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    Discord diz ter desativado servidor que incentivava automutilação antes da morte de adolescente

    O Discord afirma ter identificado e desativado, antes da morte de uma adolescente em 22 de junho , um servidor privado em que integrantes teriam incentivado a automutilação da jovem. Leia mais (08/10/2026 - 16h56)

    Folha de S.Paulo
    10 de agosto de 2026 às 19:56
    Discord diz ter desativado servidor que incentivava automutilação antes da morte de adolescente
    Dedo indicador próximo ao ícone azul do aplicativo Discord em uma tela de smartphone, com o nome 'Discord' visível abaixo do ícone. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O Discord afirma ter identificado e desativado, antes da morte de uma adolescente em 22 de junho , um servidor privado em que integrantes teriam incentivado a automutilação da jovem.

    Logo do Discord - Dado Ruvic/Reuters · Dado Ruvic/Reuters
    Logo do Discord - Dado Ruvic/Reuters · Dado Ruvic/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A informação foi fornecida pela plataforma à Folha em resposta à ofensiva do governo federal , que, por meio da AGU (Advocacia-Geral da União), pediu esclarecimentos à empresa sobre sua atuação no caso e cobrou medidas para proteger usuários com menos de 18 anos. O caso levou a primeira-dama do país, Janja Lula da Silva, a pedir a derrubada imediata da plataforma .

    Segundo o Discord, o servidor era acessível apenas mediante convite e não podia ser encontrado por outros usuários da plataforma em busca. A empresa afirma que investigou e apagou o grupo com antecedência.

    A plataforma não informou, porém, quando identificou o servidor, quantos usuários faziam parte dele e quais medidas foram tomadas contra os integrantes.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O Discord afirmou que não tolera grupos ou indivíduos que promovam ou incentivem a violência e que mantém diálogo contínuo com autoridades brasileiras, incluindo o Ministério da Justiça .

    A empresa também disse ter equipes especializadas que atuam na identificação de grupos envolvidos em atividades violentas , na remoção de conteúdos que violem suas políticas e na identificação de possíveis vítimas. Segundo o Discord, denúncias feitas de forma proativa pela plataforma e respostas a solicitações de autoridades brasileiras já contribuíram para operações que resultaram em prisões.

    A manifestação ocorre após a AGU solicitar esclarecimentos ao Discord sobre o caso da adolescente . O governo federal passou a pressionar a plataforma depois da morte da jovem, em episódio que levantou novamente questionamentos sobre a presença de grupos que incentivam automutilação e outros comportamentos violentos em ambientes digitais.

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    O órgão cobrou da empresa a adoção de providências concretas, capazes de assegurar o cumprimento das salvaguardas previstas na legislação brasileira e de conferir efetividade aos mecanismos de verificação etária, prevenção de riscos, identificação de situações de vulnerabilidade e proteção de usuários menores de idade.

    A verificação de idade e as demais medidas de proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais estão entre as obrigações estabelecidas pelo ECA Digital , que instituiu regras específicas para a proteção desse público no ambiente digital.

    Está acordado que o Discord apresentará à AGU, até o fim desta semana, uma proposta concreta de medidas, procedimentos e mecanismos destinados a corrigir as falhas identificadas e assegurar o cumprimento das obrigações legais de proteção.

    A partir da análise das medidas apresentadas pela empresa, a Advocacia-Geral diz que avaliará a possibilidade de avançar na construção de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), com compromissos, obrigações e prazos destinados à adequação da plataforma às exigências da legislação brasileira.

    A busca por uma solução consensual, porém, não afasta a possibilidade de adoção das medidas judiciais cabíveis.

    Caso a plataforma não adote providências consideradas suficientes para sanar as irregularidades e garantir a proteção exigida pela legislação, a AGU informa que poderá adotar as medidas judiciais pertinentes, inclusive o eventual ajuizamento de ação civil p ública para assegurar a proteção dos direitos de crianças e adolescentes .

    O caso ocorre em meio a uma discussão mais ampla sobre a responsabilidade das plataformas digitais na proteção de crianças e adolescentes. O Discord já vinha sendo alvo de questionamentos de autoridades brasileiras antes do episódio.

    Em fevereiro, a Folha revelou um relatório do Noad (Núcleo de Observação Digital), da Polícia Civil de São Paulo, que apontava falhas na moderação do Discord e relatava dificuldades para retirar servidores e transmissões com conteúdo criminoso. Segundo o documento, havia casos em que conteúdos violentos permaneciam disponíveis mesmo após solicitações feitas por investigadores.

    Já em maio, mostrou outro caso envolvendo a plataforma. Um adolescente foi apreendido em São Paulo sob investigação por participação em grupos utilizados para aliciar e explorar menores . Segundo o Ministério Público, integrantes dos grupos incentivavam vítimas a praticar automutilação e ofereciam dinheiro para que os atos fossem gravados.

    O histórico de cooperação entre a plataforma e autoridades brasileiras, porém, antecede os episódios recentes. Em 2023, o Ministério da Justiça afirmou que o Discord havia desligado proativamente a maioria dos servidores identificados como violadores de suas políticas de segurança infantil e que a cooperação com o Ciberlab, laboratório de operações cibernéticas da pasta, havia contribuído para prisões.

    Agora, diante da solicitação de esclarecimentos da AGU, o Discord afirma que continuará colaborando com as autoridades brasileiras.

    "Temos o compromisso com a segurança dos nossos usuários e contamos com equipes dedicadas a desarticular esses grupos, remover conteúdos que violem nossas políticas e tomar medidas contra os responsáveis por essas condutas", afirmou a empresa.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/discord-diz-ter-desativado-servidor-que-incentivava-automutilacao-antes-da-morte-de-adolescente.shtml.

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