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    Dois brasileiros do 11 de Setembro estão fora da lista oficial de mortos

    Dois brasileiros que desapareceram em Nova York nos ataques de 11 de Setembro nunca entraram na lista oficial de mortos. Nilton Albuquerque Fernão Cunha e Claudino Antunes Braga não estão entre as 2.753 vítimas reconhecidas na cidade nem têm seus nomes inscritos no Memorial do 11 de Setembro . Leia mais (09/11/2026 - 14h15)

    Folha de S.Paulo
    11 de setembro de 2026 às 17:15
    Dois brasileiros do 11 de Setembro estão fora da lista oficial de mortos
    Policial em uniforme azul escuro segura flores brancas e observa com gesto pensativo o Memorial do 11 de Setembro, onde dezenas de pequenas bandeiras americanas e flores estão fincadas nas bordas do monumento. Ao fundo, árvores e outras pes — Foto: Folha de S.Paulo

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    Dois brasileiros que desapareceram em Nova York nos ataques de 11 de Setembro nunca entraram na lista oficial de mortos. Nilton Albuquerque Fernão Cunha e Claudino Antunes Braga não estão entre as 2.753 vítimas reconhecidas na cidade nem têm seus nomes inscritos no Memorial do 11 de Setembro .

    Bombeiros de Nova York prestam homenagem a vítimas do 11 de Setembro nesta sexta (11), nos 25 anos do atentado - Jeenah Moon/Reuters · Jeenah Moon/Reuters
    Bombeiros de Nova York prestam homenagem a vítimas do 11 de Setembro nesta sexta (11), nos 25 anos do atentado - Jeenah Moon/Reuters · Jeenah Moon/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O Itamaraty afirmou à Folha na quinta (10) que não dispõe de uma lista oficial de brasileiros mortos nos atentados e que cabe às autoridades americanas determinar as vítimas.

    Segundo a assessoria de imprensa do ministério, o Consulado-Geral em Nova York recebeu, ao longo de setembro de 2001, pedidos de busca por 93 brasileiros que não haviam entrado em contato com seus familiares depois dos ataques.

    Após buscas em hospitais, listas oficiais e empresas do World Trade Center, além de contatos com parentes e amigos, a maior parte foi localizada. "No fim de setembro, apenas cinco nomes permaneciam na lista de brasileiros ainda não localizados", informou o Itamaraty.

    25 anos dos atentados de 11 de Setembro
    25 anos dos atentados de 11 de Setembro — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os familiares desses cinco receberam assistência do consulado no contato com as autoridades americanas "para fornecimento de amostras de DNA e eventual localização dos brasileiros entre as vítimas". O ministério não informou quem eram os cinco nem deu detalhes sobre a assistência prestada individualmente, sob argumento de preservar o direito à privacidade.

    Nilton Cunha, engenheiro capixaba, tinha 41 anos e acredita-se que estava no 108º andar da torre norte, no escritório de uma empresa japonesa. Trabalhava de forma autônoma para companhias interessadas na importação de componentes eletrônicos. Dias antes dos ataques, escreveu em um email: "Estou cem andares acima do solo, dá para sentir frio".

    Ele tinha ido a Nova York para uma viagem de uma semana e tinha passagem de volta marcada para 12 de setembro de 2001. Filho único, deixou a mãe, então com 72 anos, no Brasil. O empresário Marcelo Chagas Menezes, que era cliente de Nilton, comunicou seu desaparecimento na ocasião ao Consulado do Brasil em Nova York.

    Veja fotos do 11 de Setembro
    Veja fotos do 11 de Setembro — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em reportagem publicada pela Folha ainda em setembro de 2001, Menezes disse que autoridades americanas haviam enviado formulários para que parentes do engenheiro pudessem fornecer informações destinadas a uma eventual identificação por DNA. A família, porém, não chegou a enviar amostras. Nilton nunca foi incluído na lista oficial de mortos.

