exterior, os rendimentos dos Treasuries (os títulos da dívida americana) avançaram, com o título de 10 anos superando os 5% durante o pregão, em meio à disparada do petróleo e às preocupações com os efeitos inflacionários do choque da commodity”, diz. “O mercado também ajustou as apostas para a decisão Fed desta quarta-feira, com expectativa de elevação de 0,25 ponto percentual dos juros americanos.”

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/brasil/economia-br/dolar-bolsa-petroleo-stf.

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