Brasil

    Ditadura militar no Brasil vira tema de jogo de cartas

    Concebido pelo estúdio Tijolo, jogo Censura será lançado em novembro

    UOL
    28 de agosto de 2026 às 03:00
    Ditadura militar no Brasil vira tema de jogo de cartas
    Foto: UOL

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    A advogada Eunice Paiva , viúva do deputado Rubens Paiva, o jornalista Vladimir Herzog , morto pela repressão, e o líder político Leonel Brizola já foram lembrados em livros e filmes sobre a ditadura militar no Brasil . Agora eles e outras figuras notáveis desse período surgem em um jogo de cartas que ganhou o nome de Censura.

    Algumas cartas do jogo Censura, uma criação do estúdio Tijolo que lembra a ditadura militar no Brasil - Divulgaçao · Divulgaçao
    Algumas cartas do jogo Censura, uma criação do estúdio Tijolo que lembra a ditadura militar no Brasil - Divulgaçao · Divulgaçao — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Projeto do estúdio Tijolo , que reúne três amigos de São Paulo e do Rio de Janeiro com experiência na criação de jogos, Censura acompanha os principais momentos do período autoritário, que se estendeu de 1964 a 1985.

    O jogo está na fase final de uma campanha de financiamento coletivo, com previsão de lançamento em novembro.

    "Queremos que as pessoas joguem e reflitam sobre a sociedade em que vivemos", diz Renato Sasdelli, desenvolvedor de jogos, produtor e um dos integrantes da Tijolo.

    Capa do jogo Censura, que tem previsão de lançamento em novembro de 2026 - Divulgaçao · Divulgaçao
    Capa do jogo Censura, que tem previsão de lançamento em novembro de 2026 - Divulgaçao · Divulgaçao — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Os outros membros do grupo são o designer de games Alex Olteanu e o designer gráfico Max Duarte.

    Censura é o segundo projeto do estúdio. Em março, a Tijolo lançou Imperialismo: América, que trata das relações dos Estados Unidos com os países da América Latina ao longo das mais de quatro décadas da Guerra Fria .

    Nas duas iniciativas, o grupo contou com a colaboração constante do professor Vitor Soares, do podcast História em Meia Hora.

    A máquina da repressão na ditadura
    A máquina da repressão na ditadura — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Censura começou a surgir em meados do ano passado a partir do contato dos integrantes da Tijolo com docentes do ensino médio para mostrar Imperialismo: América. Os professores elogiavam o enfoque do jogo, mas diziam, entre outras observações, que preferiam uma opção mais em conta –Imperialismo custa R$ 230; Censura deve sair por R$ 100.

    Com o novo projeto, havia também o desejo do estúdio de abordar a história recente do Brasil.

    Ao longo do desenvolvimento de Censura, um dos objetivos da equipe foi conciliar o aspecto lúdico com a gravidade do tema escolhido. "É muito difícil falar de um assunto pesado em um jogo porque pode parecer que estamos minimizando o tema. Tenho certeza de que não fizemos isso", diz Vitor Soares, responsável pelos breves textos que aparecem nas cartas.

    Ziraldo pelas lentes da Folha
    Ziraldo pelas lentes da Folha — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Adotar o tom certo do didatismo foi outra preocupação. Segundo Soares, "não queríamos que ficasse maçante, que tivesse um jeito de palestrinha".

    Indicado para quem tem mais de 14 anos, Censura pode ser jogado por duas, três ou quatro pessoas. E há ainda um "modo solo", como diz Sasdelli –ou seja, a possibilidade de jogar sozinho.

    É conduzido por 44 cartas que destacam, em ordem cronológica, alguns dos principais episódios da ditadura, como a criação do SNI (Serviço Nacional de Informações), em setembro de 1964; o AI-2 (Ato Institucional número 2), que extinguiu os partidos em outubro de 1965; e o AI-5, que fortaleceu muito o aparato repressivo em dezembro de 1968.

    Capa do jogo 'Censura' com ilustração de rosto azul com expressão preocupada, parcialmente coberto por faixa amarela com a palavra 'CENSURA'. Texto vermelho no topo diz 'A história da luta contra a ditadura militar brasileira'.
    Capa do jogo 'Censura' com ilustração de rosto azul com expressão preocupada, parcialmente coberto por faixa amarela com a palavra 'CENSURA'. Texto vermelho no topo diz 'A história da luta contra a ditadura militar brasileira'. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    No pé de cada uma dessas cartas, há uma recomendação, que leva o jogador a recorrer a outras cartas, como as de Luta e as dos Personagens. Nessas últimas, além dos nomes mencionados no início deste texto, aparecem figuras como a advogada e ativista dos direitos humanos Therezinha Zerbini , o cartunista Ziraldo e o guerrilheiro Carlos Marighella.

    O objetivo final dos participantes é reunir forças para derrubar o regime autoritário.

    Ziraldo também surge como uma das inspirações para as ilustrações das cartas, conta o designer gráfico Max Duarte. Trabalhos de Millôr Fernandes , Henfil e Laerte foram outras fontes tomadas como referência.

    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Quem manusear as cartas talvez se lembre de um dos marcos do movimento tropicalista, o disco lançado por Gilberto Gil e Mutantes em 1968. A capa do álbum, concebida por Rogério Duarte e Antonio Dias, foi uma das referências para o trabalho de Max Duarte.

    Nos testes em eventos, como o Diversão Offline, que aconteceu em julho, em São Paulo, Censura tem sido bem recebido pelo público.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/08/ditadura-militar-no-brasil-vira-tema-de-jogo-de-cartas.shtml.

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    Algumas cartas do jogo Censura, uma criação do estúdio Tijolo que lembra a ditadura militar no Brasil - Divulgaçao · Divulgaçao — Foto: UOL

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