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    Dólar abre em alta nesta quinta após EUA aumentarem recompra de títulos do Tesouro

    O dólar abriu em alta nesta quinta-feira (20), refletindo a redução do alívio no mercado de títulos públicos dos Estados Unidos com o anúncio de medidas de apoio que ajudaram a moeda a se desvalorizar na quarta-feira.

    UOL
    20 de agosto de 2026 às 13:00
    Dólar abre em alta nesta quinta após EUA aumentarem recompra de títulos do Tesouro
    Mãos seguram e contam várias notas de dólar americano de um dólar, com outras notas espalhadas sobre uma superfície abaixo. — Foto: UOL

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    O dólar abriu em alta nesta quinta-feira (20), refletindo a redução do alívio no mercado de títulos públicos dos Estados Unidos com o anúncio de medidas de apoio que ajudaram a moeda a se desvalorizar na quarta-feira.

    Pessoa segura notas de dólares - Dado Ruvic/Reuters · Dado Ruvic/Reuters
    Pessoa segura notas de dólares - Dado Ruvic/Reuters · Dado Ruvic/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Às 9h16, a moeda norte-americana subia 0,31%, cotada a R$ 5,1939. Na quarta-feira (19), a divisa fechou em queda de 0,85%, a R$ 5,177, enquanto a Bolsa subiu 0,85%, aos 167.830 pontos, encerrando uma série de 11 fechamentos negativos.

    Os investidores reagiram ao anúncio do Tesouro dos EUA de aumentar o volume de recompra de títulos de longo prazo . A medida reduziu os rendimentos dos Treasuries e favoreceu a busca por ativos de mercados emergentes.

    O movimento enfraqueceu o dólar também no exterior. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana ante seis outras divisas, recuou 0,26% durante a sessão.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    A Bolsa também foi beneficiada. Na máxima, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, chegou a subir 2,41%, aos 170.340 pontos.

    Nesta quarta, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos afirmou que dobrará o volume de recompras de títulos de longo prazo da dívida pública americana, em uma tentativa de dar mais liquidez ao mercado após a forte alta dos rendimentos desses papéis.

    O órgão informou que elevará de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões o volume das operações de recompra de títulos com vencimento entre 10 e 20 anos e entre 20 e 30 anos. Segundo o Tesouro, a medida busca "oferecer maior suporte à liquidez" nos segmentos mais longos do mercado de dívida, avaliado em US$ 30 trilhões.

    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável
    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A decisão teve impacto nos mercados. Os preços dos títulos do Tesouro americano e seus rendimentos se movem em direções opostas: quando os preços dos Treasuries caem, os investidores exigem rendimentos maiores para comprá-los; quando os preços sobem, os rendimentos recuam.

    Assim, rendimentos mais altos nos Treasuries tornam os títulos americanos mais atraentes em relação a ativos de outros países, o que tende a favorecer o dólar e pressionar mercados emergentes, como o Brasil. O movimento contrário, como o observado nesta quarta-feira, tende a favorecer ativos desses mercados, como real e Bolsa.

    A decisão de ampliar as recompras ocorre em um momento de crescente tensão no mercado de títulos mais importante do mundo. Na terça-feira (18), o rendimento dos títulos de 30 anos chegou a quase 5,34%, o maior nível desde 2007.

    Segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, a recompra atua como um mecanismo de alívio tático de curto prazo para garantir liquidez ao mercado americano.

    "Não é uma ferramenta capaz de alterar estruturalmente a trajetória dos juros longos. A tendência de longo prazo das taxas americanas é ditada por fundamentos macroeconômicos, como a persistência da inflação , o ritmo de crescimento econômico, o tamanho do déficit fiscal do governo e a condução da política monetária pelo Fed ", diz.

    A analista vê espaço para o Brasil se beneficiar do diferencial de juros em relação aos Estados Unidos em momentos de maior tensão no mercado. No chamado carry trade, investidores buscam ativos de países com juros mais altos para se beneficiar da diferença de remuneração, o que pode favorecer os ativos brasileiros.

    Para ela, contudo, caso os juros longos americanos voltem a subir com força, o cenário para os ativos brasileiros pode se deteriorar. "A atratividade renovada da renda fixa dos EUA provocaria uma forte saída de capital estrangeiro da Bolsa brasileira, pressionando o Ibovespa para baixo e revertendo o otimismo recente."

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    Para Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX, o movimento do Tesouro americano também piorou a percepção de risco dos ativos dos EUA. "Isso levou investidores a diversificarem e reduzirem a participação desses ativos em suas carteiras", afirma.

    "A percepção é de que olharam para a intervenção do Tesouro e concluíram que esse movimento é insustentável e não deve ser capaz, por si só, de impedir uma nova alta dos rendimentos. Com isso, avaliaram negativamente as implicações da medida para a economia americana, especialmente para as contas públicas, e buscaram investimentos em outros mercados", diz.

    Segundo Mattos, o principal fator por trás desse movimento é a preocupação com as perspectivas fiscais do país. "Os Estados Unidos registram déficits elevados há muito tempo e não têm demonstrado apetite por uma consolidação fiscal [...] A perspectiva de um endividamento crescente traz dúvidas sobre a capacidade de pagamento dessas economias no longo prazo".

    Em reação ao anúncio, o rendimento da Treasury de 30 anos caiu 0,09 ponto percentual, para 5,2%. A decisão também mexeu com a trajetória dos juros futuros brasileiros.

    A taxa DI de 2028 recuou a 13,89% ante fechamento de 13,97% na véspera (queda de 8 pontos-base), enquanto o vencimento de 2035 caiu de 14,779% para 14,660% (recuo de 11 pontos-base).

    As taxas dos DIs refletem a expectativa do mercado para a trajetória futura da Selic e do CDI, referência para a remuneração de investimentos.

    Os investidores também reagiram à divulgação da ata do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA).

    Segundo o documento, a preocupação com a inflação aumentou na última reunião, e "vários" dirigentes se mostraram dispostos a elevar os juros. "Muitos" consideraram necessária uma alta caso a inflação não recue à meta de 2%, para evitar um aperto monetário mais intenso no futuro.

    O índice de preços PCE, principal métrica de inflação acompanhada pelo Fed, acumulou alta de 3,7% nos 12 meses até junho.

    Na reunião de julho, o Fed manteve os juros na faixa entre 3,5% e 3,75% . Três dirigentes defenderam uma alta de 0,25 ponto percentual.

    "O ponto central é que os membros que defenderam a alta não estavam apenas isolados em uma posição. A ata mostra que alguns argumentaram que subir agora ajudaria a evitar altas maiores mais adiante. É o argumento clássico de antecipação: apertar um pouco agora para não precisar apertar muito depois. E é um argumento que costuma convencer os membros indecisos", diz Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/dolar-abre-em-alta-nesta-quinta-apos-eua-aumentarem-recompra-de-titulos-do-tesouro.shtml.

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