Brasil

    Direita latino-americana segue plano temerário de Trump

    Se o Itamaraty foi apanhado de surpresa pela decisão de 14 países da América Latina de acompanhar os Estados Unidos na classificação do PCC e de outras quadrilhas como organizações terroristas, chama a atenção menos o conteúdo da declaração -às margens da Assembleia Geral da ONU - e mais o isolamento diplomático do Brasil. Leia mais (09/23/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    24 de setembro de 2026 às 01:00
    Direita latino-americana segue plano temerário de Trump
    Dezenove pessoas sentadas ao redor de uma mesa em formato de U em sala de conferência. Ao fundo, painel azul com o texto 'Summit of the Americas' e logotipos oficiais. Microfones e dispositivos eletrônicos estão sobre a mesa. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Reunião de líderes dos países que integram o Escudo das Américas, em Nova York (EUA) - Charly Triballeau - 22.set.26/Pool via REUTERS · Charly Triballeau - 22.set.26/Pool via REUTERS
    Reunião de líderes dos países que integram o Escudo das Américas, em Nova York (EUA) - Charly Triballeau - 22.set.26/Pool via REUTERS · Charly Triballeau - 22.set.26/Pool via REUTERS — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Se o Itamaraty foi apanhado de surpresa pela decisão de 14 países da América Latina de acompanhar os Estados Unidos na classificação do PCC e de outras quadrilhas como organizações terroristas, chama a atenção menos o conteúdo da declaração —às margens da Assembleia Geral da ONU — e mais o isolamento diplomático do Brasil.

    Não é trivial articular uma negociação entre tantas nações sem que informações vazem para outras partes interessadas.

    Entre os participantes do Escudo das Américas, a iniciativa envolvendo governantes latino-americanos simpáticos a Donald Trump , há vizinhos do Brasil, como Argentina , Colômbia e Bolívia . Seus corpos diplomáticos não são estranhos ao Itamaraty.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Teoricamente faz pouco sentido classificar grupos criminosos como terroristas. Ainda que possam recorrer a táticas de terror —instilando, por exemplo, o pânico entre civis—, o que os move é o ganho econômico, não objetivos político-ideológicos. Na prática, o que mais interessa é a efetividade do combate a esses grupos.

    Há que monitorar a mudança de nomenclatura para verificar se ajudará ou prejudicará as cooperações internacionais. Nos EUA, o combate a organizações transnacionais cabe ao FBI e outras agências com expertise policial.

    Já o enfrentamento de terroristas é dividido entre órgãos policiais e de inteligência, como a CIA , e departamentos militares, que resistem muito mais em compartilhar dados com outros países.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O governo Trump, porém, não se pauta por políticas eficientes em quaisquer áreas em que atue. O que o caracteriza é a retórica hiperbólica, não necessariamente vinculada às evidências. É pena que tantos dirigentes latino-americanos tenham dado prioridade a agradar ao republicano.

    A reclassificação oferece pretextos jurídicos para os Estados Unidos e outros países atuarem com mão pesada contra suspeitos de integrar essas quadrilhas. No limite extremo, facilita até a justificativa para ação militar.

    São oportunidades de agir de modo arbitrário , o que é sempre algo a evitar no Estado democrático de Direito. Cumpre observar, ademais, que Donald Trump está longe de ser um legalista. Várias intervenções externas já ordenadas por ele estão em desacordo com a lei internacional, o que não foi suficiente para inibi-lo.

    Seria por outro lado ingênuo ignorar o interesse eleitoreiro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) em manter um certo nível de atrito com Trump. O republicano, nas suas ofensivas disparatadas contra a população e as empresas do Brasil, tem se portado como cabo eleitoral de luxo do candidato petista à reeleição.

    Para o cidadão brasileiro, não importa o nome que as quadrilhas tenham. O que interessa é o combate à chaga do crime organizado ser resolutivo. Se nações ricas querem financiar o esforço local, a atitude de governos pragmáticos deveria ser a de ao menos explicitar o que se perde em recursos ao recusar o apoio.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/direita-latino-americana-segue-plano-temerario-de-trump.shtml.

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    Reunião de líderes dos países que integram o Escudo das Américas, em Nova York (EUA) - Charly Triballeau - 22.set.26/Pool via REUTERS · Charly Triballeau - 22.set.26/Pool via REUTERS — Foto: Folha de S.Paulo

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