Diretor de órgão da Prefeitura de SP relatou ameaça de empresa desclassificada de licitação da iluminação
O diretor da SP Regula, João Manoel da Costa Neto, disse em uma reunião no início do ano que se sentiu ameaçado com o teor de uma carta que recebeu da Walks, consórcio desclassificado da bilionária licitação da iluminação pública na capital paulista. Leia mais (08/30/2026 - 12h00)

Editado por Fábio Zanini, espaço traz notícias e bastidores da política. Com Carlos Petrocilo e Gabriela Echenique
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O diretor da SP Regula, João Manoel da Costa Neto, disse em uma reunião no início do ano que se sentiu ameaçado com o teor de uma carta que recebeu da Walks, consórcio desclassificado da bilionária licitação da iluminação pública na capital paulista.
A SP Regula, que fiscaliza as concessões na gestão do prefeiro da capital, Ricardo Nunes ( MDB ), manteve como parceira pelo serviço o consórcio Ilumina SP, que venceu o certame em 2018 por aproximadamente R$ 6,9 bilhões.

A Walks tenta suspender o processo após obter uma decisão transitada em julgado, em dezembro de 2024, pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
A ameaça foi relatada por Costa Neto em uma reunião com procuradores do município e representantes da Walks realizada em janeiro. No encontro, o diretor da SP Regula fez menção ao texto da carta, enviada em dezembro de 2025 para ele e para o gabinete de Nunes, dizendo que continha acusações e ameaças na tentativa de influenciar o certame.
Segundo a ata da reunião, obtida pelo Painel, Costa Neto "ressaltou ter ficado profundamente inconformado com o recebimento da carta".

O diretor afirmou ainda, diz a ata, que "ao longo de toda a sua carreira pública, jamais vivenciou situação semelhante, especialmente no que se refere a ameaças dirigidas a agentes públicos no exercício regular de suas atribuições".
Costa Neto também afirmou na reunião "que eventual intento de coação não produzirá qualquer efeito, tendo toda a equipe da SP-Regula recebido a carta como manifestação de absoluto desrespeito institucional".
Na carta, os representantes da Walks escreveram que "a persistência do atual quadro [manutenção da Ilumina SP como concessionária] tornará inevitável a adoção de todas as medidas judiciais cabíveis, inclusive aquelas destinadas à responsabilização pessoal dos agentes públicos que, por ação ou omissão, contribuírem para exposição indevida do ente público a prejuízos evitáveis".

Na reunião, Sérgio Gonçalves, presidente da Walks, negou a intenção de ameaça e atribuiu o tom à falta de respostas ao pedido de reuniões com a gestão Nunes.
O empresário questionou Costa Neto se não causava indignação a prefeitura gastar, por mês, R$ 10 milhões a mais por ter escolhido a Ilumina SP, vencedora da licitação.
Advogado da Walks e um dos autores da carta, Gustavo Ungaro afirmou que não houve ameaça e que Costa Neto foi apenas formalmente instado a cumprir a decisão judicial transitada em julgado.

A prefeitura afirmou, em nota, que a carta foi levada ao conhecimento de sua diretoria e, após análise, arquivada. "Em relação à manifestação da presidência da SP Regula, ela consta na ata mencionada pela reportagem", diz a nota.
Como o Painel mostrou nesta quarta, houve um mal-estar na prefeitura após o vice de Nunes, o coronel Ricardo Mello Araújo, ter recebido Ungaro .
No dia seguinte, Araújo interpelou Costa Neto e o próprio prefeito, questionando por que a prefeitura não havia cumprido a decisão do STF.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2026/08/diretor-de-orgao-da-prefeitura-de-sp-relatou-ameaca-de-empresa-desclassificada-de-licitacao-da-iluminacao.shtml.

Vista da região do elevado presidente João Goulart, o Minhocão, no centro de São Paulo, com parte da iluminação apagada - Ronny Santos - 27.mai.22/Folhapress · Ronny Santos - 27.mai.22/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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