Dólar e Bolsa sobem com crise do STF e guerra do Irã no radar
O dólar avança nesta terça-feira (15), com a alta do petróleo e o cenário político, em especial a crise do STF (Supremo Tribunal Federal), no radar dos investidores. Leia mais (09/15/2026 - 09h36)

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O dólar avança nesta terça-feira (15), com a alta do petróleo e o cenário político, em especial a crise do STF (Supremo Tribunal Federal), no radar dos investidores.

O pregão é marcado pelo início da sessão que julgará a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A sessão também mantém no radar as decisões do Copom (Comitê de Polítca Monetária do Banco Central) e Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) na quarta-feira (16).
Por volta das 11h50, o dólar subia 0,16%, a R$ 5,156. No mesmo horário, a Bolsa avançava 0,13%, a 185.749 pontos, com as ações de empresas do setor de petróleo em alta.
A tensão na guerra do Irã continua no radar. Na máxima do dia, o petróleo Brent, referência mundial da commodity, chegou a avançar 2,54%, a US$ 108. Na segunda-feira (14), a commodity chegou a avançar 4,90%, a US$ 109,74, na máxima do dia.

O movimento acompanha o observado nas últimas semanas, quando a alta do petróleo impulsionou os ativos domésticos, especialmente as ações de petrolíferas. "O petróleo segue funcionando como principal termômetro do apetite por risco. Uma nova escalada pode pressionar o real, elevar os juros futuros e prejudicar ações domésticas, embora possa sustentar as petroleiras. No Brasil, o mercado também deve ajustar posições antes da superquarta", diz Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil.
Na segunda-feira (14), o presidente dos EUA, Donald Trump , afirmou que estava "aberto" a dialogar com Teerã, um dia após ter dito que não haveria negociação com o Irã até o término das eleições de meio de mandato dos EUA, marcadas para novembro.
Em resposta, Mohsen Rezaei, chefe da principal instância de segurança do Irã, condicionou a volta das negociações pelo fim da guerra à aceitação das exigências iranianas.

"Não se deixem distrair pelos sinais contraditórios do presidente americano, que oscila entre 'não há negociações' e 'estamos dispostos a dialogar' com o Irã... Não haverá nenhuma negociação enquanto as condições do Irã não forem atendidas. Ponto final!", afirmou em post na rede social X (antigo Twitter).
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Nos últimos dias, os preços do petróleo têm sido pressionados pela escalada do conflito no Oriente Médio .

A escalada aumenta os riscos para as exportações sauditas pelo Mar Vermelho, após a obstrução do estreito de Hormuz.
Antes do conflito, a passagem era responsável pela circulação de cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás. A tensão também levou os Estados do Golfo a adiar uma reunião com o chanceler iraniano sobre a gestão de Hormuz na segunda.
A perspectiva de inflação mais alta aumenta a cautela dos investidores diante da possibilidade de manutenção dos juros em níveis elevados por mais tempo, o que tende a pressionar ativos de risco. O tema deve estar no radar das decisões do Copom e do Fed nesta quarta-feira.
Segundo o Boletim Focus desta segunda-feira, a previsão é de que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, métrica oficial da inflação) encerre 2026 em 4,90% . A projeção está acima do teto da meta de inflação, de 4,5%, considerando o centro de 3% e a tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Nos Estados Unidos , o CPI (índice de preços ao consumidor), último indicador de inflação antes da reunião do Fed, também avançou em agosto. No mês, o índice subiu 0,4%. Nos 12 meses até agosto, a inflação acumulada foi de 3,4%.
Lá fora, os rendimentos dos Treasuries, títulos do Tesouro dos Estados Unidos, de 10 anos dispararam e atingiram o maior nível desde 2007 , em meio à perspectiva de juros mais altos.
Analistas preveem que o Fed eleve a taxa de juros para a faixa de 3,75% a 4%, ante os atuais 3,5% a 3,75%. No Brasil, a expectativa é de que o Copom (Comitê de Política Monetária) reduza a Selic para 13,75%, ante os atuais 14%.
A política brasileira também continua no radar dos investidores, com a crise do STF (Supremo Tribunal Federal). Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, indicaram a atuação do ministro Alexandre de Moraes em favor do ex-banqueiro.
A divulgação do conteúdo levou a novos desdobramentos no tribunal, incluindo o afastamento de Moraes da relatoria do inquérito das fake news e de André Mendonça, relator dos casos do Banco Master e do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) do caso que apura a ligação entre o ministro e Vorcaro.
Nesta terça-feira (15), está prevista uma sessão sobre a atuação de Moraes e sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro .
A interpretação predominante no mercado é de que o desgaste do STF pode favorecer mais a campanha de Flávio Bolsonaro do que a de Lula, uma vez que o senador é historicamente crítico ao Supremo e usa esse discurso para defender o impeachment de ministros da corte.
"A grande leitura que o mercado está tentando fazer é sobre o posicionamento dos candidatos em relação ao julgamento, tanto em relação à continuidade das investigações quanto ao uso de algum instrumento para atrasar essa votação. Ou seja, como o governo vai atrelar sua imagem a esse julgamento", diz Gabriel Mota, analista de renda variável da Manchester Investimentos.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/dolar-abre-estavel-com-guerra-no-ira-e-crise-do-stf-no-radar.shtml.

Nota de dólar - Pedro Affonso - 14.ago.2026/Folhapress · Pedro Affonso - 14.ago.2026/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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