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    Dólar abre em queda com tensão no Oriente Médio e alta do petróleo

    O dólar abriu em baixa nesta segunda-feira (31), com investidores repercutindo a retomada de ataques dos EUA ao Irã no Oriente Médio . Leia mais (08/31/2026 - 09h57)

    Folha de S.Paulo
    31 de agosto de 2026 às 12:57
    Dólar abre em queda com tensão no Oriente Médio e alta do petróleo
    Notas de dólar americano sobrepostas, com foco na nota de cem dólares mostrando o retrato de Benjamin Franklin e detalhes do texto 'United States of America' e 'In God We Trust'. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O dólar abriu em baixa nesta segunda-feira (31), com investidores repercutindo a retomada de ataques dos EUA ao Irã no Oriente Médio .

    Cédulas de dólares empilhadas - Sam Mircovich/Reuters · Sam Mircovich/Reuters
    Cédulas de dólares empilhadas - Sam Mircovich/Reuters · Sam Mircovich/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Por volta das 9h40, a moeda americana recuava 0,39%, a R$ 5,177. No mesmo horário, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante outras seis divisas fortes, também recuava, com baixa de 0,14%.

    Os EUA atacaram dois lançadores iranianos na ilha de Larak, no estreito de Hormuz, neste domingo (30). Segundo o Centcom (Comando Central do Exército dos Estados Unidos), a ação foi "limitada e precisa" contra forças da Guarda Revolucionária que representavam uma ameaça ao estreito de Hormuz.

    Foi o primeiro ataque conhecido dos EUA contra o Irã desde o fim de julho. Em resposta, a Guarda Revolucionária iraniana afirmou ter lançado mísseis balísticos contra duas bases aéreas americanas na Jordânia, alegando ter causado "graves danos".

    Estreito de Hormuz: crise afeta petróleo, fertilizantes e exportações do Brasil
    Estreito de Hormuz: crise afeta petróleo, fertilizantes e exportações do Brasil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os ataques impulsionam os preços do petróleo. Por volta das 9h40, o barril Brent, referência mundial da commodity, avançava 2,97%, a US$ 90,71. A alta deve beneficiar as empresas petroleiras do Brasil.

    Na sexta-feira (28), a moeda fechou em alta de 0,63%, a R$ 5,196, enquanto a Bolsa encerrou o dia com avanço de 0,30%, aos 175.664 pontos.

    Na semana passada, o dólar registrou avanço de 1,05%, enquanto a Bolsa subiu 2,71%. No ano, a moeda registra queda de 5,9%, e a Bolsa, alta de 8,7%.

    Entenda o impacto da inflação e dos juros dos EUA no Brasil
    Entenda o impacto da inflação e dos juros dos EUA no Brasil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Durante o pregão de sexta, investidores adotaram maior cautela com uma sinalização de alta de juros nos EUA.

    Durante o encontro promovido em Jackson Hole, nos EUA, o presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), Kevin Warsh, afirmou que a instituição terá trabalho a fazer caso a inflação americana continue acima da meta.

    A fala reforçou a perspectiva de uma política monetária mais restritiva, em um momento em que a taxa de juros está na faixa entre 3,5% e 3,75%. A perspectiva de juros mais altos favoreceu ativos considerados mais seguros, como o dólar e os títulos do Tesouro americano, e pressionou mercados emergentes.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O foco do pregão esteve no exterior, com investidores repercutindo o simpósio anual do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) em Jackson Hole. O evento teve discurso do presidente da instituição, Kevin Warsh.

    Segundo Warsh, o banco central dos EUA terá trabalho a fazer caso a inflação do país não retorne à meta de 2%. "Este é o meu critério: devemos estar confiantes de que a inflação está caminhando em direção à nossa meta, de forma clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer. Esse é o nosso trabalho, nosso mandato e nossa responsabilidade", disse.

