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    Dívida de US$ 40 tri, juro imobiliário em alta e disparada do diesel pressionam Donald Trump

    Quase dois anos depois de Donald Trump vencer a eleição com a promessa de reduzir drasticamente os preços e sanear as contas públicas dos Estados Unidos , sua guerra contra o Irã e seus cortes de impostos produziram um resultado diferente: dívida recorde , disparada dos custos dos combustíveis e taxas hipotecárias elevadas. Leia mais (08/22/2026 - 12h18)

    Folha de S.Paulo
    22 de agosto de 2026 às 15:18
    Dívida de US$ 40 tri, juro imobiliário em alta e disparada do diesel pressionam Donald Trump
    Donald Trump fala em púlpito com selo presidencial na Sala Oval da Casa Branca, apontando para a direita. Dois homens de terno escuro estão ao lado, observando. Ao fundo, quadro de homem, bandeiras e cartaz com texto e gráficos sobre US$ 60 — Foto: Folha de S.Paulo

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    Quase dois anos depois de Donald Trump vencer a eleição com a promessa de reduzir drasticamente os preços e sanear as contas públicas dos Estados Unidos , sua guerra contra o Irã e seus cortes de impostos produziram um resultado diferente: dívida recorde , disparada dos custos dos combustíveis e taxas hipotecárias elevadas.

    Presidente Donald Trump fala no Salão Oval da Casa Branca ao lado do secretário de comércio Howard Lutnick e do secretário do Tesouro, Scott Bessent - Jonathan Ernst - 06.ago.26/Reuters · Jonathan Ernst - 06.ago.26/Reuters
    Presidente Donald Trump fala no Salão Oval da Casa Branca ao lado do secretário de comércio Howard Lutnick e do secretário do Tesouro, Scott Bessent - Jonathan Ernst - 06.ago.26/Reuters · Jonathan Ernst - 06.ago.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na terça-feira (18), investidores levaram os rendimentos dos títulos da dívida americana de longo prazo ao maior nível em 19 anos, em meio à preocupação com o peso do endividamento público e as consequências inflacionárias da guerra.

    Um dia depois, o secretário do Tesouro de Trump, Scott Bessent, apressou-se em acalmar os mercados, anunciando um programa para "pelo menos dobrar" as compras de títulos de longo prazo e prometendo divulgar em breve medidas para enfrentar o déficit.

    A mais recente intervenção no mercado pouco fez para reduzir os rendimentos dos títulos do Tesouro e derrubou o dólar.

    Estreito de Hormuz: crise afeta petróleo, fertilizantes e exportações do Brasil
    Estreito de Hormuz: crise afeta petróleo, fertilizantes e exportações do Brasil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Bessent insistiu na quinta-feira que os mercados haviam "se precipitado". Trump afirma que a economia está "em plena expansão", como demonstrariam as máximas do mercado de ações.

    "As diatribes do presidente e os esforços de seu governo para intervir nos mercados de câmbio e de títulos têm um ar de desespero, o que só piora a situação e leva o sentimento do mercado a uma direção ainda mais desfavorável", afirmou Eswar Prasad, professor de economia da Universidade Cornell.

    A turbulência nos mercados ressalta o risco de a agenda econômica de Trump se desfazer justamente quando as eleições de meio de mandato de novembro se aproximam . Pesquisas mostram os democratas à frente dos republicanos na avaliação sobre a condução da economia.

    Negacionismo climático ressurge na Washington de Trump
    Negacionismo climático ressurge na Washington de Trump — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A dívida pública atingiu o recorde de US$ 40 trilhões nesta semana , com o endividamento crescendo no ritmo mais acelerado fora do período da pandemia, à medida que os gastos federais superam as receitas.

    O déficit caiu apenas ligeiramente no ano fiscal de 2025, para 5,8% do PIB, ante 6,4% em 2024. As projeções indicam que os cortes de impostos de Trump aumentarão substancialmente os déficits nos próximos anos, apesar das reduções em programas da rede de proteção social, incluindo a cobertura de saúde do Medicaid e a assistência alimentar aos americanos pobres.

    "Continuamos gastando mais do que arrecadamos, e as demandas por gastos são ainda maiores com a guerra", disse Diane Swonk, economista-chefe da KPMG nos Estados Unidos.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Bessent, que prometeu reduzir o déficit para 3% até o fim do segundo mandato de Trump, insistiu na quinta-feira que havia uma "chance muito, muito boa" de que o déficit já tivesse atingido o pico. Segundo ele, o crescimento econômico e as futuras receitas tarifárias elevariam a arrecadação.

