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    Divergências do programa de governo de Flávio Bolsonaro

    É difícil entender a extrema direita. No 7 de Setembro, na avenida Paulista, uma ativista antivacina, que endossava Eduardo Bolsonaro, criticava a vacinação contra o sarampo. Leia mais (09/16/2026 - 17h23)

    Folha de S.Paulo
    16 de setembro de 2026 às 20:23
    Divergências do programa de governo de Flávio Bolsonaro
    Dois homens de terno azul estão de mãos dadas no topo da cabeça desenhada de um rosto masculino. Um deles segura uma bandeira com as cores do estado de São Paulo. Dois caças voam ao redor deles em um céu vermelho com nuvens estilizadas. À e — Foto: Folha de S.Paulo

    Escritor, é autor de 'Feliz Ano Velho', 'Ainda Estou Aqui' e 'O Novo Agora'

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    Carolina Daffara/Folhapress · Carolina Daffara/Folhapress
    Carolina Daffara/Folhapress · Carolina Daffara/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    É difícil entender a extrema direita. No 7 de Setembro, na avenida Paulista, uma ativista antivacina, que endossava Eduardo Bolsonaro, criticava a vacinação contra o sarampo.

    Questionada se não acreditava que vacinas protegem contra doenças como a pólio, respondeu, com um ar blasé, que não existe mais pólio porque nos vacinamos no passado.

    Fico me perguntando que champignon comem aqueles que defendem que Lula morreu e somos governados por um sósia; que vivemos numa ditadura; e, meu favorito, que Trump deveria fazer no Brasil o que fez na Venezuela .

    Boneco de Trump segurando Lula em ato da direita no 7 de Setembro na avenida Paulista - Eduardo Knapp - 7.set.26/Folhapress · Eduardo Knapp - 7.set.26/Folhapress
    Boneco de Trump segurando Lula em ato da direita no 7 de Setembro na avenida Paulista - Eduardo Knapp - 7.set.26/Folhapress · Eduardo Knapp - 7.set.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Até um boneco inflável do presidente americano levando Lula embora foi confeccionado para o comício de Flávio Bolsonaro no feriado da pátria.

    A Operation Absolute Resolve, realizada na madrugada de 3 de janeiro de 2026, em Caracas, na qual Nicolás Maduro foi capturado com a mulher, Cilia Flores, levou meses de preparação.

    A CIA o monitorava havia tempo. Os americanos construíram uma réplica de seu esconderijo para que soldados da Delta Force ensaiassem a invasão. Os Estados Unidos concentraram mais de 150 aeronaves, que partiram de cerca de 20 bases no Caribe.

    Centenas de pessoas vestindo verde e amarelo se reúnem em manifestação ao ar livre. No centro, boneco inflável gigante de figura política segurando objeto com rosto desenhado. Bandeira do Brasil visível entre a multidão.
    Centenas de pessoas vestindo verde e amarelo se reúnem em manifestação ao ar livre. No centro, boneco inflável gigante de figura política segurando objeto com rosto desenhado. Bandeira do Brasil visível entre a multidão. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Tinha caças F-35, F-22 e F/A-18, bombardeiros B-1, drones, aviões de inteligência e helicópteros, além do porta-aviões USS Gerald Ford e do navio de assalto USS Iwo Jima.

    Para realizar o sonho de sequestrar Lula e Janja, inspirado na operação venezuelana, o primeiro objetivo não seria bombardear seus esconderijos, mas neutralizar as defesas brasilienses e abrir um corredor seguro para os helicópteros que levariam as forças especiais até o casal.

    Os americanos teriam de enviar uma frota ao Brasil e tomar Natal, Recife ou Salvador. Brasília seria atacada na madrugada: explosões em instalações militares e sistemas de defesa antiaérea.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ao mesmo tempo, os americanos empregariam guerra eletrônica, inteligência e aeronaves especializadas para reduzir a capacidade brasileira de detectar e reagir à incursão. A força de captura voaria baixo. Chegaria ao bunker lulista. O casal seria colocado nos helicópteros e levado ao USS Iwo Jima, na costa brasileira.

    Fui procurar no programa político de 76 páginas de Flávio Bolsonaro, "Para o Brasil Vencer o Atraso", se tal missão é bandeira ou fantasia —e tentar entender, nas entrelinhas, o que ele pretende fazer se for eleito.

    A linguagem é de fácil acesso e despojada, como o TCC de um aluno do ensino médio. Os capítulos se chamam "Terrorista Vai Ser Tratado Como Terrorista", "Crime do Menor Não É Menor", "Luz, Câmera, Prisão", "Ganha, Ganha".

    Sobre relações internacionais, diz o programa: "Nos últimos anos, a política externa brasileira trocou o interesse nacional pela ideologia, protegendo regimes propensos ao terror e seus criminosos".

    Países do Brics —US$ 200 bilhões em comércio com o Brasil—, da União Europeia —US$ 100 bilhões—, do Mercosul —US$ 40 bilhões—, da Aliança do Pacífico —US$ 30 bilhões— e da Associação de Nações do Sudeste Asiático —US$ 40 bilhões— são propensos ao terror?

    Segundo o programa, "nos últimos anos, as relações com países como Argentina , Estados Unidos e Israel foram levadas ao limite do rompimento. Vamos reverter esse quadro com profissionalismo e foco no interesse do Brasil".

    Rompimento? Os Estados Unidos nos taxam e ainda são nosso segundo maior parceiro comercial. A Argentina, apesar dos surtos de Milei, é o terceiro.

    Sobre alfabetização: "Vamos priorizar o método fônico, que é o de melhor resultado comprovado pela ciência, ensinando a criança a ligar cada som à sua letra, em vez das abordagens que fracassaram por décadas".

    Ou seja: continua a criminalização de Paulo Freire.

    Quando alguém diz que algo foi comprovado por Harvard, por um artigo da Nature ou por um Prêmio Nobel , a gente bota fé. Quando diz simplesmente "comprovado pela ciência", é uma premissa conhecida como Argumento Cloroquina.

    O programa sugere castração química para condenados por estupro e abuso sexual de crianças, redução da maioridade penal para 16 anos e encarceramento em massa: o Complexo TREVA abriria 500 mil vagas no sistema prisional.

    "Vamos ainda ampliar o acesso a exames preventivos e manter a imunização e o incentivo à produção nacional de vacinas, porque prevenir é sempre mais barato e mais humano do que tratar tarde."

    Sobre cultura, um dado contraditório. O programa dedica apenas dois parágrafos ao mercado que emprega seis milhões de profissionais, segundo o IBGE , e afirma que preservará uma "cultura que defenda nossas raízes".

    "Com isso, alcançaremos os artistas de grande mérito artístico, porém de pouca projeção, hoje esquecidos pelo modelo atual."

    Então " Dark Horse " deveria se chamar "Cabra da Peste", com protagonista, diretor e doleiros do Vale do Ribeira. A não ser que as raízes a serem defendidas sejam as do Texas.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcelo-rubens-paiva/2026/09/divergencias-do-programa-de-governo-de-flavio-bolsonaro.shtml.

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