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    Documentário mostra o 11 de Setembro na passagem da memória à história

    Michael Smoak tinha cinco anos quando aviões sequestrados pela Al Qaeda atingiram as Torres Gêmeas e o Pentágono, em 11 de setembro de 2001. Nascido na Carolina do Sul, conheceu melhor o atentado por vídeos e documentários. Ao ver os Fuzileiros Navais em ação, decidiu que queria ser um deles. Leia mais (09/14/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    15 de setembro de 2026 às 02:00
    Documentário mostra o 11 de Setembro na passagem da memória à história
    A imagem mostra um edifício em colapso, com uma grande nuvem de fumaça e detritos sendo expelidos de sua parte superior. O céu está claro, mas a cena é dominada pela fumaça escura e fragmentos que caem ao redor. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Michael Smoak tinha cinco anos quando aviões sequestrados pela Al Qaeda atingiram as Torres Gêmeas e o Pentágono, em 11 de setembro de 2001. Nascido na Carolina do Sul, conheceu melhor o atentado por vídeos e documentários. Ao ver os Fuzileiros Navais em ação, decidiu que queria ser um deles.

    Momento em que uma das torres do World Trade Center começou a colapsar após ser atingida por avião sequestrado por terroristas da Al Qaeda, em Nova York, em 2001 - Chang W. Lee - 11.set.01/The New York Times · Chang W. Lee - 11.set.01/The N
    Momento em que uma das torres do World Trade Center começou a colapsar após ser atingida por avião sequestrado por terroristas da Al Qaeda, em Nova York, em 2001 - Chang W. Lee - 11.set.01/The New York Times · Chang W. Lee - 11.set.01/The N — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Vinte anos mais tarde, Smoak estava no Afeganistão . Em agosto de 2021, participou da caótica retirada americana de Cabul , cercado por uma multidão que tentava entrar no aeroporto e fugir do avanço do Talibã. Viu afegãos entregarem bebês aos soldados por cima dos muros. Tinha pouco mais de 20 anos e se perguntava se aquela experiência o faria perder a capacidade de sentir compaixão.

    Smoak é um dos personagens de " Ponto de Virada: Geração 11 de Setembro ", documentário de Brian Knappenberger lançado pela Netflix no mês em que os atentados completam 25 anos. Sua história resume a pergunta que atravessa o filme. "Me pergunto muito se valeu a pena", diz, referindo-se a duas décadas de operações militares e guerra.

    A pergunta ganha importância num momento em que o 11 de Setembro começa a deixar de ser lembrança para virar história. O historiador Garrett Graff observa que se aproxima o momento em que mais da metade dos norte-americanos terá nascido depois dos ataques. Para jovens ouvidos no filme, o atentado já é algo que aprenderam como aprendem sobre guerras na escola.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Knappenberger tenta registrar o que existe entre esses dois tempos. Resgata as mensagens de voz deixadas por passageiros dos aviões para maridos, mulheres e filhos e ouve adultos que eram crianças quando perderam os pais e hoje procuram reconstruí-los por fotografias e lembranças alheias.

    Mas acerta sobretudo ao ampliar o significado de "geração 11 de Setembro". Estão no filme norte-americanos brancos e negros, imigrantes vietnamitas, muçulmanos que viveram a hostilidade desencadeada pelos atentados e afegãos cujas vidas foram transformadas pela guerra. Também aparecem jovens que conheceram o 11 de Setembro pelas redes sociais , onde fatos, desinformação e teorias da conspiração muitas vezes se misturam.

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    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A estrutura acompanha esse deslocamento. Mais da metade do documentário olha para os Estados Unidos e recupera, de maneira clara, o atentado e suas consequências. Depois, a narrativa atravessa o mundo e se instala no Afeganistão. Nova York deixa de ser o único cenário de uma história que, durante vinte anos, também se desenrolou do outro lado do planeta.

    As imagens do aeroporto de Cabul são dilacerantes. Não porque estabeleçam uma equivalência entre duas tragédias distintas, mas porque mostram onde desembocou uma das respostas norte-americanas ao 11 de Setembro. E é ali que o filme reencontra o garoto da Carolina do Sul que decidiu tornar-se fuzileiro naval.

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    Daqui a pouco, milhões de americanos conhecerão o 11 de Setembro apenas como história. Poderão aprender suas datas, guerras e decisões. O que "Geração 11 de Setembro" preserva é algo mais difícil de registrar: a maneira como aquele dia continuou acontecendo na vida de pessoas que eram crianças, ou que nem sequer tinham nascido, quando as torres caíram.

    E deixa para elas um questionamento, feito por Smoak, que 25 anos ainda não foram suficientes para responder: valeu a pena?

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/documentario-mostra-o-11-de-setembro-na-passagem-da-memoria-a-historia.shtml.

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    Momento em que uma das torres do World Trade Center começou a colapsar após ser atingida por avião sequestrado por terroristas da Al Qaeda, em Nova York, em 2001 - Chang W. Lee - 11.set.01/The New York Times · Chang W. Lee - 11.set.01/The N — Foto: Folha de S.Paulo

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