    O caso de Claudino Braga tem um rastro documental menor. Mineiro, morador da periferia de Belo Horizonte, ele tinha 48 anos. Sua mulher e seus três filhos nem sequer sabiam que ele estava nos Estados Unidos .

    Segundo as informações reunidas pela Folha em 2021, Claudino havia entrado ilegalmente no país pelo México algumas semanas antes dos atentados. Em seu último contato com um primo, contou que havia conseguido trabalho como engraxate no World Trade Center. Depois do ataque, não houve mais notícias dele. Seu nome também não aparece na relação do memorial.

    Flores são vistas sobre os nomes das vítimas do ataque terrorista de 11 de setembro, na cidade de Nova York - Michael M. Santiago - 11.set.25/Getty Images via AFP · Michael M. Santiago - 11.set.25/Getty Images via AFP
    Flores são vistas sobre os nomes das vítimas do ataque terrorista de 11 de setembro, na cidade de Nova York - Michael M. Santiago - 11.set.25/Getty Images via AFP · Michael M. Santiago - 11.set.25/Getty Images via AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Três brasileiros, por outro lado, são oficialmente reconhecidos como mortos nos ataques: Ivan Kyrillos Fairbanks Barbosa, 30, Anne Marie Sallerin Ferreira, 29, e Sandra Fajardo Smith, 37.

    Ivan e Anne Marie trabalhavam na Cantor Fitzgerald, empresa financeira instalada nos andares mais altos da torre norte. Sandra, contadora da Marsh & McLennan, trabalhava no 98º andar.

    No vigésimo aniversário dos ataques, em 2021, a Folha entrevistou o médico Ivan Fairbanks Barbosa, então com 80 anos, pai de Ivan Kyrillos. "É muito difícil encarar uma morte sem um cadáver para enterrar", disse.

    Flores coloridas repousam sobre nomes gravados em superfície de memorial escuro, com fundo desfocado de árvores e luzes.
    Flores coloridas repousam sobre nomes gravados em superfície de memorial escuro, com fundo desfocado de árvores e luzes. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ele contou que, após o ataque, a família passou dias atrás de informações contraditórias sobre o filho. "As comunicações foram interrompidas, aí chegavam informações erradas, como a de que Ivan estava no hospital x. Ligávamos no lugar e nada. Essa busca durou ao menos 15 dias, até que não havia mais informação para checar."

    Vinte e cinco anos depois dos ataques, o trabalho de identificação das vítimas ainda não terminou. O órgão de medicina legal de Nova York, o OCME (Office of Chief Medical Examiner), já conseguiu associar restos mortais a 1.654 das 2.753 vítimas oficialmente reconhecidas nos ataques na cidade. Outras 1.099 fazem parte da lista de mortos, mas ainda não tiveram restos identificados.

    A identificação mais recente foi divulgada há cerca de duas semanas. Trata-se de uma mulher, cujo nome não foi revelado a pedido da família, e foi a primeira vítima dos ataques identificada com ajuda da genealogia genética investigativa forense, a FIGG.

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    A técnica cruza o DNA extraído de restos mortais com perfis disponíveis em bancos de genealogia genética comerciais que permitem buscas forenses. Mesmo sem uma amostra de pai, mãe, filho ou irmão, coincidências com parentes mais distantes podem permitir a construção de árvores familiares e levar a uma provável identidade, depois confirmada por outros exames.

    O OCME tem ainda 47 perfis de DNA obtidos de restos mortais do World Trade Center que não correspondem às amostras familiares de referência disponíveis. Segundo uma antropóloga forense do órgão ouvida recentemente pela ABC News, é nesse grupo que os investigadores concentram agora os esforços com a genealogia genética.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Procurados, o OCME e o 9/11 Memorial & Museum não responderam até a publicação desta reportagem.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/dois-brasileiros-do-11-de-setembro-estao-fora-da-lista-oficial-de-mortos.shtml.

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    Bombeiros de Nova York prestam homenagem a vítimas do 11 de Setembro nesta sexta (11), nos 25 anos do atentado - Jeenah Moon/Reuters · Jeenah Moon/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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