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    Do voto ao resultado: entenda o caminho dos dados após o fim da votação

    Após o fim da votação, informações passam por etapas de gravação, transmissão, conferência e totalização até que os resultados sejam divulgados O post Do voto ao resultado: entenda o caminho dos dados após o fim da votação apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    4 de outubro de 2026 às 19:00
    Do voto ao resultado: entenda o caminho dos dados após o fim da votação
    Foto: Olhar Digital

    Quando a votação termina, o trabalho da Justiça Eleitoral está longe de acabar. Depois que a última pessoa autorizada a votar deixa a cabine, os dados registrados na urna eletrônica passam por uma sequência de procedimentos até serem incorporados à totalização dos resultados.

    Nas Eleições 2026 , o 1º turno está sendo realizado neste domingo (4). A votação começou às 8h e vai até as 17h, no horário de Brasília , mas quem estiver na fila às 17h ainda terá direito de votar. A seção eleitoral só é encerrada depois que todos os eleitores que receberam senha terminam a votação.

    A urna eletrônica não possui conexão com a internet nem com outras redes de dados. Por isso, os arquivos são transmitidos por uma rede de comunicação utilizada especificamente para essa finalidade. Em locais de difícil acesso, a Justiça Eleitoral adota procedimentos próprios para o envio das informações.

    Processamento dos dados tem caminho complexo – Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE
    Processamento dos dados tem caminho complexo – Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A forma de recolhimento das mídias e de transmissão dos dados é definida pela juíza ou pelo juiz responsável por cada zona eleitoral. Elas podem ser levadas à sede da zona eleitoral, encaminhadas a um ponto de transmissão ou entregues diretamente a um servidor do tribunal ou profissional de apoio responsável pela transmissão, quando o procedimento ocorre no próprio local de votação.

    Quando a transmissão ocorre a partir do cartório eleitoral, é utilizado o Sistema Transportador, que opera por uma rede criptografada. Já em pontos de transmissão instalados fora das sedes dos cartórios, a Justiça Eleitoral utiliza o JE-Connect.

    O sistema JE-Connect foi desenvolvido pela própria Justiça Eleitoral e permite acelerar a totalização porque elimina a necessidade de transportar as mídias de resultado até os cartórios para realizar a transmissão. A tecnologia atualmente está presente em todos os estados brasileiros.

    Urna eletrônica atualizada
    Urna eletrônica atualizada — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Nos pontos de transmissão, os arquivos criptografados das mídias de resultado são enviados por computadores conectados a uma rede privada virtual (VPN, na sigla em inglês). Os dados já saem criptografados da urna e recebem nova camada de criptografia durante o processo.

    Antes que os resultados sejam incorporados à totalização, os sistemas da Justiça Eleitoral verificam a autenticidade e a integridade dos arquivos.

    Uma dessas etapas envolve a conferência da assinatura digital, que confirma que o resultado foi produzido pela urna eletrônica cadastrada para aquela seção. Depois das verificações, os resultados são incorporados à totalização.

    Rodrigo Mozelli
    Rodrigo Mozelli — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A totalização é realizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília (DF). O tribunal disponibiliza em seu portal os Boletins de Urna enviados para totalização e as tabelas de correspondências realizadas durante o período em que recebe os dados.

    Após a totalização final, os BUs são publicados e podem ser comparados com os boletins gerados pelas urnas de cada seção eleitoral. A conferência pode ser feita pelo documento impresso ou pela leitura do QR Code presente nele, por meio do aplicativo Boletim na Mão.

    O resultado final das Eleições 2026 será divulgado nos portais do TSE e dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), além do aplicativo Resultados.

    Processamento dos dados tem caminho complexo – Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE
    Processamento dos dados tem caminho complexo – Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Além dos dados gravados na mídia de resultado, os votos são registrados no Registro Digital do Voto (RDV). Trata-se de uma tabela digital na qual os votos são armazenados de maneira aleatória, sem revelar a ordem em que as pessoas votaram.

    O mecanismo funciona de maneira semelhante a uma urna de lona, na qual as cédulas de papel ficam embaralhadas. O RDV utiliza ferramentas de segurança da informação, como criptografia, assinatura digital e hash.

    O registro digital também permite uma recontagem automatizada dos votos. Partidos políticos e coligações podem obter cópias dos arquivos de RDV das urnas que considerarem necessárias e desenvolver aplicativos próprios para comparar a apuração oficial com aquela produzida por seus sistemas.

    A etapa de totalização não consiste simplesmente em somar todos os votos da mesma maneira. O processo considera as regras específicas dos sistemas majoritário e proporcional.

    No sistema majoritário, utilizado nas eleições para presidente, governador e senador, é considerada a candidatura ou chapa que obtiver a maior quantidade de votos válidos, conforme as regras de cada cargo.

    Já no sistema proporcional, utilizado para deputado federal, deputado estadual ou distrital, a distribuição das vagas considera os votos recebidos pelas candidaturas e aqueles destinados aos partidos e às federações.

    Também existem regras específicas para votos de candidaturas que ainda tenham pendências relacionadas ao registro. Na eleição majoritária, por exemplo, a validade definitiva dos votos de uma chapa cujo registro esteja sob recurso ou ainda não tenha sido analisado depende da decisão final que defira o registro.

    Na eleição proporcional, votos de candidaturas cujo registro esteja deferido, ainda seja objeto de recurso ou não tenha sido analisado podem ser considerados válidos. Caso o registro seja posteriormente indeferido ou cancelado nas situações previstas, os votos passam a ser contabilizados para o partido pelo qual a candidatura concorreu.

    Depois da totalização, entra em cena outra etapa: a proclamação dos resultados.

    Nos estados e no Distrito Federal, cabe aos TREs proclamar os eleitos para governador e vice-governador, senador e respectivos suplentes, além de deputados federais, distritais e estaduais e seus suplentes. No caso da Presidência da República, a responsabilidade pela proclamação dos eleitos é do TSE.

    Nas eleições majoritárias, são proclamadas as chapas com a maior votação válida, seguindo as regras específicas para situações que envolvam votos anulados ainda sob análise judicial. Já nas eleições proporcionais, a distribuição das vagas considera os votos válidos atribuídos a candidatos e legendas, excluindo os votos em branco e nulos.

    A legislação também prevê que, se uma votação for definitivamente anulada e os votos anulados representarem mais de 50% dos votos atribuídos a candidatos e legendas, uma nova eleição deverá ser marcada.

    A última etapa é a diplomação. Ela confirma o resultado das urnas e formaliza a condição de eleito ou suplente.

    Governadores, senadores e deputados recebem os diplomas dos respectivos TREs. Já os diplomas de presidente e vice-presidente da República são emitidos pelo TSE.

    O documento informa o nome da pessoa eleita, o partido, a federação ou coligação e o cargo conquistado ou a condição de suplente. Quando houver registro, o nome social é utilizado.

    Candidatos com registro indeferido não podem ser diplomados, mesmo que ainda estejam recorrendo da decisão. A expedição do diploma pode ser contestada em até três dias após o prazo final de diplomação, enquanto o mandato pode ser questionado na Justiça Eleitoral em até 15 dias após a diplomação, desde que a ação seja acompanhada de provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude.

    Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/10/04/pro/do-voto-ao-resultado-entenda-o-caminho-dos-dados-apos-o-fim-da-votacao/.

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