Dólar abre em alta com petróleo e tensão no Oriente Médio no radar
O dólar abriu em alta nesta quinta-feira (20), com a elevação dos preços do petróleo aumentando a cautela dos investidores. Leia mais (08/20/2026 - 09h49)

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O dólar abriu em alta nesta quinta-feira (20), com a elevação dos preços do petróleo aumentando a cautela dos investidores.

Por volta das 9h40, a moeda americana subia 0,22%, a R$ 5,188. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante seis outras divisas fortes, rondava a estabilidade, com queda de 0,06%.
O movimento reverte parcialmente o observado na véspera. Na quarta-feira (19), o dólar fechou em queda de 0,85%, a R$ 5,177, enquanto a Bolsa subiu 0,85%, aos 167.830 pontos, encerrando uma sequência de 11 pregões de queda.
No radar do pregão está a nova escalada do conflito entre Washington e Teerã. Na quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que vai conduzir uma "guerra econômica sem precedentes" contra o Irã e ameaçou países que "oferecem qualquer tipo de salvação" financeira ao regime iraniano.

Em resposta, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o plano tem como objetivo "distrair da própria crise dos Estados Unidos" . Nos últimos dias, o Irã também avaliou atacar alvos militares americanos na Europa caso Trump intensifique a guerra, segundo pessoas próximas ao regime.
O estreito de Hormuz permanece fechado, enquanto Teerã exige que os Estados Unidos cumpram condições de um acordo provisório firmado em junho. Entre as exigências estão o fim do bloqueio aos portos iranianos, a suspensão das sanções sobre o petróleo, a liberação de ativos congelados e a interrupção de ameaças e operações militares americanas.
Considerado estratégico para o comércio global, o estreito de Hormuz era responsável, antes da guerra, pela passagem de cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo. Com a interrupção da rota, investidores voltam a temer um choque de oferta de energia e uma nova pressão sobre a inflação global, o que aumenta a cautela nos mercados.

Com o cenário indefinido, o barril de petróleo volta a subir. Por volta das 10h, o Brent, referência mundial da commodity, avançava 2,35%, a US$ 93,79.
Na terça, os investidores reagiram ao anúncio do Tesouro dos EUA de aumentar o volume de recompra de títulos de longo prazo . A medida reduziu os rendimentos dos Treasuries e favoreceu a busca por ativos de mercados emergentes.
O órgão informou que elevará de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões o volume das operações de recompra de títulos com vencimento entre 10 e 20 anos e entre 20 e 30 anos. Segundo o Tesouro, a medida busca "oferecer maior suporte à liquidez" nos segmentos mais longos do mercado de dívida, avaliado em US$ 30 trilhões.

A decisão teve impacto nos mercados. O rendimento da Treasury de 30 anos caiu 0,09 ponto percentual, para 5,2%. O rendimento dos títulos de 10 anos, referência para ativos que somam trilhões de dólares em todo o mundo, caiu 0,07 ponto percentual, para 4,64%.
A decisão também mexeu com a trajetória dos juros futuros brasileiros. A taxa DI de 2028 recuou a 13,89% ante fechamento de 13,97% na véspera (queda de 8 pontos-base), enquanto o vencimento de 2035 caiu de 14,779% para 14,660% (recuo de 11 pontos-base).
A decisão de ampliar as recompras ocorre em um momento de crescente tensão no mercado de títulos mais importante do mundo. Na terça-feira (18), o rendimento dos títulos de 30 anos chegou a quase 5,34%, o maior nível desde 2007.
Os preços dos títulos do Tesouro americano e seus rendimentos se movem em direções opostas: quando os preços dos Treasuries caem, os investidores exigem rendimentos maiores para comprá-los; quando os preços sobem, os rendimentos recuam.
Assim, rendimentos mais altos nos Treasuries tornam os títulos americanos mais atraentes em relação a ativos de outros países, o que tende a favorecer o dólar e pressionar mercados emergentes, como o Brasil. O movimento contrário, como o observado nesta quarta-feira, tende a favorecer ativos desses mercados, como real e Bolsa.
Internamente, a medida do Tesouro busca conter os efeitos da alta dos juros sobre o custo de financiamento de empresas e consumidores. Os rendimentos dos títulos de longo prazo servem de referência para diversas modalidades de crédito, incluindo financiamentos imobiliários. Quando essas taxas sobem, o custo dos empréstimos tende a aumentar, pressionando o orçamento das famílias e os custos das empresas.
Segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, a recompra atua como um mecanismo de alívio tático de curto prazo para garantir liquidez ao mercado americano.
"Não é uma ferramenta capaz de alterar estruturalmente a trajetória dos juros longos. A tendência de longo prazo das taxas americanas é ditada por fundamentos macroeconômicos, como a persistência da inflação , o ritmo de crescimento econômico, o tamanho do déficit fiscal do governo e a condução da política monetária pelo Fed ", diz.
Para ela, caso os juros longos americanos voltem a subir com força, o cenário para os ativos brasileiros pode se deteriorar. "A atratividade renovada da renda fixa dos EUA provocaria uma forte saída de capital estrangeiro da Bolsa brasileira, pressionando o Ibovespa para baixo e revertendo o otimismo recente."
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Para Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX, o movimento do Tesouro americano também piorou a percepção de risco dos ativos dos EUA. "Isso levou investidores a diversificarem e reduzirem a participação desses ativos em suas carteiras", afirma.
"A percepção é de que olharam para a intervenção do Tesouro e concluíram que esse movimento é insustentável e não deve ser capaz, por si só, de impedir uma nova alta dos rendimentos. Com isso, avaliaram negativamente as implicações da medida para a economia americana, especialmente para as contas públicas, e buscaram investimentos em outros mercados", diz.
Segundo Mattos, o principal fator por trás desse movimento é a preocupação com as perspectivas fiscais do país. "Os Estados Unidos registram déficits elevados há muito tempo e não têm demonstrado apetite por uma consolidação fiscal [...] A perspectiva de um endividamento crescente traz dúvidas sobre a capacidade de pagamento dessas economias no longo prazo".
Os investidores também reagiram à divulgação da ata do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA).
Segundo o documento, a preocupação com a inflação aumentou na última reunião, e "vários" dirigentes se mostraram dispostos a elevar os juros. "Muitos" consideraram necessária uma alta caso a inflação não recue à meta de 2%, para evitar um aperto monetário mais intenso no futuro.
O índice de preços PCE, principal métrica de inflação acompanhada pelo Fed, acumulou alta de 3,7% nos 12 meses até junho. Na reunião de julho, o Fed manteve os juros na faixa entre 3,5% e 3,75% . Três dirigentes defenderam uma alta de 0,25 ponto percentual.
"O ponto central é que os membros que defenderam a alta não estavam apenas isolados em uma posição. A ata mostra que alguns argumentaram que subir agora ajudaria a evitar altas maiores mais adiante. É o argumento clássico de antecipação: apertar um pouco agora para não precisar apertar muito depois.", diz Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/dolar-abre-em-alta-nesta-quinta-apos-eua-aumentarem-recompra-de-titulos-do-tesouro.shtml.

Pessoa segura notas de dólares - Dado Ruvic/Reuters · Dado Ruvic/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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