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    Dólar recua e Bolsa sobe com inflação dos EUA e cenário eleitoral no radar

    O dólar recua nesta quarta-feira (30), após dados de inflação dos Estados Unidos abaixo do esperado, enquanto investidores monitoram os preços do petróleo e o cenário eleitoral brasileiro. Leia mais (09/30/2026 - 09h48)

    Folha de S.Paulo
    30 de setembro de 2026 às 12:48
    Dólar recua e Bolsa sobe com inflação dos EUA e cenário eleitoral no radar
    Notas de dólar americano sobrepostas, com foco na nota de cem dólares mostrando o retrato de Benjamin Franklin e detalhes do texto 'United States of America' e 'In God We Trust'. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O dólar recua nesta quarta-feira (30), após dados de inflação dos Estados Unidos abaixo do esperado, enquanto investidores monitoram os preços do petróleo e o cenário eleitoral brasileiro.

    Cédulas de dólares empilhadas - Sam Mircovich/Reuters · Sam Mircovich/Reuters
    Cédulas de dólares empilhadas - Sam Mircovich/Reuters · Sam Mircovich/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O pregão também é marcado pela formação da Ptax, taxa de referência para contratos futuros da moeda americana. A definição da taxa costuma aumentar a volatilidade do dólar ao longo do dia.

    Por volta das 11h, a moeda americana recuava 0,66%, a R$ 5,182. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante outras seis principais divisas, caía 0,19%.

    No mesmo horário, a Bolsa avançava 0,81%, a 185.327 pontos.

    Estreito de Hormuz: crise afeta petróleo, fertilizantes e exportações do Brasil
    Estreito de Hormuz: crise afeta petróleo, fertilizantes e exportações do Brasil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na agenda do dia, o destaque é a divulgação do PCE (índice de preços dos gastos com consumo pessoal) de agosto, indicador de inflação dos EUA acompanhado pelo Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) para sua meta de 2%. Os dados do índice costumam influenciar as projeções para os juros da economia americana.

    O índice subiu 0,3% no mês passado, informou nesta quarta-feira o Escritório de Análise Econômica do Departamento de Comércio dos EUA. Economistas consultados pela Bloomberg previam alta na mesma intensidade.

    Nos 12 meses até agosto, a inflação medida pelo PCE avançou 3,4%, ante projeção de alta de 3,7% dos analistas da Bloomberg.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, a leitura é positiva. "A inflação veio abaixo do esperado tanto no índice cheio quanto no núcleo, nas comparações mensal e anual. O resultado ajuda a aliviar parte da pressão que vinha sendo observada sobre os rendimentos dos Treasuries e sobre as expectativas de uma sequência mais intensa de altas de juros nos Estados Unidos."

    O pregão também teve a divulgação do ADP, que mede a criação de empregos no setor privado. Foram criadas 90 mil vagas, acima das 73 mil esperadas pelo mercado. O resultado reforça a leitura de que o mercado de trabalho americano segue equilibrado e sustentando a criação de empregos em ritmo superior ao previsto.

    "Os dados, principalmente a inflação mais baixa, diminuem as apostas dos investidores para altas de juros no curto prazo. E, por isso, dificulta a atração de capital externo para os Estados Unidos, enfraquece o dólar globalmente e faz pressão baixista na nossa taxa de câmbio ", afirma Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    No exterior, os preços do petróleo também avançam, acompanhando o cenário de incerteza no Oriente Médio . O Irã apresentou na semana passada na ONU (Organização das Nações Unidas) um plano para encerrar as hostilidades e reabrir o estreito de Hormuz, o que facilitaria o fornecimento de petróleo no mundo.

    Hormuz é uma rota fundamental para o transporte de combustíveis dos países do Golfo e está praticamente bloqueado pelo Irã desde o início da guerra no Oriente Médio , no fim de fevereiro. A situação se agravou com o bloqueio do estreito de Bab el-Mandeb pelos houthis pró-Irã do Iêmen, o que impede o trânsito de petróleo da Arábia Saudita.

    Trump, no entanto, rejeitou a proposta ao afirmar que os iranianos "querem chegar a um acordo, mas não é o acordo que eu quero fazer". Na terça-feira, o norte-americano afirmou não saber se o Irã vai "ceder já", mas disse que o país está se saindo "muito mal" no conflito.

    Em reação à alta da commodity, as ações de petrolíferas brasileiras sobem em bloco durante o pregão.

    No cenário doméstico, as eleições permanecem no radar. Na véspera (29), a pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada pela manhã, mostrou o ex-senador Flávio Bolsonaro (PL) com 47,7% das intenções de voto no segundo turno da disputa pelo Planalto, contra 47,6% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    Na segunda-feira (28), a pesquisa presidencial Quaest já tinha mostrado um quadro de incerteza. O levantamento mostrou Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, ante 34% do ex-senador. Na pesquisa anterior, divulgada no dia 21, os percentuais eram de 37% e 33%, respectivamente.

    No segundo turno, o cenário é de empate numérico: tanto Lula quanto Flávio registram 42% das intenções de voto. Na pesquisa anterior, Lula tinha 41%, uma variação de um ponto percentual, dentro da margem de erro.

    Em conjunto com a alta do petróleo e com o fluxo para as empresas brasileiras de commodities, o acirramento da corrida eleitoral tem impulsionado os ativos domésticos. Parte do mercado avalia que uma eventual alternância de poder poderia resultar em uma condução fiscal mais sólida, com impacto sobre a percepção de risco do mercado doméstico.

    Uma percepção de maior controle sobre a trajetória da dívida pode reduzir o prêmio exigido pelos investidores para financiar o governo e, consequentemente, aliviar a pressão sobre a curva de juros. Juros mais altos encarecem o crédito para empresas e reduzem a expectativa de lucros das companhias, o que tende a pesar sobre a Bolsa.

    O pregão ainda acompanha a definição da Ptax de fim de mês. Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros.

    No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas, no sentido de alta das cotações, ou vendidas em dólar, no sentido de baixa.

    Em função da disputa, é comum haver maior volatilidade na primeira metade da sessão, em especial nos horários próximos às janelas de coleta de valores pelo BC, às 10h, 11h, 12h e 13h.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/dolar-abre-em-queda-com-petroleo-e-dados-economicos-dos-eua-no-radar.shtml.

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