Dólar abre próximo da estabilidade com guerra no Oriente Médio e cenário eleitoral no radar
O dólar abriu próximo da estabilidade nesta quarta-feira (2), com investidores acompanhando o aumento das tensões no Oriente Médio e à espera da pesquisa eleitoral Quaest, prevista para ser divulgada nesta manhã.

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O dólar abriu próximo da estabilidade nesta quarta-feira (2), com investidores acompanhando o aumento das tensões no Oriente Médio e à espera da pesquisa eleitoral Quaest, prevista para ser divulgada nesta manhã.

Por volta das 9h35, a moeda americana subia 0,08%, a R$ 5,157. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante outras seis divisas fortes, também avançava, mas em ritmo moderado, com alta de 0,04%.
Na terça-feira (1º) , a moeda americana caiu 0,55%, a R$ 5,152, enquanto a Bolsa encerrou em alta de 1,27%, a 179.722 pontos.
O desempenho do dólar foi na contramão do exterior, onde o índice DXY, que mede o desempenho da moeda ante seis outras divisas fortes, avançou 0,28%, a 99,70 pontos.

O Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, encerrou o dia no maior valor de fechamento desde 12 de maio, quando fechou aos 180.342 pontos.
O desempenho dos ativos domésticos foi impulsionado pela alta do petróleo , que favoreceu as ações de empresas do setor, pelos dados do PIB (Produto Interno Bruto) e pelo cenário eleitoral brasileiro.
Assim como na véspera (31) , investidores repercutiram a retomada dos ataques dos EUA ao Irã no Oriente Médio .

Nesta terça, o presidente dos Estados Unidos , Donald Trump , afirmou que qualquer acordo assinado com o Irã "não vale o papel no qual é escrito" e que Washington deu "muitas chances" a Teerã para que a guerra acabasse.
Os EUA também realizaram novos ataques contra o Irã na região sul do país , ao longo do estreito de Hormuz. Explosões foram ouvidas a leste de Bandar Abbas e nas proximidades da ilha de Qeshm, informou a emissora estatal iraniana.
Nesta manhã, dois superpetroleiros com bandeira da Arábia Saudita já haviam sido atingidos enquanto navegavam pelo estreito. Segundo a empresa de dados Kpler, cada uma das embarcações carregava 2 milhões de barris de petróleo bruto saudita.

Os novos ataques impulsionam os preços do petróleo. Por volta das 17h, o barril do Brent, referência mundial da commodity, avançava 7,57%, a US$ 95,06.
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Para Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX, a retomada dos ataques amplia os temores sobre possíveis impactos na infraestrutura de escoamento de petróleo do Irã.
"A tensão reforça a tendência de redução dos fluxos físicos de petróleo e derivados que saem do Golfo Pérsico em direção a outras regiões. Consequentemente, aumenta a pressão sobre o balanço global de oferta e demanda da commodity, contribuindo para preços em níveis elevados", diz.
A valorização do petróleo beneficiou as ações do setor petrolífero brasileiro. Os papéis da Petrobras (preferenciais), da Prio e da PetroReconcavo subiam 4,06%, 2,24% e 3,48%, respectivamente.
Para Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, a alta do petróleo também aumenta o interesse de investidores estrangeiros pelo setor brasileiro.
"Diante da escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio e do consequente salto nos preços do barril de petróleo no exterior, as grandes gestoras globais voltaram seus olhares para empresas como a Petrobras."
A entrada de recursos estrangeiros para investimentos na Bolsa brasileira exige a conversão de dólares em reais. Esse movimento aumenta a oferta da moeda americana no mercado doméstico, desvalorizando sua cotação e contribuindo para a alta do real.
Outro destaque da sessão foi a divulgação do PIB . O indicador desacelerou no Brasil no segundo trimestre, com avanço de 0,5% na comparação com os três meses imediatamente anteriores, segundo dados divulgados nesta terça-feira (1º) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A perda de ritmo era aguardada por analistas, principalmente devido aos efeitos dos juros elevados sobre a atividade econômica. O resultado veio após alta de 1,1% no primeiro trimestre.
A taxa de 0,5% ficou levemente acima da mediana das projeções do mercado financeiro, de 0,4%, segundo a agência Bloomberg.
Para analistas, o resultado reforça a perspectiva de continuidade do ciclo de cortes dos juros. A Selic está atualmente em 14% ao ano. "Os dados divulgados hoje seguem compatíveis com a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário nas próximas reuniões", diz Yihao Lin, economista da Genial Investimentos.
Juros mais baixos tendem a beneficiar a Bolsa ao reduzir a atratividade da renda fixa e estimular a busca por ativos de maior risco. Quando as taxas permanecem elevadas, a renda fixa se torna mais atrativa, o que pode limitar o apetite por ações.
O cenário eleitoral brasileiro também permaneceu no radar. Pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira mostra Lula (PT) com 38% das intenções de voto no primeiro turno da disputa presidencial, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 30%. Em um eventual segundo turno, os dois aparecem empatados com 44%. Em julho, Lula tinha 45%, ante 42% de Flávio.
O resultado se soma a outras pesquisas que apontam uma redução da diferença entre os líderes da disputa.
No levantamento BTG/Nexus de segunda-feira (31), Lula tinha 37% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro somava 31%. Em 24 de agosto, os candidatos tinham 40% e 34%, respectivamente. Em um eventual segundo turno, Lula aparecia com 46%, ante 45% de Flávio, mesmos percentuais registrados na pesquisa anterior.
Para Gabriel Macarini, advisor sênior da Blue3 Investimentos, os resultados "mostraram o atual presidente Lula enfraquecendo frente às candidaturas de Flávio Bolsonaro e Augusto Cury".
Analistas avaliam que Flávio Bolsonaro tem um perfil mais alinhado à disciplina fiscal do que o atual presidente, Lula. Na última semana, em entrevista ao Jornal Nacional, o candidato do PL afirmou que, se eleito, fará um ajuste na dívida pública sem mexer na Previdência Social ou na política de valorização do salário mínimo.
No mesmo programa, Lula afirmou não estar preocupado com a dívida pública brasileira , mas disse que a responsabilidade fiscal "baliza" sua vida.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/dolar-abre-proximo-da-estabilidade-com-guerra-no-oriente-medio-e-cenario-eleitoral-no-radar.shtml.

Cédulas de dólares empilhadas - Sam Mircovich/Reuters · Sam Mircovich/Reuters — Foto: UOL
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