Dólar abre em queda com dados de desemprego e nova pesquisa eleitoral
O dólar abriu em queda nesta terça-feira (29). Às 9h54, a moeda recuava 0,34%, cotada a R$ 5,207. Entre os destaques do começo do pregão está a nova pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada nesta manhã, que mostrou o senador Flávio Bolsonaro ( PL ) com 47,7% das intenções de voto no segundo turno da disputa pelo Planalto, contra 47,6% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ). Leia mais (09/29/2026 - 10h07)

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O dólar abriu em queda nesta terça-feira (29). Às 9h54, a moeda recuava 0,34%, cotada a R$ 5,207. Entre os destaques do começo do pregão está a nova pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada nesta manhã, que mostrou o senador Flávio Bolsonaro ( PL ) com 47,7% das intenções de voto no segundo turno da disputa pelo Planalto, contra 47,6% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ).

Como a margem de erro é de 1 ponto percentual, os dois estão tecnicamente empatados. No levantamento anterior, Flávio tinha 47,4%, enquanto Lula somava 47,7%. No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, registrava leve alta de 0,11%.
No cenário doméstico, os investidores também repercutem os novos dados de atividade e mercado de trabalho do país. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que a taxa de desemprego recuou para 5,3% no trimestre móvel até agosto , ante 5,6% nos três meses encerrados em maio, que servem de base de comparação.
O indicador é o menor para o intervalo até agosto na série histórica da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), iniciada em 2012. O novo resultado veio em linha com a mediana das projeções do mercado financeiro, que também era de 5,3%, segundo a agência Bloomberg.

Depois de dias de alta, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, as Treasuries, amanheceram em queda. Na segunda-feira (28), a taxa dos títulos de dez anos chegou a atingir 5,271%, enquanto, nesta terça, a máxima até o momento foi de 5,261%.
Às 9h57, o petróleo Brent também cedia cerca de 1,80%, cotado a aproximadamente US$ 103 o barril.
Na véspera (28), a moeda americana fechou em alta de 0,78%, a R$ 5,225, enquanto a Bolsa recuou 0,26%, a 182.991 pontos. O movimento espelhou um cenário externo mais cauteloso. Lá fora, os preços do petróleo voltaram a avançar e aumentaram a busca por ativos de segurança, como a moeda americana.

A cautela se espalhou pelos mercados globais. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana ante outras seis divisas fortes, subiu 0,24%. As Bolsas americanas. S&P 500, Dow Jones e Nasdaq tiveram quedas de 0,77%, 0,67% e 0,92%, respectivamente.
A alta nos preços do petróleo aconteu após o presidente dos Estados Unidos , Donald Trump , rejeitar uma oferta iraniana de trégua temporária na guerra no Oriente Médio .
O Irã apresentou na semana passada na ONU (Organização das Nações Unidas) um plano para encerrar as hostilidades e reabrir o estreito de Hormuz, o que facilitaria o fornecimento de petróleo no mundo.

Trump, no entanto, rejeitou a proposta ao afirmar que os iranianos "querem chegar a um acordo, mas não é o acordo que eu quero fazer".
"Esse aumento dos preços acaba refletindo a recusa dos Estados Unidos em relação a uma proposta temporária de paz, tendo como contrapartida a suspensão imediata das sanções sobre o petróleo iraniano e também a liberação de ativos congelados do Irã pelos Estados Unidos. [...] Isso acabou frustrando as expectativas iniciais do mercado em relação a uma possível retomada mais forte das exportações de petróleo", diz Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX.
A alta dos preços aumenta as expectativas de inflação , o que eleva a cautela dos investidores e tende a pressionar ativos de risco. Por outro lado, o movimento melhora as perspectivas de receita e rentabilidade das empresas produtoras, caso das petrolíferas brasileiras.
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No Brasil, os juros futuros também avançaram, com as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) para 2027 e 2029 encerrando a 13,57% e 13,90%, altas de 2 e 9 pontos-base, respectivamente.
Durante o dia, os investidores ainda repercutiram a divulgação de uma nova pesquisa presidencial Quaest, que mostra a reação dos eleitores à proibição das bets . A Quaest ouviu 2.004 eleitores entre quinta-feira (24) e domingo (27), com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
O levantamento mostra o presidente Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, ante 34% do senador Flávio Bolsonaro. Na pesquisa anterior, divulgada no dia 21, os percentuais eram de 37% e 33%, respectivamente.
No segundo turno, o cenário é de empate numérico: tanto Lula quanto Flávio registram 42% das intenções de voto. Na pesquisa anterior, Lula tinha 41%, uma variação de um ponto percentual, dentro da margem de erro.
"A Quaest mantém o segundo turno empatado numericamente e não traz nenhum ânimo positivo novo. Haja vista que o cenário se manteve, o mercado continua acompanhando mais o cenário externo, de aversão ao risco, e principalmente um potencial aumento inflacionário", diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.
Em conjunto com a alta do petróleo e com o fluxo para as empresas brasileiras de commodities, o acirramento da corrida eleitoral tem impulsionado os ativos domésticos . Parte do mercado avalia que uma eventual alternância de poder poderia resultar em uma condução fiscal mais sólida, com impacto sobre a percepção de risco do mercado doméstico.
Uma percepção de maior controle sobre a trajetória da dívida pode reduzir o prêmio exigido pelos investidores para financiar o governo e, consequentemente, aliviar a pressão sobre a curva de juros. Juros mais altos encarecem o crédito para empresas e reduzem a expectativa de lucros das companhias, o que tende a pesar sobre a Bolsa.
Em setembro, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, sobe 6,4%, e o dólar recua 0,25%. O movimento é inverso ao de agosto, quando a Bolsa encerrou o mês em queda de 0,32%, e o dólar teve alta de 2,21%.
Ainda há, contudo, incerteza sobre a política econômica dos candidatos. Flávio Bolsonaro defende um ajuste fiscal sem mexer na Previdência ou na política de valorização do salário mínimo , enquanto o governo Lula propõe reduzir o ritmo de crescimento dos gastos obrigatórios e aprimorar o arcabouço fiscal . Economistas , porém, avaliam que um ajuste duradouro teria de atingir aposentadorias e benefícios sociais.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/dolar-abre-em-queda-nesta-terca-apos-desemprego-apresentar-menor-indice-desde-2012.shtml.

Notas de dólar - Pedro Affonso/Folhapress · Pedro Affonso/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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