    Para Warsh, "o progresso nos últimos dois anos tem sido modesto" no combate à inflação. O índice de preços PCE , indicador preferido do Fed para mensurar a inflação nos EUA, subiu 3,7% nos 12 meses até julho.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A inflação anual dos Estados Unidos permanece acima da meta de 2% do Fed e reforça as expectativas de juros mais altos. Segundo Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, o comportamento "valorizou o dólar, faz com que os juros brasileiros abrissem e gerou um movimento de realização de curto prazo nos mercados emergentes."

    O discurso também impactou as apostas para a próxima reunião do Fed, marcada para 15 e 16 de setembro. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, analistas agora veem 57,5% de probabilidade de uma alta dos juros para o intervalo entre 3,75% e 4%. Antes das falas, a expectativa predominante era de manutenção da taxa.

    Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, o discurso reforçou uma postura mais restritiva do Fed com a inflação novamente no centro das decisões de política monetária dos Estados Unidos. "Ainda que os últimos dados mostrem uma trajetória mais favorável, o índice permanece distante da meta, exigindo cautela da autoridade monetária".

    Segundo Alves, para o investidor brasileiro, a combinação de juros altos nos EUA, fortalecimento do dólar, incerteza eleitoral e fragilidade fiscal doméstica dificulta uma valorização consistente do real. "O ambiente externo oferece pouco suporte à moeda brasileira, tornando sua trajetória cada vez mais dependente do cenário interno".

    Nos EUA, o discurso também impactou os ativos. As Bolsas S&P 500 e Nasdaq recuaram, respectivamente, 0,27% e 0,51% No mercado de juros, o rendimento do título do Tesouro dos EUA com vencimento em dez anos avançou 6 pontos-base, para 4,731%.

    Analistas também mantiveram no radar as negociações envolvendo a guerra no Irã . Na quarta, Teerã anunciou ter chegado a um acordo com Omã para controlar o estreito de Hormuz , a estratégica via marítima por onde passava um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito antes do atual conflito.

    Segundo o vice-chanceler Kazem Gharibabadi, o estreito permanecerá obstruído até que os detalhes do arranjo sejam finalizados, o que não ocorreu ainda. A declaração aumentou a dúvida sobre o anúncio, já que, segundo a Guarda Revolucionária, a medida só será implementada quando os EUA concordarem com seus termos.

    Na quinta, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse não haver negociações em andamento entre Washington e Teerã.

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    Investidores ainda repercutiram aos dados do IPCA-15 divulgados na última quarta . O IBGE mostrou que o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) teve deflação de 0,4% em agosto. A deflação foi a primeira do índice em um ano, desde agosto de 2025 (-0,14%), e a maior em quatro anos.

    Segundo economistas consultados pelo Boletim Focus, a previsão é de que o IPCA encerre 2025 a 5,02%, acima do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) para o indicador.

    Para os analistas, a Selic, taxa básica de juros brasileira, deve terminar a 13,75% ao ano —redução de 0,25% em relação ao patamar atual de 14% .

    Uma Selic mais baixa tende a beneficiar a Bolsa e outros ativos de renda variável. A queda dos juros, contudo, diminui a atratividade da estratégia de carry trade, isto é, tomar recursos em economias com taxas mais baixas, como a americana, e aplicá-los na brasileira para lucrar com essa diferença percentual.

    O pregão ainda teve a divulgação da abertura de 58,6 mil vagas formais, conforme o Novo Caged. O saldo foi o menor para julho desde o início da série, em 2020, e ficou abaixo das 112 mil vagas esperadas por economistas e das 133,9 mil abertas no mesmo mês de 2025.

    O dado reforçou sinais de desaceleração do mercado de trabalho brasileiro, o que pode reduzir a pressão sobre o Banco Central para manter a Selic em alta.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/dolar-abre-em-queda-com-tensao-no-oriente-medio-e-alta-do-petroleo.shtml.

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