Diversidade chega a 83% das empresas da Bolsa, mas presença racial ainda é baixa
Estudo da B3 em parceria com o Instituto Locomotiva mostra que 83% de 290 empresas listadas na Bolsa de Valores analisadas atendem, em 2026, aos critérios de diversidade previstos no chamado Anexo ASG.

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Estudo da B3 em parceria com o Instituto Locomotiva mostra que 83% de 290 empresas listadas na Bolsa de Valores analisadas atendem, em 2026, aos critérios de diversidade previstos no chamado Anexo ASG .

Aprovado pela CVM em 2023, o Anexo ASG reúne medidas propostas pela B3 para estimular a diversidade na alta liderança e a adoção de boas práticas ambientais, sociais e de governança pelas companhias listadas. O mecanismo funciona no modelo "pratique ou explique", em que as empresas devem informar ao mercado se adotaram as medidas ou justificar a não adoção.
O percentual considera companhias que reportaram a presença de ao menos uma mulher ou de integrantes de grupos sub-representados (pessoas pretas, pardas ou indígenas, LGBTQIA+ ou com deficiência) no conselho de administração ou na diretoria estatutária, segundo o formulário de referência —documento regulatório entregue anualmente pelas empresas de capital aberto .
O levantamento, chamado "Lideranças Plurais", também aponta avanço na presença desses grupos na alta gestão. Nas diretorias estatutárias, a proporção de empresas com ao menos um integrante de grupo sub-representado passou de 52% em 2025 para 59% em 2026. Nos conselhos de administração, o percentual subiu de 69% para 73%.

Entre 2021 e 2024, o estudo se chamava "Mulheres em Ações" e analisava apenas a presença feminina nos conselhos de administração e nas diretorias estatutárias.
O levantamento mostra que 70% das empresas de capital aberto analisadas têm ao menos uma mulher no conselho de administração, o maior percentual desde o início da série histórica da B3, em 2021. Naquele ano, a proporção era de 55%.
Nas diretorias estatutárias, 51% das empresas contam com ao menos uma mulher, também o maior índice dos seis anos de monitoramento. Em 2021, eram 39%.

Apesar do avanço na diversidade de gênero, a representatividade racial e de pessoas com deficiência ainda é baixa entre as empresas listadas.
Nas diretorias estatutárias, 23% das companhias declaram ter ao menos uma pessoa parda, enquanto apenas 2% relatam a presença de pessoas pretas. Em 2023, quando esses dados passaram a ser incluídos nos formulários de referência, os percentuais eram de 11% e 2%, respectivamente.
Nos conselhos de administração, 18% das empresas têm ao menos uma pessoa parda e 5% contam com uma pessoa preta. Em 2023, os índices eram de 9% e 4%, respectivamente.

A pesquisa também analisou a presença de pessoas com deficiência em posições de alta liderança. Esses dados passaram a ser reportados de forma estruturada em 2025. Atualmente, 3% das companhias contam com ao menos uma pessoa com deficiência no conselho de administração e 4% nas diretorias estatutárias. Em 2025, o percentual era de 3% nos dois órgãos.
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Neste ano, na apresentação do formulário de referência, que aconteceu até o dia 31 de maio, as companhias brasileiras listadas deveriam apontar evidências da adoção das seguintes práticas:
Eleição, para o conselho de administração ou para a diretoria estatutária, de pelo menos, uma mulher e um integrante de comunidade sub-representada ou as justificativas para a não adoção da prática;
Estabelecimento de critérios mínimos de diversidade nos procedimentos de indicação de membros da administração ou as justificativas para a não adoção da prática; e inclusão, na política de remuneração dos administradores (quando houver remuneração variável), de indicadores de desempenho ligados a temas ou metas ASG ou as justificativas para a não adoção da prática.
Nesta edição, o levantamento também analisou a Medida ASG 1, que estabelece que as empresas devem ter ao menos uma mulher e um integrante de outro grupo sub-representado no conselho de administração ou na diretoria estatutária, ou explicar por que não adotaram a medida.
Entre as 100 empresas do IBrX 100, índice que reúne ações de maior liquidez e representatividade da Bolsa, 61 atendem aos dois critérios. Das 39 que não atendem, 32 têm mulheres na alta gestão, três têm integrantes de outros grupos sub-representados e apenas duas não têm nenhum dos dois.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/diversidade-chega-a-83-das-empresas-da-bolsa-mas-presenca-racial-ainda-e-baixa.shtml.

Pessoas acompanhando o leilão do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, na sede da B3, em São Paulo - Rafaela Araújo - 5.dez.25/Folhapress · Rafaela Araújo - 5.dez.25/Folhapress — Foto: UOL
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