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    Documentário constrói autorretrato de Marília Pêra com vasto arquivo

    O primeiro mérito de " Viva Marília " é, sem dúvida, evitar a fórmula mais tradicional do documentário -homenagem, que consiste em trazer amigos, críticos, colegas, conhecidos, especialistas em geral para falar bem do personagem. Nesse aspecto é possível chamar o filme de um autorretrato, já que na maior parte do tempo Marília Pêra fala de si mesma fora e dentro da atividade profissional. Leia mais (09/12/2026 - 13h00)

    Folha de S.Paulo
    12 de setembro de 2026 às 16:00
    Documentário constrói autorretrato de Marília Pêra com vasto arquivo
    Close-up mostra olhos femininos com maquiagem marcada, olhando para o lado direito. Parte do rosto está parcialmente coberta por um objeto ou tecido. — Foto: Folha de S.Paulo

    Expressa juízo de valor sobre a obra cultural comentada e destaca seus elementos positivos e negativos

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    Foto do arquivo pessoal de Marília Pêra presente no documentário 'Viva Marília' - Arquivo pessoal · Arquivo pessoal
    Foto do arquivo pessoal de Marília Pêra presente no documentário 'Viva Marília' - Arquivo pessoal · Arquivo pessoal — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O primeiro mérito de " Viva Marília " é, sem dúvida, evitar a fórmula mais tradicional do documentário -homenagem, que consiste em trazer amigos, críticos, colegas, conhecidos, especialistas em geral para falar bem do personagem. Nesse aspecto é possível chamar o filme de um autorretrato, já que na maior parte do tempo Marília Pêra fala de si mesma fora e dentro da atividade profissional.

    Mas não é um filme de falatório. Zelito Viana e Esperança Motta, os diretores, providenciaram uma vasta pesquisa, que abrange desde os trabalhos mais conhecidos no cinema e na TV até as cenas de infância, devidamente filmadas por seu pai, Manuel Pêra, e quase sempre bem preservadas.

    Lá está ela, mal começando a andar e já num palco. Sim, como era filha de atores, Marília entrou em cena ainda criança, trabalhando na companhia de Henriette Morineau, com direito a levar bronca e, pior, a ouvir do pai que ela era contratada por Mme. Morineau e, como tal, ela tinha todo o direito de lhe dar broncas.

    Marília Pêra tem vida narrada em documentário
    Marília Pêra tem vida narrada em documentário — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Talvez venha daí algo que se pode depreender do documentário: Marília Pêra foi, antes de tudo, uma atriz disciplinada. Dizer disciplinada é pouco. Quando precisou sapatear para fazer determinada peça, aprendeu a sapatear; quando precisou cantar, dedicou-se a estudar canto.

    O teatro era seu espaço natural. Mas se deu bem na televisão e nas novelas. Deixou o Rio por São Paulo para fazer " Beto Rockefeller " e se orgulha bastante de ter feito essa novela na TV Tupi que modernizou profundamente o gênero. Depois voltou para o Rio e foi novela atrás de novela. O cinema viria depois.

    Mas o importante é que se chega a tudo isso sem que ninguém ou quase ninguém tenha necessidade de discorrer sobre ela e suas virtudes. Em vez de se dedicar a acentuá-las, o filme limita-se a encontrá-la numa série de entrevistas —Marília Gabriela é a mais frequente, mas lá estão também Jô Soares e Hebe Camargo.

    Marília Pêra
    Marília Pêra — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    E, sim, esse grande entrevistador que foi Eduardo Coutinho a encara, em seu " Jogo de Cena ", enquanto ela declama uma fala —concebida por ela mesma ou por outra pessoa? Essa era dúvida que o filme queria que cada espectador levasse para casa.

    Em todo caso, foi Coutinho que a levou para o cinema, em " O Homem que Comprou o Mundo ", um de seus pouco vistos filmes de início de carreira. Mas ela vai adiante e faz " O Rei da Noite ", começo de carreira de Hector Babenco . Ela começa a gostar do exercício de algo que chama de " arte do diretor", em contraposição ao que seria o teatro, a arte do ator.

    Pode ser um lugar-comum, mas parece mais expressar o desejo de ter controle total sobre sua atuação e mesmo sobre o espetáculo. De fato, no cinema o controle é menor. O fato é que com Babenco, em " Pixote ", a atriz chegou ao sucesso internacional.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Do presente, do passado, da comédia, da tragédia, dos maridos, dos filhos —de tudo Marília fala com naturalidade. Muitas cenas de suas atuações são mostradas e a documentação é de fato notável, nada preguiçosa. Só Jô Soares parece surpreendê-la em dado momento ao perguntar se ela é ciumenta. Por uma vez Marília fica um tanto incômoda ao reconhecer que, sim, era. Mas, corrige —já não é mais.

    Em geral, Marília Pêra está muito à vontade, sorridente, feliz. É a imagem que queria construir ao longo das entrevistas que dava? . Isso não a impediu de um rasgo de sinceridade que coincide com um lugar-comum. Por que ser atriz? Bem, diz ela, o que toda atriz quer é ser amada.

    Em vida, ela foi, de fato. Terá a simpatia com que se comunicava em público ajudado a conquistar os espectadores? Pode ser. Mas não se pode ver esse filme sem sair de lá convencido de que a cena, para Marília, foi realmente um destino —tanto quanto amava ser amada, amava estar presente no teatro, na TV, no circo, no cinema, no recital de balé, onde fosse.

    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    E, sabe-se, sempre que quis saiu-se mais que bem em todas essas cenas. Nesse sentido, aliás, faz muita falta ao filme a cena notável de destruição de uma sacristia que fez em 1998 para "O Viajante", de Paulo Cezar Saraceni. Não se pode ter tudo.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/09/documentario-constroi-autorretrato-de-marilia-pera-com-vasto-arquivo.shtml.

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    Foto do arquivo pessoal de Marília Pêra presente no documentário 'Viva Marília' - Arquivo pessoal · Arquivo pessoal — Foto: Folha de S.Paulo

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