Dois erros não fazem um acerto
Vinte e cinco anos depois, o 11 de Setembro permanece como marco histórico não apenas pela dimensão do horror, que deixou 2.977 mortos , excluídos os 19 sequestradores, mas pela sucessão de decisões políticas tomadas em seu nome. Leia mais (09/10/2026 - 22h00)

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Vinte e cinco anos depois, o 11 de Setembro permanece como marco histórico não apenas pela dimensão do horror, que deixou 2.977 mortos , excluídos os 19 sequestradores, mas pela sucessão de decisões políticas tomadas em seu nome.
A manhã em que aviões comerciais foram lançados por terroristas liderados por Osama bin Laden contra as torres do World Trade Center e o Pentágono expôs a vulnerabilidade da maior potência mundial. A reação demonstraria que democracias também podem infligir danos duradouros a si mesmas quando, dominadas pelo medo, abrem mão de limites legais, controles institucionais e exame dos fatos.
Os atentados exigiam resposta à Al Qaeda e ao regime do Talibã no Afeganistão . Não justificavam tortura, prisões por tempo indeterminado, centros clandestinos de detenção, vigilância em massa ou a invasão do Iraque .

O governo George W. Bush explorou o trauma para ampliar poderes e conduzir uma guerra baseada em premissas falsas. Saddam Hussein não participara dos ataques nem possuía arsenais de destruição em massa apresentados como ameaça iminente.
O conflito derrubou uma ditadura sanguinária, mas deixou centenas de milhares de mortos, fortaleceu o Irã e contribuiu para o extremismo que se pretendia combater. A ocupação do Afeganistão se prolongou por duas décadas para terminar com a volta do mesmo Talibã ao poder.
A Guerra ao Terror mostrou como uma sociedade atacada pode confundir defesa com licença para agir sem freios. Guantánamo, Abu Ghraib e os programas secretos da CIA não constituíram desvios menores, mas violações dos valores que o país dizia proteger.

Esse legado nocivo ganha relevância renovada no segundo mandato de Donald Trump .
O 11 de Setembro não criou o trumpismo, e seria simplista traçar uma linha direta entre os atentados e a atual erosão democrática americana. A resposta aos ataques, contudo, ajudou a normalizar uma Presidência mais poderosa, a invocação constante de emergências e uma linguagem política fundada em ameaças.
Em vez de concentrar a mobilização num inimigo estrangeiro, o republicano tornou alvos parcelas da sociedade : imigrantes, universidades, jornalistas, servidores, adversários e instituições capazes de limitar o Executivo.
O medo do terrorismo cedeu espaço ao medo do outro. Cindido num grau não observado havia décadas, o país nunca mais se uniria como nas horas que se seguiram àquela manhã de 11 de Setembro, vinte e cinco anos atrás.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/dois-erros-nao-fazem-um-acerto.shtml.

Torres do World Trade Center logo após o ataque do segundo avião, em Nova York (Estados Unidos) - Sean Adair - 11.set.01/Reuters · Sean Adair - 11.set.01/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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