Dólar abre em alta com cenário eleitoral e fim da escala 6x1 no radar
O dólar abriu em alta nesta quarta-feira (14), com investidores cautelosos diante da volatilidade eleitoral e à espera de uma nova pesquisa de intenção de voto para a Presidência, prevista para depois do fechamento do pregão.

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O dólar abriu em alta nesta quarta-feira (14), com investidores cautelosos diante da volatilidade eleitoral e à espera de uma nova pesquisa de intenção de voto para a Presidência, prevista para depois do fechamento do pregão.

Por volta das 9h30, a moeda americana subia 0,41%, a R$ 5,044. No mesmo horário, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante outras seis moedas fortes, avançava 0,05%.
No cenário doméstico, os investidores também acompanham a possível aprovação do fim da escala 6x1, que pode elevar os custos das empresas. No exterior, os dados de inflação dos Estados Unidos, previstos para esta quarta, estão no radar por oferecerem sinais sobre os próximos passos do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) em relação aos juros.
Nesta quarta-feira, será divulgada a primeira pesquisa Quaest sobre o segundo turno da eleição presidencial. O levantamento está previsto para às 18h, com divulgação pela GloboNews. O resultado deve trazer novos sinais sobre a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Na véspera (13), o dólar fechou em alta de 0,74%, cotado a R$ 5,022, no primeiro pregão após o feriado, em um cenário de volatilidade cambial durante a disputa eleitoral e de redução do otimismo que marcou os mercados na semana passada, após o primeiro turno das eleições.
O Ibovespa fechou em queda de 1,04%, aos 206.872 pontos, em um movimento de realização de lucros após os recordes registrados na semana passada.
A cautela dos investidores ocorre em meio à retomada da divulgação de pesquisas eleitorais. Levantamento BTG/Nexus divulgado nesta terça mostrou o senador Flávio Bolsonaro ( PL ) com 52% dos votos válidos na disputa pela Presidência da República, contra 48% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, o que configura empate técnico entre os candidatos.

Para Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad, a alta do dólar ante o real também reflete a valorização internacional da moeda americana durante o feriado no Brasil. Embora o movimento desta terça pareça destoar do comportamento do dólar frente a outras moedas. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante seis moedas fortes, caiu 0,37%.
"Historicamente, é esperado que a volatilidade do câmbio se eleve em períodos eleitorais, e fatores domésticos podem fazer mais preço nesses momentos que os externos", afirma.
Na Bolsa, o pregão foi marcado pela realização de lucros após as máximas recentes. O Ibovespa também foi pressionado pela queda da Vale, que acompanhou a desvalorização do minério de ferro na China, enquanto as ações da Petrobras sustentaram ganhos.

Felipe Cima, analista de renda variável da Manchester Investimentos, também vê uma revisão do otimismo que marcou os negócios após o primeiro turno . Segundo ele, a retomada da divulgação de pesquisas eleitorais e a possibilidade de avanço de pautas como o fim da escala 6x1 podem aumentar a cautela dos investidores.
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Para Rodrigo Moliterno, sócio e head de renda variável da Veedha Investimentos, o cenário externo também influenciou os negócios, diante dos riscos geopolíticos e das oscilações recentes do petróleo . Por volta das 17h10, o barril do Brent, referência internacional, recuava 0,50%, cotado a US$ 106,14.
Os juros futuros fecharam em alta, após a forte queda da semana passada. As taxas dos contratos com vencimento em janeiro de 2028 subiram 0,187 ponto percentual, para 12,715% ao ano. Na ponta longa da curva, os contratos para janeiro de 2035 avançaram 0,245 ponto percentual, para 12,590% ao ano.
Após o primeiro turno, o resultado eleitoral contribuiu para a queda dos juros e foi recebido com otimismo por parte do mercado financeiro. Investidores associam uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro à perspectiva de uma política fiscal mais restritiva , com maior controle dos gastos públicos e medidas para melhorar a trajetória das contas públicas.
Os investidores também acompanharam a divulgação do Boletim Focus . Os economistas elevaram a previsão de inflação e reduziram a estimativa para a taxa básica de juros neste ano, mas mantiveram as projeções para os principais indicadores de 2027.
O boletim foi o primeiro levantamento a captar os efeitos do resultado eleitoral. A pesquisa anterior, divulgada no dia 5, havia sido encerrada em 1º de outubro, antes do primeiro turno. Para 2027, os analistas mantiveram a previsão de inflação em 4,3%, a taxa de juros em 12% e o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 1,4%.
Em Wall Street, as Bolsas fecharam em queda. O Dow Jones recuou 0,35%, enquanto o S&P 500 caiu 0,02% e o Nasdaq perdeu 0,15%.
Segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, os investidores acompanham as iniciativas do presidente americano Donald Trump para tentar costurar um acordo entre Rússia e Ucrânia . Uma possível retomada das exportações russas de diesel poderia ampliar a oferta global da commodity e aliviar a pressão sobre os preços da energia.
"Sabemos que existe uma pressão sobre os preços do diesel, tanto nos Estados Unidos quanto no restante do mundo, o que acaba elevando os custos e pressionando a inflação global. Isso tem impactos negativos para a economia ", diz o especialista.
A perspectiva de aumento da oferta de petróleo e derivados também influencia os títulos do Tesouro americano, conhecidos como Treasuries. Os rendimentos desses papéis, referência para os juros globais, fecharam em queda nesta terça. Às 17h17, os títulos de dez anos tinham rendimento de 5,210%, recuo de 0,52%, enquanto os de 30 anos rendiam 5,561%, queda de 0,61%.
"Uma eventual resolução do conflito entre Rússia e Ucrânia poderia facilitar a reintegração da Rússia ao mercado global de energia. [...] A perspectiva de maior oferta acaba pressionando os preços do petróleo e, consequentemente, os rendimentos dos títulos", afirma Castro Alves.
Os investidores também acompanham o início da temporada de balanços nos Estados Unidos. Entre os resultados divulgados nesta terça estão os dos bancos JPMorgan e Wells Fargo. O primeiro apresentou números abaixo das expectativas, enquanto o segundo superou as projeções de lucro.
A agenda dos próximos dias inclui resultados de empresas ligadas à cadeia de inteligência artificial , como ASML e TSMC, além da divulgação do CPI, índice de preços ao consumidor americano, prevista para quarta-feira (14). O indicador pode influenciar as expectativas para a política monetária dos Estados Unidos.
A próxima reunião do Fed está marcada para os dias 27 e 28 de outubro. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, os mercados atribuíam 78,4% de probabilidade à manutenção dos juros e 21,6% a uma alta para a faixa de 4% a 4,25% ao ano.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/dolar-abre-em-alta-com-cenario-eleitoral-e-fim-da-escala-6x1-no-radar.shtml.

Notas de US$ 100 - Martin Zabala - 2.jan.26/Xinhua · Martin Zabala - 2.jan.26/Xinhua — Foto: UOL
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