    Michael Strain, diretor de estudos de política econômica do American Enterprise Institute, um centro de estudos de direita, afirmou que a redução do déficit exigiria escolhas políticas difíceis para Trump, incluindo cortes no Medicare e na Previdência Social.

    "Espero que o que o secretário Bessent está dizendo seja verdade", disse Strain. "Mas há grandes dúvidas sobre como isso poderia funcionar."

    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável
    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O Tesouro não respondeu a um pedido de comentário.

    Além da crescente montanha de dívida, a guerra de Trump contra o Irã elevou a inflação e frustrou a promessa do presidente de reduzir pela metade os preços da energia e baixar o custo de produtos básicos para os consumidores.

    Os preços da gasolina subiram cerca de 40% desde o início da guerra, chegando a US$ 4,11 por galão na sexta-feira. O diesel, combustível que movimenta as mercadorias pela economia americana, registrou alta semelhante, para US$ 5,58 por galão.

    O preço médio do diesel no segundo mandato de Trump agora é maior do que durante o governo de Joe Biden . As taxas hipotecárias também estão subindo rapidamente, embora ainda permaneçam abaixo do pico registrado durante o governo de seu antecessor.

    A taxa das hipotecas de 30 anos atingiu 6,65% nesta semana, contra 5,98% antes da guerra, no fim de fevereiro.

    "Com a queda das taxas no último trimestre de 2025 e no primeiro trimestre de 2026, a pressão política sobre o governo para enfrentar a falta de acessibilidade à moradia foi menor", disse Jaret Seiberg, da TD Securities, acrescentando que a Casa Branca agora "não tem escolha" a não ser se concentrar na redução das taxas, "mesmo que o alívio seja temporário".

    A inflação anual ao consumidor atingiu em maio o maior nível em três anos, de 4,2%, antes de recuar para 3,4% em julho.

    Autoridades do Federal Reserve temem que a inflação persistentemente elevada se enraíze na economia, mas optaram por não aumentar as taxas de juros, alimentando a inquietação dos mercados quanto à disposição do banco central de conter a inflação.

    A interrupção no fornecimento de energia do Oriente Médio causada pela guerra ofuscou o modesto crescimento da produção de petróleo dos próprios Estados Unidos, que Trump havia apresentado como uma forma de conter os preços para os americanos.

    Art Berman, consultor de energia sediado em Houston, afirmou que a guerra de Trump "desperdiçou" a vantagem energética dos Estados Unidos.

    "Minha convicção é que este governo —e provavelmente todos os governos desde Franklin Roosevelt— é cego para a questão energética. Eles simplesmente não entendem nada disso."

    Os Estados Unidos continuam sendo o maior produtor de petróleo do mundo, embora a Administração de Informação sobre Energia federal espere que a produção aumente apenas 200 mil barris por dia neste ano. Cerca de 20 milhões de barris por dia que atravessavam o Estreito de Hormuz deixaram de circular a partir do Oriente Médio durante a guerra de Trump.

    O peso da dívida, os altos custos dos empréstimos e a pressão persistente dos combustíveis e alimentos caros afetaram a confiança dos consumidores americanos, que permanece próxima de mínimas históricas. Pesquisas também mostram que os eleitores agora acreditam estar em situação pior sob a gestão econômica de Trump.

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    O crescimento econômico ainda é forte, graças aos gastos dos consumidores americanos e à corrida das grandes empresas de tecnologia para investir em infraestrutura de inteligência artificial . Mas a expansão do PIB de 2,1% no ano passado e a taxa anualizada de 1,5% no segundo trimestre de 2026 estão muito abaixo dos 5% a 6% previstos pelo secretário de Comércio, Howard Lutnick, ou da meta de 3% estabelecida por Bessent.

    Na quinta-feira, o secretário do Tesouro afirmou que os Estados Unidos ainda estavam em condições de "superar o rombo da dívida por meio do crescimento".

    Reportagem adicional de Akila Quinio, em Nova York

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/divida-de-us-40-tri-juro-imobiliario-em-alta-e-disparada-do-diesel-pressionam-donald-trump.shtml.

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    Presidente Donald Trump fala no Salão Oval da Casa Branca ao lado do secretário de comércio Howard Lutnick e do secretário do Tesouro, Scott Bessent - Jonathan Ernst - 06.ago.26/Reuters · Jonathan Ernst - 06.ago.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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