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    Dólar cai com emprego menor nos EUA. Bolsa desaba pela 2ª vez seguida

    Moeda americana registrou queda de 0,47% frente ao real, cotada a R$ 5,08. Ibovespa, o principal índice da B3, afundou 1,74%

    Metrópoles
    7 de agosto de 2026 às 20:04
    Dólar cai com emprego menor nos EUA. Bolsa desaba pela 2ª vez seguida
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    O dólar registrou queda de 0,47% frente ao real, cotado a R$ 5,08, nesta sexta-feira (7/8). Já o Ibovespa , o principal índice da Bolsa brasileira ( B3 ), fechou em baixa de 1,74%, aos 172,4 mil pontos. Na véspera, o indicador já havia anotado recuo expressivo de 1,23%.

    Um dos fatos mais relevantes da agenda do dia foi a divulgação de novos dados sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos. Na prática, os números oferecem uma indicação sobre o quão aquecida está a economia americana, termômetro que tem forte peso sobre a definição da taxa básica de juros do país.

    A pesquisa conhecida como “payroll” (literalmente, “folha de pagamento”), veiculada pelo Departamento de Trabalho dos Estados Unidos, mostrou que, excluindo o setor agrícola, o mercado fechou 23 mil vagas de emprego em julho. O número ficou bem abaixo da expectativa do mercado, que previa não uma queda, mas a criação de 83 mil postos.

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    Há mais. Os dados de maio e junho foram revisados para baixo. Maio passou da criação de 129 mil postos para 63 mil. Junho caiu de 57 mil para 20 mil. A revisão conjunta foi de 103 mil vagas a menos do que o divulgado inicialmente. A taxa de desemprego em julho foi de 4,1%, mas a estimativa era de 4,2%.

    O “payroll”, contudo, não é o único ponto de atenção do mercado, associado à questão dos juros americanos. Reportagem publicada na quinta-feira (6/8) pelo jornal britânico Financial Times informou que o presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, estaria disposto a elevar a taxa americana, se os dados indicarem uma inflação ainda resiliente nas próximas semanas.

    A informação não é irrelevante. Mesmo porque Warsh foi indicado para o cargo pelo presidente Donald Trump, que faz forte pressão para que os juros caiam, o que favoreceria o crescimento econômico americano.

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    Variações dos juros nos Estados Unidos mexem fortemente com os mercados globais. Se ocorrer uma alta, por exemplo, os títulos da dívida dos Estados Unidos, os Treasuries, tornam-se mais atrativos, o que reduz o interesse dos investidores por ativos de risco, como as ações negociadas em bolsa.

    Outra referência para o mercado continua sendo a guerra entre Estados Unidos e Irã, deflagrada em 28 de fevereiro. Embora o cenário seja especialmente instável, nesse front prevalecem as informações de que a tensão diminuiu e ainda há espaço para a negociação de um acordo entre os dois países.

    O fato é que o preço do petróleo, depois de esboçar pequena queda, subiu nesta sessão. O barril do tipo Brent, a referência internacional da commodity, aumentou 1,29%, a US$ 83,55. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, avançou 1,15%, a US$ 78,18.

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    No cenário interno, os investidores acompanharam a divulgação de mais um dado sobre a inflação. O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), registrou deflação de 0,86% em julho. A expectativa do mercado, contudo, era de uma redução de até 0,93%.

    Com o resultado, o índice acumula alta de 2,12% no ano e de 2,77% em 12 meses. Em julho de 2025, o IGP-DI havia caído 0,07% e acumulava alta de 2,91% em 12 meses.

    O IGP-DI mede a variação de preços de toda a cadeia produtiva, desde matérias-primas até produtos finais. Ele é uma média ponderada de três indicadores: o IPA (com dados do atacado), com peso de 60% no resultado final; o IPC (consumidor), com 30%; e o INCC (construção civil), com 10%.

    Rafael Dadoorian, especialista em renda fixa da Convexa, observa que os juros futuros também caíram nesta sexta-feira, com fechamento mais evidente nos vencimentos intermediários e longos. “O movimento encontra suporte num cenário de inflação mais favorável, com o IGP-DI registrando deflação de 0,87% em julho, além de dados mais fracos do mercado de trabalho americano”, diz.

    Ele observa que essas informações reduziram a pressão sobre os juros globais. “No mercado doméstico, a curva também continua repercutindo a decisão do Copom de reduzir a Selic para 14% e a sinalização de cautela do Banco Central em relação aos próximos passos da política monetária”, afirma.

    Emerson Junior, da mesa de câmbio da corretora, destaca que, com a divulgação do “payroll” abaixo das expectativas, o mercado afastou apostas de alta de juros pelo Fed em setembro. “Isso provocou uma queda global do dólar”, diz.

    João Vitor Saccardo, da área de renda variável, considera que a queda da Bolsa pode ter sido influenciada pela saída de capital estrangeiro do Brasil, que voltou a apostar em investimentos em empresas focadas em inteligência artificial (IA). O Ibovespa, nota o analista, também refletiu o recuo de ações de peso do índice, caso da Petrobras, Vale, bancos, além de varejistas como Renner e Magalu.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/negocios/dolar-cai-emprego-eua-bolsa.

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