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    Dólar, passagens e IOF: como se preparar para viajar ao exterior no fim de 2026

    Imagem: Pixabay " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Cedulas-de-dolares-norte-americanos.jpg?fit=1167%2C800&quality=70&strip=all" />A recomendação para os viajantes é evitar adivinhar o melhor momento para comprar dólar The post Dólar, passagens e IOF: como se preparar para viajar ao exterior no fim de 2026 appeared first on InfoMoney .

    InfoMoney
    23 de agosto de 2026 às 10:00
    Dólar, passagens e IOF: como se preparar para viajar ao exterior no fim de 2026
    Foto: InfoMoney

    Quem pretende passar as férias de fim de ano no exterior deve redobrar a atenção ao planejamento financeiro devido à volatilidade do dólar – causada menos pela crise entre Brasil e Estados Unidos e pelas incertezas ligadas ao cenário fiscal e eleitoral doméstico, segundo especialistas consultados pelo InfoMoney .

    O impacto das recentes tensões comerciais entre o governo Trump e o governo federal, com imposição de taxas ao Brasil e a ativação da Lei de Reciprocidade , sobre os gastos de um brasileiro em uma viagem de fim de ano no exterior é limitado, ao contrário do impacto das eleições, segundo Augusto Parente, especialista em finanças e investimentos e sócio-fundador da AW Capital.

    “Daqui até o fim do ano veremos um dólar mais volátil, com possibilidade de alta no curto prazo. Se você tem uma viagem programada para dezembro, comprar a maior parte da minha viagem agora seria o mais seguro, para que você tenha uma previsibilidade do custo”, afirma

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    Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    O impacto da variação cambial depende do tamanho do orçamento. Em uma viagem de US$ 5 mil, por exemplo, uma alta do dólar de R$ 5,20 para R$ 5,50 elevaria a conta final de R$ 26 mil para R$ 27,5 mil, uma diferença de R$ 1,5 mil antes de impostos e taxas.

    Por isso, especialistas recomendam não tentar acertar o melhor momento do câmbio, mas diluir as compras ao longo dos próximos meses.

    O dólar comercial fechou a sexta-feira (21) cotado a R$ 5,144 , com queda de 0,93% no dia. A moeda acumula queda de cerca de 5,4% desde o início do ano, quando estava em R$ 5,4372, considerando a cotação de venda da PTAX de 2 de janeiro. Para o fim de 2026, a mediana das projeções do mercado reunidas pelo Boletim Focus está em R$ 5,20.

    Cédulas de dólares norte-americanos
    Cédulas de dólares norte-americanos — Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    Não adianta tentar acertar o melhor momento de comprar dólar. Para Jeff Patzlaff, planejador financeiro certificado (CFP) e especialista em investimentos e finanças pessoais, o melhor caminho é construir uma posição gradualmente.

    “Ninguém sabe exatamente para onde o câmbio vai amanhã. Começar a comprar agora tira o peso de tentar acertar o momento perfeito e protege você de uma disparada repentina da moeda. Se você divide o valor total que vai gastar e compra um pouco a cada semana ou quinzena, dilui o risco. Se o dólar cair, você aproveita a queda. Se subir, já garantiu uma parte mais barata lá atrás”, avalia.

    Parente concorda com a necessidade de antecipação, uma vez que a proximidade das eleições presidenciais, em outubro, pode manter o mercado mais sensível a notícias e gerar novas oscilações até o fim do ano.

    Além do câmbio, o preço das passagens merece atenção. As companhias aéreas têm custos expostos a fatores dolarizados e ao preço do combustível de aviação, enquanto a demanda também influencia diretamente o valor das tarifas em períodos de alta procura, como Natal e Ano-Novo.

    O querosene de aviação (QAV), principal combustível utilizado pelas aeronaves, passou por forte pressão ao longo de 2026, devido à conflitos no Oriente Médio. Os preços começaram a recuar novamente em junho, quando a Petrobras reduziu o QAV em 14,2%, seguido por novo corte de 14,5% em julho. Mesmo assim, combustível acumulava alta de 40,5% no ano em julho.

    As passagens aéreas, por sua vez, acumulam alta de 13,69% no ano, segundo o IPCA. Em 12 meses, o aumento é de 41,89%.

    Na hora de utilizar o dinheiro durante a viagem, as contas internacionais seguem entre as alternativas mais competitivas para muitos viajantes. Segundo Patzlaff, contas globais costumam oferecer acesso a taxas de câmbio mais próximas das referências comerciais e, em muitos casos, spreads cambiais inferiores.

    O spread cambial é uma taxa embutida por bancos, corretoras e instituições financeiras sobre a cotação de referência. Na prática, o consumidor acaba pagando mais por dólar. Exemplo: mesmo cotado a R$ 5,20, o consumidor pode acabar pagando R$ 5,25 ou mais em uma transação, a depender do banco.

    “Uma outra estratégia possível é fazer as remessas para uma conta internacional de investimento desde já. Além da proteção cambial você ainda tem um pequeno rendimento até a data da viagem”, explica Parente.

    O IOF para operações de câmbio destinadas à disponibilização de recursos no exterior é de 3,5%. Para operações destinadas a investimento, a alíquota é de 1,1%, conforme a finalidade da operação.

    Para além do câmbio, os especialistas alertam que o principal problema costuma ser a falta de planejamento. E um erro comum é subestimar pequenos gastos do dia a dia, como restaurantes, transporte por aplicativo, impostos locais, compras não planejadas e gorjetas . “É o dinheiro miúdo que, somado, destrói o orçamento”, conta Patzlaff.

    Nos Estados Unidos, por exemplo, a conta final em restaurantes pode ficar significativamente acima do valor exibido no cardápio, o que costuma surpreender turistas menos habituados ao destino.

    Por isso, a recomendação é estabelecer um limite diário de gastos antes do embarque e reservar antecipadamente os principais itens da viagem, como passagens, hospedagem e atrações mais disputadas.

    Já os cartões de crédito internacionais emitidos no Brasil costumam ser menos competitivos porque combinam IOF de 3,5% com spreads geralmente mais elevados. Ainda assim, podem ser úteis para cauções em hotéis, aluguel de veículos, compras que exigem cartão de crédito e situações de emergência.

    A compra de moeda em espécie também pode perder competitividade. Além do IOF, casas de câmbio normalmente trabalham com uma taxa mais alta, comumente o dólar turismo, além do risco de perda ou roubo. Por isso, o dinheiro em espécie pode ser útil para pequenas despesas, gorjetas ou estabelecimentos que não aceitam cartão, mas não deve representar a maior parte do orçamento da viagem.

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