Documentário gravado no litoral do PR revela 'invasão silenciosa' e riscos à biodiversidade
Documentário gravado no litoral do PR revela 'invasão silenciosa' e riscos à biodiversidade Gabriel Marchi Nem todas as ameaças à biodiversidade e à saúde do planeta são visíveis ou facilmente percebidas. Para chamar a atenção para um problema que se agrava e ainda é pouco conhecido pela população, uma equipe voltada à conservação produziu o documentário Invasão Silenciosa. Gravado no litoral do Paraná, o filme mostra como o Complexo Estuarino de Paranaguá, apesar da riqueza natural, sofre diferentes impactos ambientais. Entre eles está a invasão de espécies não nativas transportadas pelo tráf
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Documentário gravado no litoral do PR revela 'invasão silenciosa' e riscos à biodiversidade — Foto: Gabriel Marchi
Nem todas as ameaças à biodiversidade e à saúde do planeta são visíveis ou facilmente percebidas. Para chamar a atenção para um problema que se agrava e ainda é pouco conhecido pela população, uma equipe voltada à conservação produziu o documentário Invasão Silenciosa.
Gravado no litoral do Paraná, o filme mostra como o Complexo Estuarino de Paranaguá, apesar da riqueza natural, sofre diferentes impactos ambientais . Entre eles está a invasão de espécies não nativas transportadas pelo tráfego marítimo.
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“Estamos falando de ostras, mexilhões e siris, uma fauna marinha que, em primeira vista, não apresenta ameaça alguma. Para revelar como elas afetam a vida local foi necessário exercitar a criatividade fotográfica, assim foi possível mostrar esses seres impactantes e, em alguns momentos, assustadores pelo grau de ameaça que representam. Encontrá-los não foi difícil, pois, infelizmente, estão por toda parte.”, comenta Gabriel Marchi, diretor, fotógrafo e editor do filme.
As espécies invasoras estão entre os principais motivos de perda de fauna e flora nativas no mundo . No Paraná, a invasão marinha é tema de estudos realizados por instituições como UNESPAR, UFPR e IFPR, mas ainda é pouco conhecida pela população em geral.
O documentário busca aproximar o tema da sociedade e mostrar a importância do problema.
“A mensagem principal que gostaríamos de deixar é que a sociedade precisa se posicionar e compreender que o problema das espécies invasoras não é um debate acadêmico distante. Ele afeta a vida de todos. Não apenas no caso de ameaças óbvias, como o mosquito da dengue, mas também com esses organismos marinhos invisíveis que desestruturam ecossistemas, encarecem a manutenção de estruturas urbanas e portuárias, prejudicam a pesca local e reduzem a qualidade ambiental.”, acrescenta Pablo Damian Borges Guilherme, Doutor em Ecologia e Conservação e Professor Adjunto da UNESPAR campus de Paranaguá.
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Segundo Pablo, já existem mais de 60 espécies não nativas associadas às atividades marítimas na região . Algumas delas afetam diretamente a economia e o cotidiano das comunidades locais.
No litoral do Paraná, o projeto concentra os estudos em organismos bentônicos de substrato consolidado, ou seja, aqueles que vivem fixos em superfícies rígidas, como rochas, raízes de mangue e estruturas artificiais de concreto, ferro, plástico e madeira.
A introdução de espécies não nativas e exóticas ocorre há décadas em zonas portuárias. Com o deslocamento de navios pelo mundo, organismos podem viajar incrustados nos cascos ou na água de lastro das embarcações e chegar a outros territórios.
Além de estudar esses organismos nos portos do litoral paranaense, os pesquisadores tentam entender os impactos da invasão sobre as comunidades tradicionais da região.
Um dos exemplos é a ostra-de-capuz ( Saccostrea cucullata ).
“Ela foi registrada pela primeira vez no Paraná em 2019, já é um organismo dominante em muitos costões dentro da baía de Paranaguá, substituindo ostras nativas e prejudicando pescadores que coletam e vendem ostras. Essa ostra invasora tem tamanho menor, sabor inferior, é muito mais difícil de abrir e pode causar ferimentos”, explica Rafael Metri, biólogo, professor da UNESPAR e pesquisador da Associação MarBrasil.
‘Invasão Silenciosa’: filme mostra ameaça 'invisível' no litoral do PR — Foto: Divulgação
O filme também mostra o impacto da invasão sobre a comunidade local . A história de Romildo Rosário, pescador que acompanha de perto essa realidade, aparece como parte do documentário.
Romildo também contribui com informações e troca experiências com os pesquisadores.
“Ele está a frente do seu tempo e sua consciência sobre o alerta que devemos ter é impressionante. Encontrá-lo foi um lapso de esperança, pois ele entende o problema e está em alerta, e em comunhão com pesquisadores, um exemplo disso é que ele foi o responsável por encontrar e descrever uma das espécies invasoras”, acrescenta Gabriel Marchi.
O objetivo do trabalho não é apontar culpados, mas mostrar o que está acontecendo. Segundo a equipe, existe um problema que envolve a biodiversidade marinha e a vida da sociedade, mas que ainda não recebe o debate necessário.
‘Invasão Silenciosa’: filme mostra ameaça 'invisível' no litoral do PR — Foto: Gabriel Marchi
"Nosso imaginário geralmente liga as grandes ameaças vindas oceano a coisas como ataques de tubarão, tsunamis, furacões ou até o derretimento das geleiras. Só que a bioinvasão acontece de um jeito bem diferente, quase sem ser notada. Ela vai avançando em silêncio, e os efeitos aparecem aos poucos, a ponto de a gente acabar achando que é algo normal. Quando percebemos, já houve mudanças grandes na região, algumas irreversíveis. O pior de tudo é que tercerizamos às ameaças do oceano, culpando o próprio pelos desastres, mas esquecemos (talvez por arrogância ou ignorância) que somos uma vertente importante, senão a maior delas, na causa desses desastres. Por isso, fazer este trabalho é justamente tentar mostrar uma ameaça que é menos visível, mas que pode ser tão grave quanto as outras.", comenta Marchi.
Compartilhar histórias como a de Romildo e mostrar a busca dos pesquisadores por respostas e resultados é uma forma de aproximar o tema das pessoas e, consequentemente, buscar soluções.
"Proteger a biodiversidade local é proteger a nossa própria economia e qualidade de vida. Por isso, informar-se e cobrar políticas públicas e projetos de gestão dos tomadores de decisão é um passo fundamental.", pontua Pablo.
Invasão Silenciosa foi produzido pela Olhar Nativo e é um dos produtos do projeto Marés de Mudança, executado pela FUNESPAR com recursos do Programa Biodiversidade do Litoral do Paraná, gerido pelo FUNBio.
O lançamento do documentário será no dia 22 de agosto, às 15h, na Cinemateca de Curitiba.
Os ingressos podem ser adquiridos por meio de um link do aplicativo Sympla . As vagas são limitadas.
Após a exibição, o documentário ficará disponível gratuitamente por um mês no YouTube. A equipe também avalia futuras exibições em outras localidades.
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Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2026/08/11/documentario-gravado-no-litoral-do-pr-revela-invasao-silenciosa-e-riscos-a-biodiversidade.ghtml.
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