Economia

    Dólar, Bolsa e juros: como mercado brasileiro deve reagir nesta 5ª após Copom e Fed?

    Sede do Banco Central em Brasília 17/12/2024. REUTERS/Adriano Machado " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2025/07/2025-07-28T113436Z_1_LYNXMPEL6R0JJ_RTROPTP_4_BRAZIL-ECONOMY.jpg?fit=1280%2C853&quality=70&strip=all" />Após uma Super Quarta de sinais mistos, investidores avaliam até que ponto o tom duro do Fed pode ofuscar a porta aberta deixada pelo Copom para novos cortes de juros The post Dólar, Bolsa e juros: como mercado brasileiro deve reagir nesta 5ª após Copom e Fed? appeared first on InfoMoney .

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    17 de setembro de 2026 às 08:00
    Dólar, Bolsa e juros: como mercado brasileiro deve reagir nesta 5ª após Copom e Fed?
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    A Super Quarta trouxe dois recados importantes para os mercados. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve subiu juros em 0,25 ponto percentual, para entre 3,75% e 4% ao ano, o presidente do Kevin Warsh adotou um discurso duro contra a inflação e reforçou a percepção de juros elevados por mais tempo. No Brasil, por outro lado, o Copom (Comitê de Política Monetária) entregou o corte de 0,25 ponto percentual amplamente esperado , levando a Selic para 13,75%, mas sem fechar a porta para novas reduções.

    O resultado é um cenário misto para os ativos brasileiros, em que a direção da Bolsa, do dólar e da curva de juros passa a depender da interpretação dos investidores sobre qual dos dois vetores será dominante nas próximas semanas.

    Antes mesmo da decisão do Banco Central brasileiro, o mercado local já havia sentido o peso da mensagem do Fed. O Ibovespa acelerou as perdas durante a tarde após as declarações de Warsh sobre inflação e encerrou o dia em queda de 0,51%, acompanhando o ajuste observado nas bolsas americanas.

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    Para Vinicius Flores, sócio e gestor da Stratton Capital, a decisão do Fed veio dentro do esperado, mas carregou uma mensagem claramente hawkish (dura, mostrando preocupação com a inflação).

    “O Fed com certeza começou o seu esforço máximo contra a inflação”, afirma. Na sua avaliação, a comunicação do banco central americano sugere até mesmo o início de um novo ciclo de aperto monetário nos Estados Unidos.

    A leitura é semelhante à de Beto Saadia, economista-chefe da Nomos. Segundo ele, o Fed procurou reconstruir credibilidade em meio aos questionamentos sobre sua independência e entregou uma mensagem mais dura do que o mercado esperava.

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    Para Saadia, o cenário de “higher for longer” (juros mais altos por mais tempo) volta a ganhar força, pressionando a curva de juros americana e sustentando o dólar globalmente. Isso tende a criar um ambiente menos favorável para ativos de risco, incluindo mercados emergentes.

    Já no caso do Copom, a XP destacou que o comunicado manteve praticamente a mesma estrutura da reunião anterior, preservando um tom cauteloso, mas mantendo aberta a possibilidade de novos cortes de juros. A casa observa que o Banco Central incorporou ao cenário uma inflação mais comportada e sinais mais claros de desaceleração da atividade econômica.

    O Banco Central deixou os próximos passos em aberto ao afirmar, ao fim da última reunião de política monetária antes das eleições presidenciais, que o atual cenário de incerteza demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. Em comunicado com poucas alterações de conteúdo em relação ao documento da reunião de agosto do colegiado, o BC apresentou visão mais firme de uma moderação da atividade, mas trouxe percepção ligeiramente mais negativa para as projeções de inflação.

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    “Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”, disse o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC em comunicado, reafirmando mensagem de dependência de dados passada também na reunião do colegiado em agosto.

    O ponto mais relevante foi a manutenção da projeção de inflação de 3,2% para o horizonte relevante da política monetária, mesmo com mudanças na composição das estimativas. Para a XP, isso reforça a visão de continuidade do ciclo de afrouxamento monetário.

    A corretora segue projetando Selic em 13,25% no fim deste ano e 11,50% em meados de 2027.

