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    Do silêncio sobre câncer a boletins detalhados, Vaticano muda forma de falar da saúde dos papas

    Desde o silêncio sobre o câncer de João 23 aos boletins médicos detalhados sobre Francisco, passou-se mais de meio século, durante o qual a comunicação do Vaticano sobre a saúde dos papas foi se tornando gradualmente mais transparente. Leia mais (10/13/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    14 de outubro de 2026 às 02:00
    Do silêncio sobre câncer a boletins detalhados, Vaticano muda forma de falar da saúde dos papas
    Estátua de figura religiosa segurando cajado, iluminada à noite, em frente a prédio com várias janelas acesas. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Desde o silêncio sobre o câncer de João 23 aos boletins médicos detalhados sobre Francisco, passou-se mais de meio século, durante o qual a comunicação do Vaticano sobre a saúde dos papas foi se tornando gradualmente mais transparente.

    A estátua do papa João Paulo 2º em frente ao hospital Gemelli, onde o atual pontífice Leão 14 está internado - Stoyan Nenov - 13.out.26/Reuters · Stoyan Nenov - 13.out.26/Reuters
    A estátua do papa João Paulo 2º em frente ao hospital Gemelli, onde o atual pontífice Leão 14 está internado - Stoyan Nenov - 13.out.26/Reuters · Stoyan Nenov - 13.out.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Eleito aos 76 anos, o italiano Angelo Giuseppe Roncalli sofria de um câncer de estômago diagnosticado vários meses antes de sua morte, em 3 de junho de 1963.

    A gravidade de seu estado de saúde não foi divulgada.

    Em pleno Concílio Vaticano 2º (1961-1965), que ele próprio havia convocado, o Vaticano manteve a incerteza sobre o diagnóstico exato, que os fiéis só descobriram após sua morte.

    Veja os 11 papas da Igreja Católica nos séculos 20 e 21
    Veja os 11 papas da Igreja Católica nos séculos 20 e 21 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Giovanni Battista Montini sofria de artrose e diversos problemas relacionados à idade, que limitaram sua mobilidade durante a década de 1970.

    Morreu aos 80 anos, em 6 de agosto de 1978, vítima de um infarto, na residência pontifícia de Castel Gandolfo, perto de Roma. Durante seu pontificado, as informações médicas divulgadas pela Santa Sé foram escassas.

    Albino Luciani, eleito em 26 de agosto de 1978, morreu repentinamente 33 dias depois, aos 65 anos, o que provocou espanto e dúvidas na Igreja Católica.

    Canonização dos papas João Paulo 2º e João 23
    Canonização dos papas João Paulo 2º e João 23 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O Vaticano anunciou que a causa da morte foi um infarto, mas não foi realizada uma autópsia. As versões contraditórias dos primeiros comunicados oficiais sobre as circunstâncias de sua morte alimentaram especulações e teorias da conspiração.

    Com João Paulo 2º, a saúde do papa se tornou um tema de interesse mundial.

    Após o atentado sofrido em 13 de maio de 1981 , na praça São Pedro, no qual ficou gravemente ferido, o Vaticano passou a informar regularmente sobre seu estado de saúde, acompanhado hora a hora pelos meios de comunicação.

    A saúde do papa Francisco
    A saúde do papa Francisco — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As fotos do papa polonês em uma cama de hospital, com as mãos e os braços cobertos de curativos e recebendo soro, deram a volta ao mundo. Posteriormente, ele passou por várias cirurgias, uma delas em 1992 para retirar um tumor benigno no cólon.

    O Vaticano começou a divulgar mais informações sobre suas internações do que anteriormente, mas demorou a reconhecer os sintomas da doença de Parkinson, apesar de já serem visíveis na década de 1990.

    Nos últimos meses de seu pontificado, os boletins médicos se multiplicaram. Karol Wojtyla manteve sua agenda até sua morte, em 2 de abril de 2005, apesar de estar cada vez mais debilitado e ter dificuldades para falar.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Eleito aos 78 anos, o alemão Joseph Ratzinger divulgou poucos detalhes sobre sua saúde, mas, em 11 de fevereiro de 2013, anunciou sua renúncia , alegando o enfraquecimento de suas capacidades físicas e mentais, algo inédito em sete séculos. Ele não revelou nenhuma doença específica.

    O anúncio introduziu no debate público a questão da capacidade física de um papa para governar a Igreja e rompeu o tabu da renúncia de um pontífice.

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    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O argentino Jorge Mario Bergoglio, eleito aos 76 anos, havia passado por uma cirurgia para retirar parte de um pulmão na juventude. Seu pontificado foi marcado por dores no joelho , que o levaram a usar primeiro uma bengala e depois uma cadeira de rodas, além de várias internações.

    Em julho de 2021, foi submetido a uma cirurgia no cólon no hospital Gemelli, em Roma, e, em junho de 2023, passou por uma intervenção cirúrgica para tratar uma hérnia abdominal. Esses problemas de saúde alimentaram especulações sobre uma possível renúncia.

    Em fevereiro de 2025, foi internado devido a uma bronquite que evoluiu para uma pneumonia bilateral e permaneceu hospitalizado por mais de cinco semanas. O Vaticano publicou boletins médicos periódicos, nos quais detalhava os tratamentos.

    O saguão do hospital Gemelli se transformou em uma sala de imprensa, onde os médicos do papa respondiam ao vivo às perguntas de jornalistas de todo o mundo. Francisco morreu em 21 de abril de 2025, aos 88 anos, um dia após sua última aparição pública por ocasião da Páscoa.

    Em 11 de outubro de 2026, o próprio Leão 14 anunciou, após a oração do Angelus na praça São Pedro, que um nódulo pulmonar havia sido detectado durante exames médicos de rotina.

    Observadores interpretam o anúncio como uma intenção de controlar a comunicação. O pontífice americano Robert Francis Prevost foi internado no hospital Gemelli dois dias depois, retirou o que o Vaticano afirmou ser um tumor maligno , identificado como adenocarcinoma pulmonar.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/10/do-silencio-sobre-cancer-a-boletins-detalhados-vaticano-muda-forma-de-falar-da-saude-dos-papas.shtml.

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    A estátua do papa João Paulo 2º em frente ao hospital Gemelli, onde o atual pontífice Leão 14 está internado - Stoyan Nenov - 13.out.26/Reuters · Stoyan Nenov - 13.out.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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