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    Do tráfico à morte: crimes em distribuidoras sobem em 8 cidades do DF

    Segundo a PCDF, das oito cidades que registraram aumento de ocorrências em distribuidoras, o Paranoá teve a maior alta, um total de 400%

    Metrópoles
    24 de agosto de 2026 às 10:55
    Do tráfico à morte: crimes em distribuidoras sobem em 8 cidades do DF
    Foto: Metrópoles

    O impacto das distribuidoras de bebidas na segurança pública é discutido há anos no Distrito Federal. Em março do ano passado, uma portaria do Governo do Distrito Federal (GDF) limitou o horário de funcionamento dos estabelecimentos, entre 6h e 0h em todo o DF, com o objetivo de reduzir a criminalidade registrada nesses locais e nas proximidades . A restrição teve a legalidade confirmada em agosto de 2025 pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT).

    Apesar da medida, a coluna Na Mira apurou, com base em dados da Polícia Civil do Distrito Federal , que, as distribuidoras de bebidas deixaram de ser apenas pontos de venda e passaram a ocupar um espaço cada vez mais sensível no mapa da criminalidade do Distrito Federal.

    De acordo com o levantamento, no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025, as ocorrências em distribuidoras e nas proximidades desses estabelecimentos registraram aumento em oito cidades do DF : Paranoá (400%), São Sebastião (133,3%), Sudoeste (100%), Vicente Pires (100%), Santa Maria (50%), Itapoã (42,9%), Brasília (25%) e Planaltina (20%).

    Guilherme Prímola / Arte Metrópoles
    Guilherme Prímola / Arte Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    O cenário é especialmente preocupante no Paranoá, onde os registros saltaram de 2 para 12 ocorrências no período analisado . Em São Sebastião, foram 20 casos, contra 6 no mesmo período anterior. No Sudoeste, os registros passaram de 3 para 9. Vicente Pires também aparece entre as regiões com crescimento expressivo.

    Os números ajudam a dimensionar um problema que já mobiliza órgãos de segurança, fiscalização e o Ministério Público. Em 17 de agosto, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) reuniu representantes da fiscalização e da segurança pública para discutir medidas contra irregularidades em distribuidoras de bebidas no Recanto das Emas.

    Entre os encaminhamentos estão a intensificação das fiscalizações, a realização de operações conjuntas e a adoção de providências contra estabelecimentos irregulares ou relacionados à prática de crimes.

    Do tráfico à morte: crimes em distribuidoras no Paranoá sobem 400%
    Do tráfico à morte: crimes em distribuidoras no Paranoá sobem 400% — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    De acordo com os dados levantados pela coluna, a violência não se restringe a ocorrências de menor potencial ofensivo.

    No primeiro semestre de 2026, foram contabilizados 116 registros de lesão corporal em distribuidoras de bebidas ou nas proximidades desses estabelecimentos.

    O tráfico de drogas aparece em seguida, com 76 ocorrências, liderando o ranking das ocorrências criminais associadas a esses estabelecimentosseguido por 30 contravenções e 19 tentativas de homicídio.

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    Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Também foram registrados três casos de tentativa de lesão corporal dolosa.

    O Metrópoles acompanhou e noticiou casos ocorridos nessas localidades nos últimos meses. Relembre os casos a seguir.

    Em 16 de julho, policiais da 23ª Delegacia de Polícia deflagraram a Operação Revoada, em Ceilândia. Quatro pessoas — três homens e uma mulher — foram presas durante a ação. Segundo a investigação, os proprietários do estabelecimento e funcionários utilizavam a estrutura comercial para armazenar e comercializar drogas. A operação teve nove mandados de busca e apreensão.

    Durante as buscas, os policiais apreenderam mais de 3 kg de cocaína, porções de maconha, balanças de precisão, materiais usados para o fracionamento e a comercialização de entorpecentes, uma pistola Glock modificada para disparos em rajada, munições, celulares e aproximadamente R$ 110 mil em dinheiro.

    Em 28 de abril, Pedro Henrique Barretos de Lima, conhecido como “Batata”, foi morto a tiros em frente a uma distribuidora na QNO 2, em Ceilândia . Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o atirador se aproxima da vítima e efetua o disparo. Dois suspeitos foram presos posteriormente pela Polícia Civil.

    Poucos dias depois, outro episódio chocante foi registrado no Gama. Em 10 de maio, um jovem foi assassinado com um tiro no pescoço em frente a uma distribuidora na Quadra 10 do Setor Sul.

    Imagens de segurança mostram a vítima sendo abordada por dois homens antes de um deles efetuar o disparo. O jovem chegou a ser socorrido, mas morreu no Hospital Regional do Gama.

    Em 26 de março, uma menina de apenas 5 anos ficou ferida por estilhaços de projéteis durante um tiroteio dentro de uma distribuidora em Samambaia . Segundo informações da Polícia Militar, dois homens discutiram dentro do estabelecimento. Um deles sacou uma arma e atirou contra o outro. A criança acabou atingida durante a troca de tiros.

    Em 6 de julho, uma briga generalizada ocorreu dentro de uma distribuidora de bebidas no Itapoã (DF) . Durante a confusão, duas mulheres desmaiaram após policiais militares utilizarem spray de pimenta para conter os envolvidos.

    Na ocasião, a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) informou que o estabelecimento possui histórico recorrente de ocorrências envolvendo vias de fato, brigas e desentendimentos entre frequentadores , principalmente após o encerramento dos eventos realizados no local.

    Segundo a corporação, o uso do gás faz parte do nível intermediário do emprego diferenciado da força e foi adotado com base nos princípios da necessidade e da proporcionalidade. A medida, de acordo com a PMDF, foi utilizada como alternativa menos lesiva para interromper as agressões e preservar a integridade física das pessoas presentes.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/distrito-federal/na-mira/do-trafico-a-morte-crimes-em-distribuidoras-sobem-em-8-cidades-do-df.

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