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    Na mesma linha, Gustavo Cruz, estrategista-chefe da Sincra, avalia que o comunicado trouxe avanços importantes no diagnóstico da economia.

    Segundo ele, o Banco Central passou a afirmar que a desaceleração da atividade não apenas é sugerida pelos indicadores, mas efetivamente “mostrada” pelos dados recentes. Além disso, tanto a inflação cheia quanto os núcleos passaram a ficar abaixo do teto da meta, uma evolução em relação à reunião anterior.

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    Para Cruz, o cenário-base continua sendo de manutenção dos cortes graduais de 0,25 ponto percentual.

    Bolsa deve olhar mais para os juros domésticos

    Depois da reação inicial ao Fed, parte do mercado passou a enxergar o comunicado do Copom como um contraponto positivo para os ativos brasileiros.

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    Para Augusto Parente, fundador da AW Capital, o fato de o Banco Central não ter encerrado explicitamente o ciclo de cortes pode favorecer a Bolsa na abertura seguinte, desta quinta-feira (17).

    Na visão dele, os investidores podem voltar a precificar novas reduções da Selic nas próximas reuniões, o que tende a beneficiar especialmente ações domésticas mais sensíveis aos juros.

    Já Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, argumenta que, passada a reação ao Fed, o foco tende a voltar para os fatores locais, especialmente as pesquisas eleitorais.

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    Segundo ele, investidores continuam aumentando exposição a ativos brasileiros diante da expectativa de alternância de poder e de uma política econômica mais comprometida com o ajuste fiscal.

    O economista-chefe da Asset1, Luis Fernando Cezario, também ressalta que os fatores domésticos vêm desempenhando papel crescente na formação dos preços dos ativos, especialmente o debate eleitoral e as incertezas políticas recentes.

    Sobre o dólar, há forças contrárias. As falas de Warsh fortalecem o dólar globalmente. O presidente do Fed deixou claro que ainda não vê progresso suficiente na inflação e afirmou que as condições financeiras americanas não parecem suficientemente restritivas.

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    Além disso, listou três fatores para a recente alta dos rendimentos dos Treasuries: a força da economia americana, a crescente competição global por capital em meio ao aumento dos investimentos corporativos e os riscos geopolíticos.

    Comitê reduz Selic em 0,25 ponto percentual sem “forward guidance”. Petróleo, El Niño e urnas pesam na decisão.

    Já o real continua amparado pelo diferencial de juros, com a avaliação de que a moeda brasileira deve permanecer relativamente estável, sustentada pelos fundamentos externos do país e pelo elevado nível da taxa real doméstica.

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    Marcos Vinícius Oliveira, da ZIIN Investimentos, compartilha visão semelhante. Segundo ele, o nível ainda elevado da Selic ajuda o real a resistir ao fortalecimento global do dólar, mesmo em um ambiente de petróleo mais alto.

    Curva de juros: disputa entre Fed e Copom

    O mercado de juros talvez seja onde a disputa entre Fed e Copom fique mais evidente.

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    Para Augusto Parente, o comunicado do Banco Central brasileiro favorece um fechamento adicional da curva, na medida em que preserva a possibilidade de novos cortes.

    Já Bruno Perri, economista-chefe da Fórum Investimentos, adotou uma leitura mais conservadora.

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    Na avaliação dele, apesar do corte da Selic, o comunicado trouxe diversos elementos hawkish, como a preocupação com a inflação de serviços, os riscos associados ao petróleo e as incertezas eleitorais.

    Perri entende que o Banco Central deixou claro não ter compromisso prévio com novas reduções e que uma pausa no próximo encontro do Copom permanece um cenário plausível.

    Para a ZIIN, o tom também foi mais cauteloso do que parte do mercado vinha esperando. A casa destaca que as projeções de inflação para 2026 e 2027 seguem acima do centro da meta, o que pode justificar uma interrupção do ciclo caso os próximos dados não confirmem uma desaceleração mais intensa da economia.

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    Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/mercados/dolar-bolsa-e-juros-como-mercado-brasileiro-deve-reagir-nesta-5a-apos-copom-e-fed/.

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